Rodrigo Leão e Scott Matthew no Coliseu de Lisboa

No âmbito da edição 2016 do Misty Fest, o concerto de apresentação do primeiro trabalho conjunto de Rodrigo Leão e Scott Matthew aconteceu no Coliseu de Lisboa.

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Noite temperada de um início de novembro atípico no que a temperaturas atmosféricas diz respeito, levou muitos a um Coliseu bastante composto no que a público diz respeito. O motivo não podia ser o melhor, pois iríamos ter o verdadeiro privilegio de assistir a um momento de pura magia e comunhão musical entre dois artistas que admiramos.

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«Obrigado Lisboa! Estou super feliz por estar aqui outra vez, especialmente por estar a tocar com estes músicos», revela, algo emocionado, Scott Mattthew, o músico australiano que nos habituámos a adorar desde a primeira vez que com ele nos cruzámos na discoteca Frágil ali para os lados do Bairro Alto já lá vai um bom par de anos. «O motivo pelo qual estamos aqui hoje é para vos dar a conhecer o álbum que lançámos há algumas semanas e do qual vamos tocar umas quantas músicas», afirma Scott em jeito de introdução a “Life Is Long”, o primeiro registo discográfico concebido a meias com Rodrigo Leão. O alinhamento da noite revelou-se verdadeiramente luxuoso, entre músicas de um e do outro, e de ambos.

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«Não sou conhecido por escrever canções felizes, mas esta é uma música muito feliz porque fala sobre estarmos apaixonados e quem é que não gosta disso?», afirma Scott na introdução a “The Follen”. Por entre agradecimentos e palmas, a noite foi escorrendo por entre as estrelas, da mesma forma que as canções desfilavam numa luxuosa parada de sons e harmonias. A voz de Scott faz-nos voar e atravessar oceanos. As emoções tomam conta dos corações dos que nesta noite mágica se encontravam no Coliseu da capital.

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«Obrigado a todos por estarem aqui», agradece Rodrigo Leão, «esta é uma noite muito especial para nós, aqui estão muitos dos nossos amigos e pela primeira vez tenho no público a minha família quase toda», revela emocionado. A embalar os sonhos, a conjugação das notas que brotam do palco e que se passeiam pela sala de espectáculos lisboeta, tais querubins traquinas que nos obrigam a sorrir perante a possibilidade, certa, de nos apaixonarmos pelo que está a acontecer. No fundo, está é mais uma página na história de amor entre estes músicos ímpares e o seu público fiel.

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Depois de um trio de composições instrumentais, Scott regressa ao palco. Alguém assobia em tom algo brejeiro. Ele olha e ri-se. Simpático e bem disposto como sempre o vemos. “The End” é muito provavelmente uma das mais belas melodias que alguma vez ouvimos. Ali, a meio do alinhamento apresenta-se como um pedaço de algodão doce que a cada nota nos afaga o espírito.

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«Não acredito que já foi há 5 anos que iniciámos a nossa colaboração», afirma Scott revelando que a próxima canção «foi a segunda que compusemos em conjunto e foi, de alguma forma, catalisadora do trabalho que viemos a desenvolver nos anos seguintes e começa sorrateiramente assim…», introdução perfeita para “Incomplete”. Tal como o nome da música, há cinco anos também a relação entre Scott e Rodrigo se revelava incompleta, o que não significa que agora esteja terminada, mas está certamente mais completa. “We love you, Scott” grita alguém da plateia, ao que o músico responde «and i love you» de sorriso rasgado no rosto. «Não é por estar aqui, mas Portugal tem sido tão bom para mim», afirma, «adoro-vos», revela perante um público embevecido e rendido a tanta simplicidade e humidade.

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Seguiram-se dois temas retirados do álbum de covers lançado por Scott há um par de anos, primeiro “Smile”, um tema original de Charlie Chaplin e depois “I Wanna Dance With Somebody”, de Witney Houston, este acompanhado pelo público em palmas e em palavras, pois, a pedido do cantor, o refrão foi cantado por todos.

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A magia continou, agora sob a forma instrumental com os, imediatamente reconheciveis, temas de Rodrigo Leão “A Estrada” e “Aviões de Papel”. Regressado ao palco para a reta final do concerto, Scott revela que «esta foi a primeira música que fiz em conjunto com o Rodrigo», referindo-se a “Terrible Dawn” música apresentada há uns anos num memorável concerto no Centro Cultural de Belém.

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Há momentos perfeitos que se vivem uma vez. Este foi certamente um deles. A harmonia que nasce das mãos talentosas destes sete músicos mostra que a vida é bela e que mais bela fica quando o ser humano se presta a criar obras de arte, desta feita sob a forma de canções maravilhosamente cativantes e emotivas. A Scott coube a tarefa de ser a cereja no topo do bolo e, com a sua voz única, dar o toque final na obra perfeita.

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Com “Life is Long” chegamos ao fim do concerto. Apoteótico, intenso. Ninguém quer ir embora. Regressam os músicos para um encore de duas músicas. Fecha-se a porta com “That’s Life”. Perfeita e memorável, uma noite para recordar com saudade.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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