Soulfly no Lisboa ao Vivo a união da tribo

Em 1997 no estado norte-americano do Arizona nasciam os Soulfly. A banda, formada após a saída de Max Cavalera dos Sepultura, no ano anterior, apresentou-se em Portugal para dois concertos, no Porto e em Lisboa. Foi neste segundo que os fomos ver.

Tendo sido anunciado de uma forma quase repentina, a verdade é que o concerto se apresentou como praticamente cheio numa sala que mostrou estar perfeitamente à altura da ocasião.

Há três expressões que definem bem o que se passou no Lisboa ao Vivo: moshes, circle pits e crowds surfing, o que falando nós de um concerto de metal significa enorme sucesso.

De facto, assim foi. O regressos de Max Cavalera e seus companheiros a Lisboa foi um tremendo sucesso pontuado por um público que aderiu de uma forma incrível à energia que brotava de cima do palco.

Quando o público está feliz, os músicos também o estão e isso percebeu-se bem nesta noite que teve inicio com “The Summoning” e que continuou muito assente em “Ritual”, o último álbum de originais lançado em 2018, mas que a ele não ficou limitada.

Compostos por Max Cavalera nos vocais, guitarra base, sitar e berimbau, o seu filho Zyon Cavalera na bateria, Marc Rizzo na guitarra solo e guitarra flamenca, e Mike Leon no baixo e backing vocals, os Soulfly mostraram uma pujança incrível ao percorrerem alguns dos pontos altos da sua já longa e bastante extensa discografia composta no total por 11 álbuns.

De Soulfly, o álbum homónimo lançado em 1998, fizeram parte do alinhamento “Fire”, “No Hope = No Fear” e “Bleed”. Os três temas foram extremamente bem recebidos, sobretudo por aqueles que acompanham a banda desde o seu nascimento, tendo sido “Bleed” bastante celebrada.

«Abre a roda, abre a roda», dizia Max, num apelo constante à saudável loucura que faz dos concertos de metal um momento de pura catarse, onde todos se entregam de igual para igual numa comunhão de energia abençoada pela música. Na verdade, poucos géneros musicais conseguem atingir este grau de comunhão e de entrega entre o seu público. Apresentando-se como uma tribo, “a malta do metal” é ímpar e consegue entregar uma dedicação fabulosa aos seus músicos a qual retribuem com concertos espantosos, como este.

«Zumbi é o senhor da guerra, Zumbi é o senhor das demanda», grita a plateia quando Max surge a tocar o berimbau como introdução a “Tribe”, música repescada igualmente do primeiro registo de originais da banda.

“Dead Behind The Eyes”, do registo de 2018 “Ritual” veio acompanhado de um pedido de Max, «vamos quebrar essa porra!», prontamente atendido pelo público fiel que num rasgo de energia quase ganhou asas numa roda brutal.

A abrir o encore “Rise Of The Fallen”, do registos de 2010, “Omen”, seguido de “Back To The Primitive”, do álbum “Primitive” lançado em 2000, e “No” do registo de 1998.

Terminado o encore ninguém se mexeu um milímetro. Todos queriam mais. A adrenalina ainda estava em alta, era preciso mais para fazer baixar os níveis, para fazer aterrar os fãs. O regresso da banda a palco acontece pela mão e voz de uma criança (neto de Max?) que anuncia “You Suffer” dos Napalm Death.

O fim estava para breve, mas houve ainda tempo para “Jumpdafuckup”, de 2000, precedido pelo pedido do vocalista para que todos se baixassem de modo a depois saltarem numa clara vontade de conquistar o mundo, de afirmar a todos “eu estou aqui, eu conto”. O terminus definitivo chegaria com “Eye For An Eye”, de 1998.

Celebração de uma banda que deixa marcas, o concerto dos Soulfly em Lisboa não foi apenas mais um concerto dos tantos que temos visto ultimamente. Este foi um momento de união da tribo em redor de um homem que desde há várias décadas lhes dedica músicas que fazem já parte das suas vidas. Puro êxtase num reencontro desejado por todos. Que venham mais assim, a alma metaleira precisa!


Oriundos de Coimbra, os Destroyers Of All encontraram uma sala bem composta e perfeitamente receptiva a os ouvir. Isso percebeu-se pelos apalusos com que foram recebidos e que se foram mantendo ao longo de toda a sua actuação. “The Vile Manifesto” o seu trabalho mais recente foi um dos pilares de um alinhamento que teve início com “Tohu Wa-Bohu”.

De cima do palco, João Mateus foi imparável na forma como puxou pelos fãs e pelos companheiros que não se fizeram rogados juntando-se a ele numa actuação impecável. “Into The Fire” do EP de 2013, surgiu para gáudio de muitos, seguindo-se várias músicas de “Bleak Fragments”, o primeiro registo discográfico da banda.

“Destination Unknown”, “Hate Through Violence” ou “Tormento” fizeram parte da noite em que os Destroyers Of All abriram para Soulfly, a qual certamente jamais vão esquecer, como fizeram questão de verbalizar.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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