Reverence Festival Valada, magia na terra das serpentes

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Festivais há muitos mas nenhum como este. Esta foi a certeza com que regressámos a casa depois de dois dias de muita música, bom ambiente e muita adrenalina musical. Quando foi anunciada a sua realização desconfiámos que pudesse efetivamente ser um evento diferente, mas a verdade é que o Reverence Festival Valada ultrapassou e muito as nossas melhores expectativas.

Ringo Deathstarr > Woods > The Wytches

Sexta-feira era dia de rumar a Valada, pequena localidade situada à beira do rio Tejo e vizinha do Cartaxo. As previsões meteorológicas anunciavam chuva pelo que as galochas fizeram parte da indumentária escolhida. Mas, São Pedro foi simpático e aquela que suponhamos ter todas as hipóteses de vir a ser a versão portuguesa de Woodstock, com psicadelismo e lama, não aconteceu.

A nossa maratona musical começou com Ringo Deathstarr, banda que atuou no palco Rio e de cujo concerto só tivemos um vislumbre. Seguiram-se os Woods que deixaram todos com um travo de felicidade espalhado no rosto. Vieram de Brooklyn, onde nasceram em 2005 e com eles trouxeram a melodia e a sensibilidade de um conjunto de canções que tocadas ao vivo adquirem uma dimensão ainda mais bela. Instalado no campo de futebol, no palco Reverence o primeiro dia teve início com uma das bandas que a nós mais nos preenche. Vindos de Inglaterra, os Wytches deram um concerto que a nós só pecou por ser demasiado curto…de resto, gostámos e muito do que ouvimos. À voz e guitarra de Kristian Bell, juntam-se a bateria de Gianni Honey e o baixo de Daniel Rumsey. Com o alinhamento assente em “Annabel Dream Reader”, lançado no passado mês de agosto, o trio nascido em 2011 prestou provas e passou no exame. Que voltem em nome próprio que nós cá estaremos para os voltar a aplaudir.

Red Fang > Electric Wizard

Depois dos britânicos The Wytches, foi a vez dos norte-americanos Red Fang encherem de riffs e guitarradas o estádio de futebol de Valada. O resultado não podia ser outro: headbang comunitário, corpos em transe e um romântico crowdsurfing rumo aos braços dos seguranças. Aaron Beam, John Sherman, Brian Gyles e David Sullivan traziam como missão dar a conhecer à beira Tejo o álbum “Whales and Leeches”, sem esquecerem que “Murder the Mountains”, o seu segundo registo de originais é algo de muito querido para os fãs. «Nós somos péssimos a falar entre canções, pelo que vamos tocar algumas músicas para vocês», avisa Aaron Beam, vocalista e baixista da banda, pelo que depois se seguiram 45 minutos de “Heavy metal meets Stoner”, fórmula comprovadamente ganhadora nas apresentações da banda ao vivo.

Quando os Electric Wizard subiram ao palco Reverence já a noite se tinha mais do que instalado nas margens do rio Tejo. No breu do céu era uma imensa lua que iluminava o recinto, como que abençoando os festivaleiros com a sua energia poderosa. Cá em baixo, em frente ao palco, vivia-se um ritual único que, ao som da música dos Electric Wizard, hipnotizou crentes, simpatizantes ou curiosos da causa stoner. Pontos altos? Além da deliciosamente misteriosa Liz Buckingham, os temas «Witchcult Today», «Funeralopolis», «Sadiowitch» e «Black Mass».

David Polido > Keep Razors Sharp > Air Formation

Depois de uma noite dormida em modo acelerado, chegou o segundo dia e segunda rodada musical à beira do Tejo. Chegámos cedo, lá pela hora do almoço, com a intenção primeira de assistir ao DJ set de David Polido, o DJ residente do Sabotage Rock Club, clube lisboeta que dava também nome a um dos palcos do festival. Antes de dar inicio à maratona de concertos, optámos por descobrir um pouco mais do recinto, onde descobrimos quem estivesse a vender discos, entre CD e vinis, roupa, e até banda desenhada. Convém assinalar que, sem patrocínios, no Reverence não houve ativação de marcas, nem brindes, nem nada que perturbasse o seu objetivo primeiro: dar a conhecer música através de uma mão (grande) cheia de bons concertos a um público que se deslocou ali única e exclusivamente com esse propósito.

Devidamente alimentados, era hora de, no palco Sabotage, nos voltarmos a render ao som dos Keep Razors Sharp, super banda nacional que em vésperas de lançar o seu primeiro registo de originais surge como um dos mais cativantes projetos da música portuguesa. Afonso Rodrigues, dos Sean Riley and the Slowriders, Luís Raimundo ou Rai, dos Poppers, Carlos António ou BB, dos Riding Pânico, e Bráulio Alexandre, dos Capitão Fantasma deram mais uma vez um excelente concerto, trazendo a Valada as suas composições pontuadas pelas influências do psicadelismo e do rock, num alinhamento composto por um conjunto de canções ondulantes e misteriosas. Lindo!
Na nossa escala de concertos seguiram-se os Air Formation que chegados de Inglaterra trouxeram a Valada um pouco do seu indie-rock.

Ambiente

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Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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