Optimus Alive 2013 Dia I

Jamie N Commons > Stereophonics > Deap Vally

Cais do Sodré, dia 12 de julho, 17h30. Apesar da muita gente que enchia o comboio, quase todos dirigindo-se para o mesmo sitio que nós, conseguimos arranjar um lugar vago para nos sentarmos. No decurso da curta viagem claro que o tema de conversa só podia mesmo ser um: quais os concertos que queríamos ver nesta edição do Optimus Alive. Entre este e aquele nome, o passageiro que seguia à nossa frente mete-se na conversa. Personagem que jamais imaginaríamos num festival de música mostrou conhecer os Depeche Mode, «uns gajos do meu tempo» e divagou sobre os nomes das bandas…traduzindo-os para português! «A semana passada», diz, «estava aqui um cartaz com uns nomes esquisitos de um festival qualquer onde foram os Valentins Sangrentos e o Nick Cáve e a Más Sementes!» Por entre risos solitários, continuou já perto da nossa estação de destino afirmando «e aqui vão os Vampiros de Fim-de-semana», concluiu antes de nos desejar bom festival! Não há dúvidas de que a música atinge toda a gente, independentemente da forma!

A chegada ao recinto fez-se com calma, por entre festivaleiros jovens e menos jovens, mas todos movidos pela música, que durantes três dias enche a alma e os ouvidos dos que passam pelo Passeio Marítimo de Algés. Ao chegar ao pórtico percebemos, tal como já tinha sido noticiado, que o Optimus Alive deste ano está diferente. Para perceber como e em que medida falámos com Hugo Figueiredo, director de marketing da Optimus, entrevista que podem ler mais abaixo.

Não nos foi possível ver os primeiros concertos do dia. Ficam as fotos do nosso fotógrafo e os relatos de amigos que afirmam que Jamie N Commons «começaram bem a tarde no Palco Heineken e devem ter surpreendido muitos, pois sem serem muito conhecidos, havia algumas pessoas a pararem para ver a banda de inspiração folk rock composta por miúdos bem giraços». Quem somos nós para discordar?!

Os Stereophonics abriram o festival no palco principal, e fizeram as delicias, sobretudo dos muitos ingleses que àquela hora já se encontravam no recinto. Na outra extremidade do espaço do Optimus Alive era a vez das Deap Vally darem um ar de sua graça. E que graça! Há uns meses abriram o concerto lisboeta dos Mumford & Sons e deram um cheirinho apetecível do que eram em palco. Ao Optimus Alive trouxeram a certeza de serem um duo pleno de garra, sensualidade e sangue da guelra. Andaram, obviamente, em redor do álbum Sistrionix para gaudio dos muitos fãs que não pararam de pular durante o concerto. Atrevida, a vocalista Lindsey Troy flirtou com o público enquanto lá atrás, na bateria, a ruiva Julie Edwards mostrava o que uma mulher pode fazer aos comandos de uma bateria! Músicas como “Gonna Make My Own Money”, “Baby I Can Hell” e “Gonna Make My Own Money” inundaram a tarde de um rock viciante que nos encheu as medidas.

Biffy Clyro > Japandroids > Two Door Cinema Club

Enquanto no palco grande tocavam os Biffy Clyro, nós preferimos ficar por perto dos nossos já bem conhecidos Japandroids que à semelhança do que fizeram o ano passado num festival a norte, deram um excelente concerto. Vindo do Canadá, o duo deu continuação à animação iniciada pelas Deep Vally.

Paragem essencial a meio caminho para um cerveja e uma sandes de leitão, há que ter forças para o resto da noite, era tempo de ir ouvir os Two Door Cinema Club. Festa, foi o que aconteceu durante o concerto dos britânicos que puseram toda a gente a cantar. Canções como “Undercover Martyn”, “Something Good Can Work”, “Sun” e “Sleep Alone” foram o mote certo para que o público desse largas à energia em agitados momentos de dança. No palco os músicos impecáveis, liderados pelo vocalista Alex Trimble, que alguém equiparou a um funcionário bancário devido ao fato e gravata. Guitarras e baterias num concerto que não trazendo nenhuma novidade deixou felizes os que a ele assistiram.

Green Day > Dead Combo > Edward Sharpe & The Magnetic Zeros > Jessie Ware

Magia e elegância marcaram mais uma vez a apresentação dos Dead Combo, que surpreenderam quem ainda não os tinha visto ao vivo, e aqui falamos tanto de portugueses como de estrangeiros, sendo que alguns destes ficaram admirados ao saber que eram cá do burgo (!) o que demonstra que é preciso divulgar ainda mais para dar a conhecer projectos nacionais como este, onde a extrema qualidade é ponto assente.

Eram muitos os que desde cedo se encontravam literalmente colados às grades do palco principal à espera deste momento, a entrada em palco dos Green Day. Liderados por um Billie Joe Armstrong com bom ar e cheio de energia, a banda levou o público durante as mais de duas horas e meia de concerto numa visita à sua carreira, tendo tocado aquelas músicas que também nós gostamos e que não nos fizemos rogados em dançar e cantar, como “Holiday”, “Wake Me Up When September Ends”, “Basket Case” ou “She”. No dia em que tivemos por companhia o membro mais jovem da equipa, não nos sentimos sozinhos pois como nós eram muitos os que enchiam o recinto do festival, numa comunhão entre pais e filhos em nome da música. Tal como no concerto de boa memória no então chamado Pavilhão Atlântico, hoje Meo Arena, os Green Day chamaram um fã para com eles tocar uma música, tendo o sortudo músico sido presenteado com uma guitarra!

Terminada a nossa estadia pelo palco principal, dirigimo-nos para o Palco Heineken, não sem antes espeitar o Optimus Clubbing, onde Jessie Ware espalhou charme, deixando todos encantados com a sua simpatia e enfeitiçados pela sua música e os Disclosure deram a muitos a certeza de terem sido um dos momentos altos do primeiro dia do festival.

Gente, muita e nem sempre simpática ou educada enchia toda a zona do Palco Heineken, mas reparos educacionais à parte, foi ali que assistimos a três excelentes concertos. O primeiro de Edward Sharpe & The Magnetic Zeros, banda nascida em 2007, quando Alex Ebert e Jade Castrinos se conheceram à porta de um café em Los Angeles. Dois anos depois chegava aos escaparates “Up From Bellow” disco que se viria a transformar num imenso sucesso, ainda hoje, devido, sobretudo à música “Home”. À semelhança dos que tem acontecido noutros festivais por onde passaram, como Coachella, Bonnaroo ou Lollapalooza, ao Optimus Alive trouxeram alegria e vivacidade.

Vampire Weekend > Disclosure > Crystal Fighters

Do primeiro festival onde os tínhamos visto até esta noite no Optimus Alive os Vampire Weekend não trouxeram nenhuma surpresa. O que não é mau, pois se já tinham dado um bom concerto em 2010, desta vez apuraram a máquina e deram uma prestação certinha e bonitinha. “Cousins”, “White Sky”, “Cape Cod Kwassa Kwassa”, “Diane Young” ou “Ya Hey” demonstram bem que a aposta foi claramente ganha.
Já noite avançada canções como “I Love London”, “Plage”, “You & I” e “Love Natural” dos Crystal Fighters trouxeram o sentimento de paz e amor ao festival, o que nem ficou nada mal num colectivo de dance-folk.

Marky Ramone’s Blitzkrieg

Três horas da manhã, poucos eram os resistentes no Palco Heineken que àquela hora aguardavam pela entrada em palco de Marky Ramone. Tendo actuado dias antes no Santiago Alquimista, o único membro da mítica banda punk norte-americana juntou-se a Andrew WK para apresentar os grandes temas dos Ramones. One, two, three e as músicas seguiam sem parar numa emoção non stop que nos fez voltar uma boa mão-cheia de anos atrás no tempo! “Sheena is a punk rocker”, “Pet Cemetary” ou “Poison Heart” encheram de alma punk aquele cantinho de um festival que à beira do rio Tejo por vezes carece de alguma genuinidade. Valeu!


Entrevista a Hugo Figueiredo, director de marketing da Optimus
O que vos levou a mudar o look do festival Optimus Alive este ano?
Quando estávamos a preparar o Optimus Alive 2013 ainda no final de 2012 falámos com o promotor, Everything is New, pois como íamos para a sétima edição achámos que valia a pena repensarmos um pouco um conjunto de estruturas que são da responsabilidade também da Optimus. A Everything is New achou que era uma boa ideia, pelo que o passo seguinte foi lançar um concurso de ideias ganho pela Feedders que desenvolveu este novo look para os palcos Optimus e Optimus Clubbing, para o Pórtico e para a zona de convidados.

Podemos então afirmar que aquilo que vemos hoje aqui é a imagem fiel da Optimus?
É a imagem da Optimus adaptada ao festival. Aquilo que nós acreditamos na Optimus é que, obviamente, na parte dos patrocínios, sendo que são todos na área da música, é preciso encontrar pontos de contacto entre aquilo que são os valores da marca e os valores do festival. Podemos afirmar sim, que isto é a nossa representação da marca neste festival. Noutros festivais é, certamente, um pouco diferente. Acreditamos que cada festival tem o seu espaço no panorama musical, cada um tem o seu conceito.

Qual tem sido o feedback das pessoas relativamente às alterações?
Parecem-me muito satisfeitas, o que nos dizem é que foi um upgrade fantástico relativamente a anos anteriores. A verdade é que todos os anos têm vindo a ser realizadas alterações, mas de facto este ano estão bastante visíveis. Acho que o resultado final foi muito bem conseguido.

A música já faz parte da génese da Optimus?
Sem dúvida, desde o lançamento da Optimus que a música é parte integrante. Desde o primeiro momento que apoiámos sempre a música, sendo que é hoje o único território que apoiamos. Achamos que para fazer um trabalho consistente e coerente é importante ter vários projectos, pelo que temos a nossa editora, a Optimus Discos, que lançou nos cinco anos de vida, entre outros, os Linda Martini, tendo-se tornado muito importante na divulgação de novos nomes da música portuguesa embora por vezes não cantada em português mas feita por músicos nacionais.

Equipa que ganha não se mexe. Vamos continuar assim nos próximos anos?
Acredito que sim! Temos contrato para mais um ano com o Optimus Alive, ou seja, com a promotora do festival para fazer mais uma edição, mas penso que as condições estão criadas pra continuar. Existe muita confiança entre as equipas e o resultado deste ano é talvez o que, nestes sete anos de parceria, demonstra uma ligação simultaneamente mais profunda e mais visível também para toda a gente. As pessoas estão contentes e, tal como você disse, equipa que ganha não se mexe, pelo que vamos ter de chegar a acordo, de certeza!

Além do Optimus Alive e do Optimus Primavera Sound existem novos projectos para o futuro?
Para já não. Neste momento temos três projectos/eventos musicais, sendo que aos dois que referiu se junta o Optimus D’Bandada, evento gratuito realizado no Porto com as bandas do catálogo da Optimus Discos. São estes os três projectos que a Optimus tem ligados à música.

Estivemos o ano passado no Optimus D’Bandada. Para 2013 o conceito mantém-se?
Sim, o conceito vai ser genericamente o mesmo: concertos gratuitos em espaços variados e de diferentes géneros, muitos deles um pouco inusitados, mas adequados ao tipo de público que vai assistir a cada um dos concertos.

Relativamente ao investimento que fizeram aqui no Optimus Alive pode avançar algum valor?
Não avançamos valores, mas aquilo que posso adiantar é que, tal como tenho afirmado publicamente, a Optimus viu reduzido, não muito significativamente, o seu budget total. No entanto, o budget que tem dedicado à área da música tem-se mantido inalterado, o que quer dizer que a quota parte dedicada à música dentro do total do investimento da marca até aumentou. O investimento que temos aqui no festival é idêntico ao de anos anteriores, substituímos umas coisas por outras, por exemplo as áreas de activação foram reduzidas para podermos fazer as estruturas, mas mesmo assim acho que valeu a pena. Estamos muito satisfeitos.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro
Reportagem fotográfica com o apoio Canon Portugal www.canon.pt/

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