Sétima Legião no Coliseu de Lisboa

Quando foi anunciado o regresso aos palcos dos Sétima Legião a emoção foi grande, pois seria uma ocasião única para voltar a estar “frente-a-frente” com uma banda que nos acompanhou anos a fio e que tanto representou na nossa evolução musical.

Chegada a data marcada a emoção era ainda maior, pois aqui revelamos que estávamos a voltar ao passado, a um passado com mais de duas décadas e àquela noite em que entusiasmados nos dirigimos para o já desaparecido Dramático de Cascais, onde nos esperava Lloyde Cole com os seus Commotions e os nossos Sétima Legião. Noite memorável aquela que para sempre seria recordada como o nosso primeiro concerto!

Jovens, muito jovens, os que estavam no público mas também os que estavam em cima do palco…no passado dia 04 de maio, apesar de já não tão jovens, nem uns nem outros, a comoção era muita e, se não igual, muito semelhante, pois o passar dos anos não apagou o nosso gosto pelos Sétima, nem o amor deles pelo seu público fiel.

Eramos muitos, eramos um Coliseu de Lisboa cheio. A emoção era latente, a vontade de cantar aquelas músicas que todos conhecíamos estava ali, o desejo de um qualquer regresso ao passado era inegável. Introduzidos por “O Baile das Sete Partidas” os Sétima legião entraram em palco na formação original, Pedro Oliveira (voz e guitarra), Rodrigo Leão (baixo e teclas), Nuno Cruz (bateria, percussão), Gabriel Gomes (acordeão), Paulo Marinho (gaita de foles, flautas), Ricardo Camacho (teclas), Paulo Abelho (percussão, samplers) e Francisco Menezes (teclas, coros).

Duas décadas e meia depois, a única diferença eram mesmo os cabelos esbranquiçados, rapidamente ignorados assim que se ouviram os acordes de “Noutro Lugar”, onde se percebeu que o tempo foi gentil para a voz de Pedro Oliveira, seguido de “Sem Ter Quem Amar”. A noite de reencontros continuou com “Mil Maneiras de Amar” e “Porto Santo”, mas teve o seu primeiro ponto alto com “Sete Mares”, canção que se mostrou intemporal, verdadeiro hino que todos cantámos a plenos pulmões e dançamos sem apelo nem agravo numa comunhão emocionada.

A cumplicidade entre os membros da banda presente-se nos olhares trocados entre Pedro e Rodrigo Leão, na voz de Camacho, no sorriso de Francisco Menezes e na alegria e energia de Paulo Abelho que, semelhante a um diabrete, percorreu o palco vezes sem conta de bombo em punho. “A Reconquista” foi tocada com um grupo de percussão, depois foi a vez de “Além-Tejo” ao qual se seguiu outro dos momentos altos do concerto, quando se ouviu em uníssono e todos de pé “Por Quem Não Esqueci”. No final Pedro relembrou “já lá vai muito tempo, quase trinta anos…”, mas não parece, confirmamos nós!

Depois de um agradecimento a quem acompanha a banda no som e nas luzes, foi a vez de “O Canto e o Gelo”. Nos encores, três no total, foi a vez de ouvirmos “Porta do Sol”, além do maravilhoso “Glória”, primeiro single da banda, que Ricardo Camacho dedicou a António Sérgio, o grande senhor da rádio que na década de 80 desempenhou um papel essencial na divulgação da música em Portugal. Foi bonito o gesto, foi muito bonita a resposta do público que aplaudiu um dos grandes nomes da nossa rádio.

Há quem diga que as repetições de  “Sete Mares”, “Noutro Lugar” e “Por Quem Não Esqueci” foram desnecessárias…nós afirmamos que não, quem lá estava pediu e foram mais do que simples encores, foram os últimos momentos de comunhão de uma banda com o seu público, e isso foi bonito de ver e de viver.

À saída praticamente todos os rostos traziam um sorriso estampado e nos olhos um brilho muito especial…mais do que um concerto, aquela hora e meia foi de pura comunhão e reencontro onde se dançou, cantou, sorriu e (lá teremos que confessar) chorou…pois em noites assim todas as emoções são permitidas!
Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro
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