Scott Matthew no Cinema São Jorge

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Muita coisa mudou desde que há três anos chegou ao Frágil para dar um concerto arrebatador. Característica que, sabemos hoje, assinala todas as suas prestações ao vivo. Falamos de Scott Matthew o australiano que se apaixonou por Lisboa.

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Chegou à capital portuguesa pelas mãos de Rodrigo Leão, que o convidou para uma participação no disco “Montanha Mágica”. De lá para cá tem sido uma história de amor aquela que se tem cimentado entre Scott e, primeiro, Lisboa, e agora Portugal. «Estou a rebentar de felicidade por estar aqui», afirma ao entrar na sala do Cinema São Jorge onde uma mão cheia de fãs o aguardavam. Desta vez o pretexto para regressar, se é que é necessário algum, foi o recente lançamento do registo discográfico “This Here Defeat”, álbum que gravado em Lisboa é mais um testemunho da união de puro encantamento estabelecida entre o cantor e a capital portuguesa. «Acho que a cidade entrou no disco e já faz parte dele, da sua sonoridade», afirma Scott, agradecendo muito por estar de volta.

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Grande parte do alinhamento esteve alocado ao mais recente álbum do cantor, mas houve ainda tempo e disposição para algumas covers, fizessem ou não parte do disco a elas dedicadas lançado em 2013 e que na altura foi objeto de apresentação num memorável concerto no CCB (https://lookmag.pt/blog/scott-mattew-ccb/). A noite correu entre músicas dedicadas ao avô recentemente falecido, «um homem adorável», como nos revela Scott, outras subordinadas ao tema do amor, ou falta dele, como nos recorda quando diz, sorridente, «não estou apaixonado, mas alguma coisa pode acontecer hoje».

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A guitarra vermelha que lhe conhecemos desde o primeiro concerto no Frágil muda constantemente de mãos para ser dedilhada ora por Scott ora por Jürgen Stark, o que leva o músico a falar em jeito de brincadeira «esta guitarra é uma atrevida, gosta de ser tocada por vários homens…mas não gostamos todos?», numa clara referência à sua homossexualidade.

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“Ruined Heart” e “Skyline” arrancam palmas da plateia o que provoca um «muito obrigada» acompanhado de uma vénia por parte de Scott. «Assim que passamos a fronteira começo logo a cantar melhor», desvenda Scott de sorriso estampado no rosto, ao que alguém do público responde, «é do vinho português», o que provoca uma gargalhada geral, a de Scott incluída. «Agora a sério», diz ele, «é aqui que me sinto livre», pegando na garrafa de plástico que em vez de água continha vinho.

Das covers interpretadas não faltaram a já conhecida de “I Wanna Dance With Somebody”, de Whitney Houston, ” Anarchy in the U.K.” dos Sex Pistols, “Everything happens to me” de Chet Faker e «Darklands” dos Jesus and Mary Chain.

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Scott escreve com a mesma intensidade que vive. Alma perdida entre amores e a falta deles, o australiano que ao cantar transporta uma tristeza latente, é na realidade um homem feliz e de bem com a sua pele. As canções usa-as para espantar demónios e demais sentimentos negros sendo que através delas expia os seus próprios fracassos.

Na sua voz as palavras ganham asas. Asas grandes, largas e seguras que nos levam até instantes de fuga onde nada mais importa, só nós e a música. De regresso a terra, ou como quem diz ao Cinema São Jorge, é hora de acabar. Palmas, muitas palmas sempre acompanhadas por muitos sorrisos servem de natural pretexto ao regresso de Scott e seus companheiros.

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Composto por três músicas, o encore arranca com a interpretação de “Annie’s Song”, um original de John Denver, classificada por Scott como «a minha canção preferida», seguida de “Abandoned”, do registo homónimo lançado em 2008, e finaliza com “In to My Arms” de Nick Cave. Sem vontade de sair de palco, «parece qua ainda agora chegámos», Scott despede-se convidando «todos para tomar um gin no simpático bar aqui ao lado, mas em copo de vidro», numa divertida alusão à garrafa de plástico com vinho que o acompanhou em palco.

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Já todos de pé, palco vazio de músicos e de sons, luzes acesas indicando o fim, e Scott regressa fazendo com que mais palmas se ouvissem. De repente, pega na guitarra, senta-se no banco e começa a dedilhar as cordas como só ele sabe… tranquilo, calmo olha-nos nos olhos e canta com a sua voz envolvente “In The End”. Agora sim, estava cumprida a promessa de um regresso memorável. Da galeria das vezes que nos cruzámos com ele, esta será mais uma que não vamos esquecer e que nos vai fazer voltar a repetir que Scott Matthew é um dos melhores “cantautores” do nosso tempo. De copo de gin na mão, dizemos «cheers Scott, hope to see you again real soon!»

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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