Richard Hawley em Lisboa

Richard Hawley > Smoke Fairies

Quando se gosta muito de uma pessoa o tempo que com ela passamos parece sempre pouco, não concordam? Independentemente dos fatores que ditam as afinidades entre as pessoas, a verdade é que a despedida é sempre difícil…Pois, foi isto tudo que sentimos ontem quando perto da meia noite nos despedimos de Richard Hawley depois de um concerto impecável no TMN ao Vivo.

O encontro estava marcado no espaço à beira rio desde há uns meses e a ele compareceram verdadeiros fãs do cantor britânico que, tal como nós, quase não pestanejaram durante as cerca de duas horas em que ele compareceu em cima do palco.

O pretexto da vinda a Lisboa foi o novo registo de originais, Standing at the Sky’s Edge, lançado no mercado em maio último. Este que é o sétimo trabalho a solo do músico e cantor que nos anos 90 integrou a banda Longpigs e que depois do terminus da mesma, cerca de 2000, se juntou durante um curto período de tempo aos Pulp (do amigo Jarvis Cocker), tem recebido os maiores elogios por parte da critica, mas mais importante, por parte do público que nele reconhece a qualidade que Hawley nos habituou em registos anteriores.

Richard Hawley surge em palco vestido de negro, blusão de cabedal e gel no cabelo fazendo lembrar a década de 50 e os rockabilly de então. Com um “Hi, hello. Ok, Let’s begin” deu início ao concerto o qual começou com “Standing at the Sky’s Edge”, a faixa que dá nome ao álbum. Anunciado na única rádio onde ouvimos a divulgação do concerto como o cronner dos tempos modernos, tínhamos elevadas espectativas relativamente à sua prestação ao vivo, pois em disco o som de Hawley é irrepreensível.

A verdade é que se as colocámos, às espectativas, lá em cima, Hawley conseguiu superá-las por larga margem, pois à voz impecável, simultaneamente forte e muito doce, juntou-se uma execução musical fora de série, com cada uma das músicas interpretadas de uma forma, como dizer, imaculada. Ao nosso lado alguém nos disse “parece que estamos a ouvir o disco”, nem mais, tal a qualidade dos músicos e do som que inundava por completo a sala.

No alinhamento seguiu-se “Don’t Stare at The Sun” do último trabalho, logo seguido de
“Hotel Room”, música do quarto registo de Richard Hawley, Coles Corner, de 2005.
“A música que se segue escrevi-a faz muito tempo e apareceu nos Simpsons”, contou Hawley referindo-se a “Tonight The Streets Are Ours”, música que integra Lady’s Bridge, quinto álbum datado de 2007. Antes ainda de a interpretar, Richard Hawley referiu-se aos políticos “aqueles que nos deixaram às portas do inferno. Vocês sabem o que quero dizer”, tendo sido a primeira referência das várias que foi fazendo durante a noite à situação politica e económica pela qual Portugal e a Europa estão a passar.

Com “Seek It”, regressamos a Standing at the Sky’s Edge, tendo sido este o terceiro single extraído do álbum. Tal como Hawley viria a referir algures durante o concerto, “apesar de nos bilhetes que vocês têm vir apenas o meu nome a verdade é que somos a banda” e que banda, diríamos nós. Uma referência aos dois jovens que também em palco iam afinando as muitas, acreditem quando falamos muitas, guitarras que tanto Hawley utilizou no concerto, digamos que foi quase uma para cada música.

“A próxima é uma silence music”, referiu o cantor, “por isso era ótimo se estivessem calados”, pediu antes de cantar “Soldier On”. Seguiram-se “Leave Your Body”, “Before”, “Open Up Your Door” e “Remorse Code”. Com “Woods”, Richard Hawley daria por terminado o concerto de quase duas horas.

Para o encore estavam reservadas mais duas músicas “Lady Solitude”, do Lady’s Bridge de 2007, e a muito solicitada pelo público, “The Ocean”, do registo de 2005, Coles Corner. De referir que na primeira parte atuaram as Smoke Fairies, um duo feminino oriundo de Londres.

Texto: Sandra Pinto
Fotografia: Luís Pissarro
Artigo disponível (sem necessidade de Adobe Flash Player) em: http://look-mag.com/2012/10/26/richard-hawley-em-lisboa/

You May Also Like

Roger Andersson (Suicide Records) about “In In the Loving Memory of You”: “The most important message is this: you are not alone!”

REDIVIDER: “The musical ideas and technique follow a strict framework to project dark and aggressive themes in music”

Octavian Winters: “We’re all listening and reacting to each other and as the song starts to evolve, the result is something special”

Anti-Sapien: “Most of the music just kind of flows out without alot of effort initially, then we refine it bit by bit”

error: Conteúdo protegido. Partilhe e divulgue o link com o crédito @lookmag.pt