SBSR 2016 Dia III O reino do hip hop com Kendrick Lamar

Não sendo a sua música base, a verdade é que o hip hop foi rei e senhor do terceiro e último dia do Super Bock Super Rock 2016, com Kendrick Lamar a ditar as regras.

Slow J > Kelela

Depois de ter passado pelo Sumol Summer Fest , Slow J marcou presença no Palco Antena 3 do Super Bock Super Rock. Como habitualmente acompanhado por Fred e Francis Dale, o rapper e produtor apresentou temas do álbum “The Art of Slowing Down” mas não esqueceu o EP de estreia “The Free Food Tape”.

Kelela fechou a sua digressão em Lisboa. «Se não gostam de baladas então não gostam de R&B e se não gostam de R&B não estão comigo» afirma artista antes de dar ao público 50 minutos do mais eletrizante R&B. De voz cheia de sentimentos, traz muito amor para dar em forma de música que partilhou em 2015 através do EP “Hallucinogen”. «Para quem não faz a mínima ideia de quem eu sou, o meu nome é Kelela e, basicamente, estou aqui para cantar umas canções», como “Floor Show”, retirada de “Cut 4 Me”, o seu primeiro LP, ou “A Message”.

FIDLAR > Orelha Negra

De guitarras em punho foram os californianos FIDLAR que nos tiraram literalmente do sério. Bomba em potência, apresentaram-se com uma pujança incrível perante um público que se mostrou conhecedor das suas canções. FIDLAR são as iniciais para Fuck It Dog, Life’s a Risk lema que vão seguindo à letra e que trouxeram a um dia do festival cheio de outros que não estes ritmos. São dois os discos já editados, o homónimo de 2013 e “Too” de 2015, e foi deles que saiu um alinhamento que nos fez transpirar e dançar e transpirar e dançar mais e do qual nomeamos apenas “Cheap Beer”, “Drone” e “40oz. On Repeat”. Esta é uma das nossas apostas para um regresso em breve.

Um dos melhores projetos do género criados em Portugal, os Orelha Negra inundaram o MEO Arena com o seu som único dono de uma tremenda qualidade. Casa bastante composta, do alinhamento fizeram parte passagens por músicas de Mind da Gap e Drake, e do lado de cá ninguém se fez rogado e a dança ganhou a tarde.

Salto > De La Soul

No Palco Antena 3 era altura de atuarem os Salto que ali souberam trazer um pouco daquilo que sabem fazer primeiro com um muito rock à mistura e no final com um toque de eletrónica.

MEO Arena cada vez mais cheio pois a hora do grande concerto deste dia estava a aproximar-se e chegavam a palco os De La Soul. Nada que nos fizesse por lá ficar muito tempo pois os tempos mortos entre cada música estavam a ser tantos que outros concertos pediam a nossa atenção.

Moullinex > GNR

Moullinex trouxe ao Palco Antena 3 uma revisitação à obra de Prince, contando com a ajuda de, por exemplo, Samuel Úria. Com o calor que se fazia sentir, ali tudo ganhou um encanto muito especial e foi uma bonita homenagem à música de artista recentemente desaparecido.

De regresso ao Palco EDP, era hora de ver os GNR a dar vida e alma a “Psicopátria”, disco emblemático da banda do Porto que conta com mais de três décadas de vida. O alinhamento seguiu o próprio disco havendo ainda tempo para “Video Maria”, de 1990, “Las vegas”, de 1994, e “Cadeira Elétrica”, de 2014.

Kendrick Lamar

Não cabia mais ninguém no MEO Arena. Cá em baixo, à beira do palco mal se conseguia respirar tal a quantidade de fãs que ali se juntavam para ver Kendrick Lamar. “Look both ways before you cross my mind” era a frase de George Clinton que por detrás do rapper o iria acompanhar todo o concerto, assim como a banda de suporte que lhe serviria de base a mandar cá para fora um universo de hip hop pontuado aqui e ali com soul, jazz e R&B. “Backseat Freestyle” dá o pontapé de saída a um concerto que se desenrolou a um ritmo alucinante e onde pontuaram temas como “Good kid”, “m.A.A.d city”, “Bitch, Don’t Kill My Vibe”, “Swimming Pools” e “To Pimp a Butterfly”. Quase no final “King Kunta”, ” Institutionalized” e “Hood Politcs” para um encore tremendo de entrega com “Alright”.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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