Pousada Santa Maria no Marvão

Visitar o Marvão era um desejo há muito por nós acalentado. As imagens que tínhamos visto da vila deixavam-nos fascinados. Tínhamos a perceção de ser um sítio dono de uma aura quase mágica e diferente de tudo o que já conhecíamos em Portugal. Tendo nas mãos um voucher do programa «Alentejo Original» das Pousadas de Portugal não deixámos para depois o que há tanto queríamos fazer e, malas feitas e depósito atestado, fizemo-nos à estada com destino, claro está, ao Marvão.

O tempo meteorológico não era o melhor para quem como nós adora fotografar com um céu azul iluminado por um sol radioso, mas o facto de estar frio até deu à visita um ambiente muito especial. As primeiras exclamações ouviram-se quando ao virar de uma série de curvas e contracurvas olhámos para o topo do monte e bem lá no alto reconhecemos o castelo da vila com as suas enormes e vastas muralhas.

Escusado será dizer que a estas exclamações outras se seguiram durante toda a visita e pelos mais variados motivos. Sem saber muito bem o que fazer quando entrámos na vila medieval, foi no posto de turismo que se encontra à entrada que nos deram as devidas instruções para chegar à Pousada, «sempre em frente, estaciona num parque lá adiante e subindo umas escadinhas encontra a Pousada à sua direita». Obedientes, agradecemos a simpatia e lá fomos. Ruas estreitas, estreitas demais para esta gente da cidade, conduzem os visitantes num emaranhado de idas e vindas na mesma faixa…mas, nada que com cordialidade e civismo não se resolva calmamente.

Veículo estacionado e de malas na mão, dirigimo-nos para a Pousada Santa Maria que perfeitamente enquadrada no traçado da vila quase passa despercebida. De referir que a unidade hoteleira nasceu da reconversão de duas casas típicas. Tendo em conta as baixas temperaturas que o termómetro acusava no exterior, entrar na Pousada foi quase como chegar a um oásis. Feito o check-in, era hora de espreitar os aposentos que durante a estadia seriam os nossos. Da sua janela a panorâmica ampla e desafogada lembrava-nos que estávamos bem no cimo do monte, mas bem no cimo do monte. Por seu lado, no interior tudo apelava ao descanso e ao relaxamento, o que decidimos fazer assim que regressássemos de uma primeira visita à vila medieval e antes de descermos para o jantar.

A vila do Marvão impressiona, primeiro porque fica lá no topo, bem lá em cima, depois porque para nós é uma das mais bem preservadas vilas medievais portuguesas, onde tudo é pensado em função da manutenção da herança cultural da vila que situada dentro das muralhas do castelo remonta ao século XIII. De regresso à Pousada era tempo de descansar na tranquilidade do quarto.

Marcava o relógio 200h00 quando descemos para jantar. A enorme janela do restaurante debruça-se sem qualquer pudor sobre a belíssima paisagem fronteiriça, que àquela hora coberta com o breu da noite impressiona ainda mais. «Lá ao fundo em dias de céu limpo conseguimos ver a Serra da Estrela e ali, do outro lado, a cidade de Castelo Branco», esclarecem-nos enquanto decidimos com que iguarias nos deleitar. A surpresa no que à geografia diz respeito foi ainda maior quando nos informaram que «em frente? bom em frente é Espanha», estávamos rendidos, este é mesmo um sítio especial e único.

«Então, já escolheram?», ouvimos perguntar, trazendo-nos de volta à terra, ou melhor, ao restaurante. Bom, a escolha não estava fácil pois as propostas além de variadas pareciam todas apelativas. Discutidas e avaliadas as diferentes opções, acabámos e bem por escolher para entrada uma sopa de legumes com pão frito, a empada de borrego com verdes salteados e queijo de Nisa e a morcela de Portalegre sobre grelos salteados e maça assada. Perante as delicias que estávamos a degustar só nos atrevíamos a pensar, «se as entradas são assim, imagino como serão os pratos principais…»

A verdade é que os pratos principais foram tão ou mais deliciosos, recaindo a nossa escolha sobre o medalhão de novilho com louro, alho e presunto e o lombo de porco de diferentes modos. Bem confecionadas, as sugestões conseguem conjugar o melhor da gastronomia regional alentejana com um toque de modernidade e requinte. A sobremesa não podia ser outra que a doçaria da Pousada.

Em terra de realeza este foi, claramente, um jantar real! A noite terminaria no bar da Pousada onde, em redor da lareira, nos sentámos a conversar. Isso mesmo que está a pensar, à moda antiga! E como sabe tão bem um serão assim, em família!

www.pousadas.pt/

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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