O regresso dos Idles a Lisboa: uma noite de máscaras, suor e saudade

Agradam de forma (quase) consensual a (quase) todos e isso percebeu-se no público que encheu o Coliseu da capital no regresso dos Idles a solo lusitano. Uma noite de máscaras, suor e saudade que tão depressa quem lá esteve não vai esquecer.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

Chegar a um concerto dos Idles é chegar a um encontro de amigos. Depois de dois anos de pandemia esse sentimento foi ainda mais forte no regresso da banda à capital, desta vez para encher até à porta um Coliseu sedento de música. Nos corredores, na plateia, na fila para a cerveja e até nos camarotes, amigos reencontraram-se. Uns não se viam há semanas, mas outros não se encontravam há anos. É este o poder da música, unir as pessoas e juntar os amigos.

No palco, esse sentimento de reencontro continuou, com a banda a mostrar-se deveras feliz por este regresso a um país que desde o primeiro encontro sempre a recebeu muito bem. E os Idles têm sabido retribuir com concertos que ficam na memória de quem nelas participou. Leu bem, participam, porque estar num concertos dos Idles não é assistir a uma atuação, é antes fazer parte dela. O público, os fãs são, claramente, um fator essencial para o resultado positivo de um concerto da banda britânica.

Mal entrámos na sala percebemos que a noite ia ser de festa rija, o que já é hábito quendo se trata dos Idles. Não foi preciso muito para essa perceção passar a ser uma realidade, uma vez que aos primeiros acordes da primeira música já o público pulava e saltava como se não houvesse amanhã. A alma punk da banda de Bristol penetrou através da epiderme de cada uma das pessoas que preenchia a audiência e não as deixou sossegar. Misto de loucura (saudável) e adrenalina, a cada tema uma nova onda de energia. «É bom estar de volta a Lisboa», afirma o vocalista Joe Talbot, «esperámos anos por este regresso e agora aqui estamos, isto é por vocês e pela vossa amabilidade para connosco ao longo destes 10 anos».

Mark Bowen e Lee Kiernan, nas guitarra, Adam Devonshire, no baixo, e Jon Beavis, na bateria, juntaram-se em 2009 a Joe Talbot para dar vida a uma banda punk rock. Com quatro álbuns gravados, o último deles em novembro de 2021, “Crawler”, os Idles têm vindo a conseguir trazer para perto de uma público mais mainstream o poder do rock e a alma punk de final dos anos 70 do século passado. O resultado é uma legião de fãs que a cada apresentação da banda tem vindo a crescer a olhos vistos. Irreverentes e qb de loucos, os Idles sabem cativar a audiência e captar a atenção do público. Ali não há tempo para descansar, ali “é sempre a abrir”! Há um sentimento de urgência (típico do punk) que a banda soube resgatar e trazer para o século XXI, o que explica o sentimento algo nostálgico por parte do publico com 40 ou mais anos e o sentimento de descoberta que percebemos nas palavras e nos sorrisos dos mais novos, na malta dos 20 ou 30 anos. Ali não há fossos geracionais, ali há só e apenas a adrenalina das guitarras, o poder da bateria e as palavras estridentes de Talbot, gritadas como slogans em manifestações reivindicativas.

Lá fora o mundo está louco. Ainda a pandemia não terminou e temos uma guerra na Europa. Lá fora os poderosos ditam as regras, baralham as cartas e definem o futuro. Mas cá dentro quem manda somos nós. E isso é-nos dito pelos Idles. «Este é um concerto sobre o amor, sobre a empatia», referem. Que saibamos trazer esses sentimentos para fora do Coliseu e para o nosso dia-a-dia.

setlist:

Colossus
Car Crash
Mr. Motivator
Grounds
Mother
Meds
Divide and Conquer
The Beachland Ballroom
Never Fight a Man With a Perm
Crawl!
1049 Gotho
The Wheel
Television
A Hymn
War
Wizz
Love Song
I’m Scum
Danny Nedelko
Rottweiler

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