SBSR 2016 Dia I The National a aquecer corações

Pelo segundo ano, o rock instalou-se na cidade. Recinto aumentado e cartaz com um pouco de tudo para todos os gostos, a 22.ª edição do Super Bock Super Rock prometia qualidade. Promessa cumprida foram três dias de festa.

Surma > Lucius

Chegou de Leiria para abrir as hostilidades artísticas do palco EDP nesta 22.ª edição do Super Bock Super Rock. Débora Umbelino aka Surma, chega de mansinho para ir conquistando o público que se protegia do sol à sombra da pala do Pavilhão de Portugal. Acompanhada da harpa de Carolina Caramujo, Surma apresenta um conjunto de temas que vão cativando a nossa atenção. Minimalista nas composições, demonstra uma candura no baloiçar das notas que não deixa ninguém indiferente.

Quinteto oriundo de Nova Iorque e Los Angeles, Lucius foi o nome que se seguiu no alinhamento do dia. Algo morno, as meninas siamesas trouxeram composições pop que foram dando animo para as emoções que a noite ainda reservava.

Benjamim > Villagers

Luís Nunes, ou melhor, Benjamim levou-nos até ao palco Antena 3. Assente num universo de saudável nostalgia, a sua música faz-nos bem. Com ela recordamos pessoas e momentos que fizeram dos anos 70 e 80 décadas felizes. Há uma mensagem boa nas composições que integram o seu mais recente registo discográfico, “Auto rádio”, onde dá vida a personagens que tendo ou não vida real, nelas habitam como seus legítimos inquilinos. Foi bonita a festa, pá!

Depois de terem passado pelo palco do São Jorge no último inverno, os Villagers regressaram a solo lisboeta para encantar mais umas quantas almas incautas que não os conheciam. Há toda uma boa energia que emana da música destes irlandeses simpáticos e que inunda o fim de tarde. Conor O’Brien, vocalista e mentor do projeto, segura a atenção do público que em “Courage” de imediato percebe estar perante um dos melhores concertos do dia.
Um saltinho ao MEO Arena para espreitar The Temper Trap e perceber que os autores de “Sweet Disposition” estavam felizes por tocar numa sala como esta e por Portugal ter ganho o Campeonato Europeu de Futebol. Muito bem, siga!

Kurt Vile > The National

Neste terceiro regresso a solo português, Kurt Vile foi tudo o que reconhecemos das vezes anteriores. Competente no alinhamento que apresenta, vai abanando a longa cabeleira que lhe esconde o rosto. Lá de baixo sai uma voz que nos lembra Dylan e que canta versos aos quais o público adere, entoando em conjunto os refrões. Mantendo uma aura de timidez que lhe assenta muito bem, a verdade é que Kurt mostra já um maior à vontade que cativa. Mas nada de exageros!

Cabeça de cartaz da primeira noite desta edição do Super Bock Super Rock, os norte-americanos The National não se fizeram rogados e inundaram literalmente o MEO Arena de uma forte emoção. Há algo neles que nos faz sempre voltar, o que nem sempre é fácil sendo este o seu 13.º concerto em solo luso. Há algo de reconfortante nos concertos deles. Nas suas letras encontramos sempre a palavra que precisamos e que nos faz sentir bem, apesar de tristes por vezes. «We missed you», afirma Matt Berninger demonstrando que o sentimento forte que nos une aos The National também os une a nós, seu público fiel. Um alinhamento bonito com “Please, Please, Please, Let Me Get What I Want” dos The Smiths a abrir, foi o que trouxeram ao Super Bock Super Rock. Destaques há muitos, mas “High Violet”, “Terrible Love”, “Afraid of Everyone”, “England” ou “Vanderlyle Crybaby Geeks” não deixam de pontuar como dos melhores. No palco Matt canta com uma entrega extrema, como sempre. Há nele ares de um velho amigo que gostamos tanto de rever. Ao nosso lado um jovem fã não escondia a emoção nem as lágrimas que tranquilamente lhe iam caindo rotos abaixo. Se isto não é amor não sei o que será.

Disclosure

Depois da melancolia dos The National altura para a alegria dos Disclosure. A dupla trouxe a sua house music até um público ávido por festa. Ultrapassados os problemas técnicos que impediram um início normal de concerto, foi “um ver se te avias” com um alinhamento cheio de dança, efeitos visuais e muita alegria.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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