Paradise Lost ainda são gothic metal? A resposta de Nick Holmes não é o que esperava

Mais de três décadas depois de ajudarem a definir o gothic metal, os Paradise Lost continuam a não se rever totalmente numa única etiqueta. Nick Holmes admite que o rótulo pode fazer sentido, mas prefere deixar a música falar por si.

Os Paradise Lost ajudaram a estabelecer as bases do gothic metal no início da década de 1990, sobretudo através de Gothic, segundo álbum da banda britânica, lançado em 1991. Mais de 30 anos depois, contudo, Nick Holmes não parece particularmente interessado em discutir se a designação continua a descrever adequadamente o grupo.

Questionado sobre se os Paradise Lost ainda podem ser considerados uma banda de gothic metal, o vocalista respondeu simplesmente: “Não sei.” A declaração surgiu numa entrevista ao Music Interview Corner, na qual Holmes recordou também a evolução da banda e a forma como os géneros musicais foram sendo definidos ao longo das últimas décadas.

A designação gothic metal ganhou particular força precisamente na altura em que os Paradise Lost lançaram Gothic. O álbum marcou uma mudança significativa em relação ao death/doom mais extremo presente no início da carreira e introduziu uma combinação de peso, melancolia, atmosferas sombrias e elementos que viriam a influenciar toda uma geração de bandas. No entanto, a carreira dos Paradise Lost nunca ficou limitada a esse território.

Desde a formação, em 1988, em Halifax, Inglaterra, o grupo atravessou diferentes fases e incorporou influências de doom metal, death metal, gothic rock, rock e música eletrónica. Essa constante transformação tornou-se uma das principais características da banda e também uma das razões pelas quais a sua discografia é difícil de encaixar numa única categoria. A própria evolução do grupo ajuda a explicar a resposta de Holmes. O vocalista reconhece que a percepção dos géneros mudou ao longo dos anos e que aquilo que era considerado gothic metal no início dos anos 90 pode não corresponder necessariamente ao significado que a expressão tem atualmente.

Os Paradise Lost começaram por integrar a cena death/doom britânica e rapidamente ganharam destaque com os primeiros trabalhos, nomeadamente Lost Paradise (1990) e Gothic (1991). O segundo álbum tornou-se particularmente influente e é hoje considerado um dos trabalhos fundamentais na formação do gothic metal enquanto género.

Nos anos seguintes, porém, a banda continuou a experimentar. Draconian Times, de 1995, tornou-se um dos seus discos mais celebrados, enquanto trabalhos posteriores exploraram abordagens mais acessíveis, electrónicas e próximas do rock. A partir da década de 2010, os Paradise Lost recuperaram progressivamente alguns dos elementos mais pesados dos primeiros anos, sem abandonar a experiência adquirida ao longo da carreira. Essa capacidade de mudança tornou-se uma constante: a banda evolui, mas a identidade permanece reconhecível.

A discussão em torno do rótulo surge numa fase em que os Paradise Lost continuam activos e a apresentar material novo. Em 2025, a banda lançou Ascension, o 17.º álbum de estúdio da carreira. O disco reforçou a ligação aos ambientes sombrios e pesados que marcaram várias fases do percurso do grupo e teve uma recepção significativa em vários mercados europeus.

O álbum alcançou posições de destaque nas tabelas de vendas, incluindo o 4.º lugar na Polónia, 5.º na Áustria, 6.º na Alemanha, 7.º na Finlândia e 8.º na Escócia. Mais do que procurar responder à pergunta sobre que género representam atualmente, Ascension demonstra que os Paradise Lost continuam a trabalhar dentro de uma lógica própria, construída ao longo de quase quatro décadas.

A resposta de Nick Holmes pode, por isso, ser interpretada de forma simples: os Paradise Lost ajudaram a criar o gothic metal, mas não precisam de viver presos à etiqueta que ajudaram a popularizar. Num género onde os rótulos são frequentemente usados para delimitar fronteiras, os britânicos continuam a fazer exatamente o contrário: mantêm as portas abertas e deixam que cada álbum determine o caminho seguinte.

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