Terceiro e derradeiro dia da edição 2018 do NOS Primavera Sound e o mundo quase desabava no Parque da Cidade mistura de chuva, lágrimas e muita emoção.

NPS 2018: DIA III. Chuva, Cave e muito amor

Terceiro e derradeiro dia da edição 2018 do NOS Primavera Sound e o mundo quase desabava no Parque da Cidade mistura de chuva, lágrimas e muita emoção.

Rolling Blackouts Coastal Fever > Kelela > Flat Worms

Oriundos de Melbourne, na Austrália, os Rolling Blackouts Coastal Fever chegaram ao Palco Seat, para apresentar em terras nortenhas o seu disco de estreia “Hope Downs”, editado já durante o corrente ano. Com uma mão cheia de anos de existência, a banda apostou tudo neste seu primeiro registo do qual fazem parte temas como “Mainland” e “The French press”, os quais fizeram as delícias de todos. Muita entrega em cima do palco, apelando ao público para que os acompanhasse em passos de dança. Pelo meio tiveram ainda tempo para se espantarem com o clima que vieram encontrar em Portugal, «viemos de Inglaterra e lá está Sol!». Anda tudo ao contrário, efectivamente.

Kelela trouxe os ritmos do R&B e da electrónica com muita emoção a uma plateia bastante composta e que a acompanhou até ao fim da actuação fazendo-lhe a vontade quando ela pediu para que ficassem. Quatros de vida no circuito musical não fazem dela nada de grande, mas Kelela sabe como ir traçando um caminho rumo ao futuro, ganhando, ao longo do percurso, o respeito e a admiração dos fãs.

Querem rock? Tomem lá rock, pareceram afirmar os Flat Worms. Músicas musculadas e bastante orelhudas, fizeram parte de um alinhamento poderoso e bem engendrado. A energia que nos transmitiram mais parecia medir forças com a chuva que teimava em cair cada vez mais forte. Dancemos para espantar a água e os maus agouros porque ainda a noite nem sequer tinha começado.

Metá Metá > Public Service Broadcasting > Kelsey Lu

Resguardados da chuva com uma capa que o main sponsor do festival simpaticamente distribuiu pelos festivaleiros, fomos até ao Palco NOS para assistir ao concerto dos Metá Metá. E que belo concerto! Vindos do Brasil, o colectivo de excelentes músicos inundou tudo e todos com uma mistura cativante e maravilhosa de jazz, MPB e muito tropicalismo. Com a alegria tão característica do povo irmão, a banda soube dar o seu melhor a um público que, não os conhecendo, por ali foi ficando para descobri-los. Certamente não ficaram decepcionados, pois foi, na verdade, um dos melhores momentos do dia.

A chuva, companheira constante deste dia de festival, não assustou os Public Service Broadcasting que deram um concerto impecável, à semelhança do que deles vimos num outro festival, desta feita no Minho. Nos minutos em que invadiram o palco houve de tudo: cinema da década de 50, batida kraut, com uma evocação aqui e ali aos nossos tão queridos Kraftwerk. A ligar tudo isto a dança e o apelo a que o corpo se movimentasse sem vergonhas ou demais questões. Nada falhou. Tudo bateu certo em 60 minutos de puro deleite.

Em performance solitária, Kelsey Lu deixou os fãs perfeitamente extasiados. Vestida com um macacão volumoso em tule, a artista fez questão de dar à plateia o que ela mais desejava, um concerto pleno de entrega com um alinhamento certeiro do qual se destacaram temas, como “Morning after coffee” ou “Shades of Blue”, além dos restantes que integram Church, lançado em 2016 e que, tal como o nome indica, foi gravado numa igreja.

Wolf Parade > Mogwai

Depois da torrente de emoções que foi o concerto de Nick Cave, pouco mais haveria para dizer mais sobre esta noite, mas não seria de todo justo deixar passar em branco uma das bandas que mais nos agrada num género por nós muito apreciado: os Mogwai e o post rock. Oriundos da Escócia souberam, com mestria, dar por terminada de forma perfeita a nossa noite. As notas que fizeram ecoar conseguiram manter em nós a emoção do concerto anterior, o que nos deixou deveras felizes.

À mesma hora eram os Wolf Parade que davam música a outros públicos e a outros ouvidos noutro espaço do festival. Competentes, não desiludiram.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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