Soundgarden retomam álbum final com gravações inéditas de Chris Cornell e prometem despedida histórica

Quase uma década após a morte de Chris Cornell, os Soundgarden voltaram a trabalhar no aguardado álbum final da banda, construído a partir de gravações inéditas deixadas pelo vocalista. O projeto, que esteve envolto em incerteza durante anos, ganha agora novo fôlego e promete encerrar um dos capítulos mais marcantes da história do grunge.

Em entrevista recente, o guitarrista Kim Thayil revelou que, juntamente com Matt Cameron e Ben Shepherd, continua a desenvolver material gravado com Cornell antes de 2017. Muitas destas composições existem há mais de uma década e encontravam-se em diferentes fases de produção.

São como esboços que precisam de ser finalizados”, explicou Thayil, descrevendo o processo como uma reconstrução cuidadosa e emocionalmente exigente.

Para os membros sobreviventes, este álbum assume um significado que ultrapassa o simples lançamento discográfico. “É muito importante para nós, para o legado do Soundgarden e para o legado do Chris”, afirmou Thayil, sublinhando a responsabilidade de fazer justiça ao trabalho coletivo da banda.

O processo decorre sem pressões externas, permitindo que cada decisão seja tomada com tempo e respeito pela memória de Cornell. Ainda assim, ouvir novamente as gravações originais do vocalista tem sido uma experiência intensa. Cameron descreveu o momento como “avassalador”, mas também motivo de orgulho.

Apesar de enraizado na identidade clássica da banda, o disco poderá surpreender. Segundo Cameron, algumas faixas apontam para novas direções sonoras, misturando hard rock, psicadelismo e elementos mais experimentais.

Entre os temas já conhecidos está “The Road Less Traveled”, desenvolvido a partir de demos trocadas entre os músicos nos anos que antecederam a morte de Cornell. Outras faixas incluem “Orphans”, “Ahead Of The Dog” e “Stone Age Mind”.

A produção está a cargo de Terry Date, figura-chave nos álbuns mais icónicos da banda. O seu regresso tem sido visto como essencial para preservar a identidade sonora dos Soundgarden, com Thayil a destacar a abordagem colaborativa do produtor.

O desenvolvimento do álbum foi atrasado por disputas legais entre a banda e a família de Chris Cornell, resolvidas apenas em 2023. O acordo permitiu desbloquear o acesso às gravações e retomar o trabalho, ainda que com o peso inevitável do tempo perdido.

O avanço surge também num momento simbólico: em 2025, os Soundgarden foram introduzidos no Rock and Roll Hall of Fame, reforçando o impacto duradouro da banda na história da música.

Entre memória, legado e reinvenção, este último álbum perfila-se como uma despedida cuidadosamente construída — e possivelmente um dos lançamentos mais emocionais da história recente do rock.

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