The Black Wizards revelam “Wishing Well” e anunciam novo álbum com lançamento em setembro
Os portuenses The Black Wizards estão de regresso com nova música. O trio acaba de lançar o single “Wishing Well”, tema que antecipa o próximo álbum “Force Majeure & The Acts of God”, com edição marcada para 4 de setembro pela editora Hassle Records.
Depois dos já conhecidos “Loose” e “Killing The Buzz”, a nova faixa surge carregada de energia proto-punk, com riffs em espiral, uma intensidade quase caótica e um impulso rítmico que nunca abranda. “Wishing Well” traduz musicalmente um ciclo emocional de confronto constante, onde a exaustão e a resistência coexistem. “Toda a gente tem os seus próprios demónios, as suas batalhas — aquela inconveniência perfeita que nos deixa tão zangados e exaustos que só queremos arrancá-la da cabeça”, explica Joana Brito, vocalista e guitarrista da banda.
Formados no Porto, Joana Brito, José Gomes e Helena Peixoto apresentam agora o seu quarto álbum de estúdio e o primeiro desde “Reflections” (2019). Este novo trabalho marca uma mudança significativa na sonoridade do grupo, afastando-se das raízes mais densas do stoner rock para uma abordagem mais direta, crua e dinâmica. As novas composições não se arrastam — avançam, atacam e transformam-se.
O título do álbum, “Force Majeure & The Acts of God”, inspirado numa expressão jurídica que descreve acontecimentos fora do controlo humano, reflete tanto o contexto turbulento em que o disco foi criado como o humor negro e a atitude desafiante que percorrem os seus dez temas. Entre crítica social e ironia, o trio aborda questões como liderança política, tribalismo e masculinidade tóxica, sem perder uma identidade afiada e provocadora.
O processo de gravação foi, por si só, um exercício de adaptação. Inicialmente planeado para a Suécia com o produtor Cooper Crain, o projeto acabou por ser reconfigurado após uma emergência de saúde que obrigou ao cancelamento das sessões. Crain acabou por viajar de Chicago para o Porto, onde o álbum foi gravado em apenas cinco dias intensos nos Arda Recorders. A tentativa de gravação em fita analógica foi abandonada à última hora devido a problemas técnicos, levando a banda a optar pelo digital.
O resultado é um disco que mantém as imperfeições e a urgência do processo criativo, reforçando uma estética crua e sem filtros. “É bom ver imperfeições numa altura em que tudo caminha para algo demasiado polido ou baseado em inteligência artificial”, sublinha Joana Brito.
Apesar da tensão e da carga política, o álbum é também um manifesto de ligação e comunidade. Enraizados na cena independente do norte de Portugal, os The Black Wizards mantêm o compromisso com a criação artística e com a construção de espaços inclusivos. “Queremos incentivar as pessoas a serem criativas, a largarem os telemóveis e a fazerem algo — tocar, pintar, criar”, acrescenta a vocalista.
Em tempos de instabilidade, a banda escolhe o ruído, o movimento e a partilha como resposta. E é precisamente aí que reside a força de “Force Majeure & The Acts of God”