O LAV – Lisboa Ao Vivo vibrou com o regresso explosivo dos Avatar

Lisboa foi palco de uma noite inesquecível com o regresso dos Avatar, no âmbito da tour europeia In the Airwaves EU ’26. Foi um espetáculo completo, onde metal, teatralidade e intensidade se fundiram.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

O regresso dos Avatar a Lisboa no âmbito da tour europeia In the Airwaves EU ’26, foi tudo menos um concerto convencional. Desde a sua formação em 2001, na cidade de Mölndal, perto de Gotemburgo, a banda destacou-se no heavy metal pela combinação de riffs pesados e melódicos com performances teatrais, transformando cada espetáculo numa experiência única. A banda começou com influências de melodic death metal, mas evoluiu ao longo dos anos, incorporando elementos de groove e alternative metal, mantendo sempre uma identidade própria e reconhecível internacionalmente. Com álbuns marcantes como Dance Devil Dance (2023) e Don’t Go in the Forest (2025), os Avatar conquistaram fãs em todo o mundo. Entre os seus maiores êxitos estão “The Dirt I’m Buried In”, que atingiu o primeiro lugar na tabela Mainstream Rock Songs nos Estados Unidos em 2023, assim como “New Land” e “Captain Goat”. Neste regresso a Lisboa, o vocalista  Johannes Eckerström foi, como sempre, o epicentro da experiência. Com maquilhagem e figurinos vistosos, transformou cada música numa performance quase circense, criando uma ligação intensa com o público. A setlist combinou temas do álbum mais recente com clássicos que os fãs conhecem de cor, como “Captain Goat”, “Hail the Apocalypse” e “The Dirt I’m Buried In”, mantendo a energia do início ao fim e culminando num encore memorável. O que mais se destacou foi a teatralidade e o cuidado com os detalhes. Luzes, cenários e momentos coreografados criaram uma experiência envolvente graças à presença carismática de Eckerström e à entrega total da banda. Lisboa assistiu a um concerto que provou, mais uma vez, que os Avatar não são apenas uma banda de metal, são uma experiência completa onde musicalidade intensa, teatralidade e ligação com o público se combinam.

Acompanhando os suecos Avatar, os neozelandeses Alien Weaponry chegaram a Lisboa e rapidamente mostraram por que são uma das bandas mais originais do metal atual. Os irmãos Lewis e Henry de Jong, fundadores da banda em 2010, trazem mais do que riffs e batidas, trazem cultura, história e identidade. Cantando em inglês e te reo Māori, os Alien Weaponry transformam lendas, conflitos históricos e tradições da sua terra em metal intenso e atual. É impossível não se deixar levar. No LAV, o trio não deu descanso a ninguém. Riffs cortantes, bateria potente e presença de palco contagiante fizeram a sala vibrar. A discografia da banda mostra como evoluíram sem perder a essência. Tū (2018) apresentou o som da banda ao mundo; Tangaroa (2021) aprofundou a ligação à cultura Māori; e Te Rā (2025), com faixas como “Mau Moko” e “Taniwha”, consolidou-os internacionalmente. Ao vivo, estas músicas ganham ainda mais força e em Lisboa foi impossível ficar indiferente. Cada riff, cada batida, cada letra conta uma história e liga a banda ao público. Os Alien Weaponry provaram que o metal pode ser brutal, moderno e, ao mesmo tempo, cultural e humano.

As norueguesas Witch Club Satan eram uma das bandas de suporte mais aguardadas. Mesmo não sendo cabeças de cartaz, conseguiram captar a atenção de quem ficou até ao fim, deixando uma marca difícil de esquecer. O trio feminino norueguês — Johanna Holt Kleive na bateria e vozes, Nikoline Spjelkavik na guitarra e vozes, e Victoria Røising no baixo e vozes — subiu ao palco com uma presença intensa. Não era só música: era performance. Cada gesto, cada olhar, cada movimento parecia cuidadosamente pensado para provocar, desafiar e, ao mesmo tempo, fascinar. O black metal tradicional misturava-se com a teatralidade e a crítica social, criando um espetáculo que ia muito além dos riffs e bateria, era arte crua, visceral e feminista. O público reagiu de forma variada. Alguns saíram entusiasmados, comentando como a banda trouxe uma energia fresca e diferente ao género, mostrando a força e a diversidade que o metal pode ter. Outros ficaram mais desconcertados, talvez por não estarem acostumados a ver música e performance misturadas de forma tão intensa. Mas, mesmo assim, ninguém saiu indiferente, curiosidade e respeito permeavam o ar. Apesar de terem uma carreira relativamente curta, as Witch Club Satan já deixaram a sua marca com o álbum de estreia Witch Club Satan (2024), que inclui faixas como Birth, Fresh Blood, Fresh Pussy e Steilneset, além de singles como Hysteria (2022), Solace Sisters (2022) e You Wildflower (2025). Cada música reflete a sua identidade: uma mistura de black metal extremo com performance artística e mensagens feministas. A Lisboa elas não vieram apenas tocar, vieram deixar uma impressão. Às vezes, são exatamente estes concertos que desafiam expectativas, quebram regras e fazem-nos sair da sala a pensar “nunca vou esquecer isto”.

Avatar

 

Alien Weaponry

Witch Club Satan

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