Reverence Festival Valada Dia I: sob o céu estrelado

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Conhecida como terra de bom vinho, o Cartaxo é desde há dois anos conhecido como a terra por onde passa a boa música. A causa de tal fama é só uma: Reverence Valada, o festival de música que durante três dias inunda as margens do rio Tejo com propostas musicais diferenciadoras.

Imaginado por Nick Allport, o festival teve este ano a sua segunda edição e, mais uma vez, revelou-se como uma aposta ganha junto do público que teve a oportunidade de assistir a mais de 50 concertos. Espalhados pelos três palcos, os sons foram desfilando com uma cadência impressionante, tal chuva de estrelas que inundava o céu de Valada. A primeira noite revelou-se plena de surpresas com todos os concertos concentrados no palco Rio.

Galgo e Chicos de Nazca

Chegámos já os portugueses Galgo davam música. Vencedores do Concurso de Bandas Sziget’2015, os Galgo, que já tínhamos visto este ano noutro festival ali para os lados de Algés, são Alexandre Sousa, João Figueiras, Miguel Figueiredo e Joana “Bonham” Batista. Em palco os jovens músicos transfiguram-se assegurando um concerto cheio de energia e muito boa onda. Defini-los não é fácil nem nós temos tamanha pretensão, pelo que nos basta fechar os olhos deixando-nos ir numa viagem de sons ondulantes que dá vida a uma conversa mantida entre um baixo cativante e uma bateria poderosa. Há na música dos Galgo algo que nos faz vibrar…algo a que gostamos de chamar entrega e dedicação à música. Não podiam ter começado melhor os nossos dias por Valada.

Vindos da capital chilena, os Chicos de Nazca, formados em 2010 por Kb Cabala (guitarra e vocais), Wambo e Carlos Cabala (baixo), Cucho e Nes (bateria), tiveram em mãos a tarefa de dar seguimento ao alinhamento deste primeiro dia, a qual cumpriram com mérito. Portadores de um ADN musical pleno de psicadelismo, trouxeram ao palco Rio do festival um alinhamento onde as ondas sonoras se transformaram em segmentos de sonho. Com o sol a pôr-se sobre a magia das águas do Tejo, os chilenos souberam aproveitar a aura mística da hora dando um concerto a roçar a perfeição.

Purple Heart Parade e The Vickers

Imaginado para ser um festival que se distancia dos demais que vão acontecendo um pouco por todo o país, o Reverence Valada busca uma filosofia de liberdade musical onde a expressão artística e a criatividade marca forte presença. Tal acontece não só nos palcos, como no espaço no espaço dedicado às artes que todos os anos junta no evento alguns artistas plásticos.

De regresso ao palco Rio era altura dos Purple Heart Parade nos darem música, algo que não se fizeram rogados em dar. Oriundos de Manchester, terra pródiga em brindar o mundo com alguns dos nomes mais prominentes da música alternativa, os Purple Heart Parade não descuram esse peso praticando um rock que homenageia o que de melhor se faz na sua cidade natal. Em cima do palco foram desfilando um conjunto de fantasias shoegaze em musicais ondas cósmicas de uma banda definitivamente destinada a chegar às estrelas. Com Peter Cowap II na voz, Mike Bee na guitarra, Ste Woods no baixo e Keith Pleasant na bateria, os Purple Heart Parade foram para nós a primeira grande surpresa do festival.

Keep Razors Sharp e Jeff The Brotherhood

Dignos representantes do país de Camões neste primeiro dia do festival, os Keep Razors Sharp não se detiveram e, sem dó nem piedade, arrancaram o público do chão com uma prestação intensa. Influências do psicadelismo e do rock, embrulhadas num alinhamento composto por um conjunto de canções ondulantes e misteriosas acentuou ainda mais a magia desta super banda portuguesa. Afonso, Rai, Carlos BB e Bráulio são os quatro cavaleiros do apocalipse que em palco se transfiguram para praticar um rock negro e intenso, demonstrando possuir um som muito seu, assente, sobretudo, no riquíssimo percurso musical de cada um. Vagueando entre o psicadélico das guitarras e o poder da bateria, o som dos Keep Razors Sharp ganha ainda maior consistência com um vocal de grande qualidade.

Coube aos Jeff The Brotherhood fechar a porta desta primeira noite de concertos do Reverence Valada. Praticantes convictos de um género que se passeia entre o psych e o grunge, a banda composta pelos irmãos Jake e Jamin Orrall trouxe a Valada um alinhamento hipnótico. Praticantes convictos do “less is more”, os Jeff The Brotherhood conseguem chamar a atenção através de um conjunto de composições bem conseguidas que refletem exatamente esse lema. Com uma guitarra de apenas três cordas, Jake cria o seu estilo muito próprio conseguindo uma abordagem diferenciadora do instrumento. Tendo lançado em 2012 um bem recebido “Hypnotic Nights”, registo de originais gravado em Nashville, que teve a produção conjunta de Jake, Jamin e do músico e produtor Dan Auerbach (The Black Keys), o duo fez chegar ao mercado já este ano “Wasted On The Dream” o seu mais recente trabalho que serviu de base ao alinhamento do concerto.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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