Primordial deixam Lisboa em chamas com concerto épico no RCA

No RCA Club, os irlandeses Primordial ofereceram um espetáculo de quase duas horas que percorreu toda a sua carreira. Com riffs pesados, melodias envolventes e o carisma inconfundível de A.A. Nemtheanga, a banda transformou o concerto numa experiência intensa, equilibrando clássicos e temas do mais recente álbum, How It Ends. 

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

Desde os seus humildes começos nos anos 90 em Skerries, Irlanda, os Primordial têm evoluído de forma impressionante. Inicialmente influenciados pelo black e doom metal tradicional, incorporando elementos do folk irlandês, a banda desenvolveu ao longo das décadas riffs mais pesados e melódicos, que muitos consideram a sua sonoridade definitiva. Ao longo da sua carreira, lançaram álbuns icónicos como Imrama (1995), Spirit the Earth Aflame (2000), To the Nameless Dead (2007) e o mais recente How It Ends (2023), consolidando-se como uma das bandas mais respeitadas e emotivas do metal europeu. O vocalista A.A. Nemtheanga, presença icónica no palco, é uma das figuras centrais desta trajetória. Conhecido pelo seu carisma e energia, Alan Averill trouxe não só voz, mas também emoção e personalidade aos concertos, transformando cada apresentação numa experiência quase ritualística. A sua capacidade de ligar o público à música e à história da banda é única, tornando cada concerto num instante memorável. No concerto no RCA Club, em Lisboa, a banda privilegiou precisamente este lado mais moderno e melódico, misturando clássicos como No Grave Deep Enough com material novo de How It Ends. Os temas mais longos poderiam ter tornado a escolha das músicas um desafio, mas rapidamente se percebeu que os Primordial estavam preparados para oferecer um concerto de quase duas horas. A presença de Nemtheanga dominou o palco, enquanto a precisão e experiência de décadas de carreira permitiu que cada música brilhasse, mostrando a riqueza do catálogo da banda. Nenhuma palavra consegue captar verdadeiramente a “intimidade” de uma noite assim. Para quem esteve presente, este concerto ficará certamente entre os mais memoráveis e para quem não pôde assistir… não percam a próxima oportunidade.

Os Sinistro provaram no RCA Club porque são uma das bandas portuguesas mais sólidas do doom/post-metal contemporâneo. Formados em Lisboa em 2011, evoluíram de um som instrumental e cinematográfico para uma mistura intensa de doom, post-metal e melodias progressivas. A vocalista Priscila Da Costa foi o centro da noite, conduzindo cada tema com uma presença poderosa e emotiva, capaz de transformar riffs pesados e texturas densas em momentos quase íntimos e profundamente envolventes. Canções como Partida, Elegia e Templo das Lágrimas levaram o público numa viagem emocional que oscilava entre introspeção e explosões de intensidade sonora. A banda mostrou maturidade e coesão, preenchendo o RCA Club com energia e atmosfera cinematográfica, com cada detalhe pensado para criar um concerto irrepreensível.

A noite no RCA Club começou com aquela sensação elétrica de expectativa que só se sente quando sabemos que algo especial vai acontecer. Os Music In Low Frequencies subiram ao palco com uma presença tranquila, mas carregada de intensidade. Não precisaram de grandes palavras: bastou o primeiro acorde para prender toda a sala. A vocalista Mariana Faísca é simplesmente magnética. Era impossível não se deixar levar, esquecer o mundo lá fora e sentir cada vibração a atravessar o corpo. As músicas iam-se desenrolando quase como capítulos de um livro entre momentos de introspeção e riffs esmagadores. No final do concerto, revelaram: “encerramos agora um capítulo de 10 anos da banda”, partilha que tornou este concerto num momento ainda mais especial e emotivo.  Para selar aquele instante, os três músicos abraçaram-se no centro do palco, um gesto carregado de gratidão, cumplicidade e celebração de uma década de música feita com alma. No ar ficou aquela sensação boa de ter estado ali, de ter vivido algo verdadeiro. Os Music In Low Frequencies provaram que a força da música não está apenas no volume ou na técnica, mas na capacidade de tocar quem ouve, criando momentos que se tornam inesquecíveis.

Primordial

Sinistro

Music in Low Frequencies

 

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