Rod Stewart na Altice Arena duas horas de alegria e muita nostalgia

São já cinco décadas de uma carreira iniciada nos anos 60. Começou por participar em bandas como Jeff Beck Group e The Faces, mas foi a solo que ganhou fama mundial. Falamos de Roderick David Stewart, ou, como todos o conhecemos, Rod Stewart.

Altice Arena cheia para, numa segunda-feira de Junho, receber umas das vozes roucas mais famosas do universo. Ainda antes de subir o pano, uma voz off informa em inglês que ao visitar o Estádio Nacional, Sir Rod Stewart magoou o joelho, pelo que não estaria a 100 por cento da forma mas daria o seu melhor. O que aconteceu foi simples: como fã dos Celtic, o maior clube de futebol escocês, antes do concerto, Rod Stewart deslocou-se em romaria ao Estádio Nacional. Foi ali que os Celtic venceram a sua única Taça dos Clubes Campeões Europeus, frente ao Inter, em 1967. Reza a tradição que os adeptos escoceses, gostam de subir as escadas que levam até à tribuna, imitando o capitão que levantou a Taça. Pois foi precisamente ali que o cantor escorregou e se magoou no joelho.

A informação deixou alguns preocupados, mas outros nem tanto, «desde que cante, até pode estar deitado», ouviu-se dizer ao nosso lado. Pois não foi de todo preciso chegar a tanto, pois mal entrou em palco, Rod Stewart explicou que não estaria tão activo como de costume mas que a voz estava impecável pelo estas «vão ser duas horas animadas com 23 grandes canções».

E foram mesmo!

Sob o pretexto de vir a Portugal promover o novo disco “Blood Bed Roses”, o concerto foi muito mais longe, até à década de 70 passando pelas seguintes através de uma viagem musical que trouxe à Altice, além de muita alegria, uma tremenda dose de nostalgia. Em palco surge acompanhado do
teclista Chuck Kentis, do saxofonista Jimmy Roberts e do guitarrista solo Emerson Swinford.

Tendo como cenário um enorme ecrã onde iam sendo passadas imagens do concerto, o músico foi percorrendo alguns dos mais conhecidos temas da sua carreira, como “Forever Young” ou “Tonight I’m Yours”.

Sentado ou de pé, animação não faltou ao músico que a 11 de Outubro de 2016 recebeu do príncipe Williamo, no Palácio Buckingham, o título de sir, em reconhecimento pela sua contribuição para uma série de obras de caridade.

Sem nunca dar sinais de cansaço, Rod mudou de roupa duas vezes deixando o palco muito bem entregue às bailarinas e às músicas (Julia Thornton, Caissie Levy e J’Anna Jacoby) que o acompanharam durante a actuação.

“I Don’t Want To talk About It” quase fazia cair a Altice Arena, relembre aqui. Entre o músico e o público esta foi uma canção cantada a plenos pulmões por muitos que certamente ao som dela dançaram numa qualquer festa de garagem nos idos anos 80… ai que saudades. Saudades foi também o que nos inundou o coração ao som de “Sailing”, aqui.

De todo o alinhamento foram muitos os momentos que guardamos na memória, mas há dois que temos de referir, como “I’d Rather Go Blind”, originalmente gravado por Etta James, e “Dirty Old Town” que tão bem conhecemos na interpretação dos The Pogues.

Na verdade, ninguém parou um segundo, nem ele, que de cima do palco deu provas de uma tremenda vitalidade lembrando que o rock and roll é isto mesmo, e que nem um joelho magoado o pode parar.

“You’re In My Heart”, a canção de amor que escreveu para o seu clube do seu coração e que é cantada no Celtic Park surge acompanhada nos ecrãs de imagens alusivas ao facto de a equipa ter conseguido este ano ganhar todos os troféus internos em três anos seguidos. Segui-se a interpretação imaculada do original de Van Morrison, “Have I Told You Lately”.

Depois de ter trocado de roupa canta “Baby Jane” seguida de “Da Ya Think I’m Sexy?” com um mar de balões coloridos a cair sobre a plateia.

Quase a terminar o concerto, tempo ainda para “Young Turks” e “Maggie May” com um Altice super emocionado pois não há uma música de Rod Stewart que não remeta para algum momento do nosso crescimento.

Entre algumas lágrimas que vimos cair de alguns rostos ao nosso lado, até abraços e beijos trocados por casais de meia idade que ali, certamente, relembraram tempos felizes, este foi um concerto pleno de emoções. E que bonito é isso. Pois nada há de mais belo do que envelhecer percebendo que se viveram momentos felizes os quais agora sabe tão bem recordar. Obrigada sir Rod, por uma noite única que tão depressa não vamos esquecer. E obrigada por ter escrito algumas das canções que serviram de banda sonora a instantes memoráveis da nossa adolescência.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Everything Is New

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