Novos Talentos FNAC 2013

Ana Claúdia > Quelle Dead Gazelle > Brass Wires Orchestra

Cinema São Jorge, dia 21 de junho de 2013. Por volta das 21h00 começa a notar-se alguma agitação numa das mais conhecidas escadarias da Avenida da Liberdade. O motivo não podia ser melhor, pois até ao início da madrugada iriam passar pelos três palcos do São Jorge alguns dos músicos e bandas que integram a edição 2013 dos Novos Talentos FNAC.

À semelhança do que fizemos o ano passado, a primeira coisa foi mesmo comprar o CD (quatro euros) para, com calma, irmos nos dias posteriores descobrindo cada uma das músicas que o integram. A noite de apresentação serviria, em primeiro lugar, para abrir a curiosidade, e em segundo, para matar saudades de ver alguns destes artistas ao vivo, como Samuel Úria que fechou o evento com chave de ouro, dando um mini concerto memorável, algo a que já nos vamos habituando. Não é novo talento, como o próprio bem referiu, “fiz parte da edição desse longínquo ano de 2009”, mas foi claramente uma mais-valia para a noite de apresentação do disco duplo que há pouco nos chegou às mãos.

Mas, antes de Samuel, os nossos olhos viram muita coisa e os nossos ouvidos encantaram-se por outras tantas melodias, apostas claramente ganhas por parte de cada uma das bandas.

Ermo > Colibri > Coelho Radioactivo

Entre o café concerto, a sala 1 e a sala 2, a noite começou ao som de Ana Cláudia, dos Brass Wires Orchestra e dos Quelle Dead Gazelle e Ermo, respetivamente. Se os Brass Wires Orchestra já conhecíamos de outras andanças e em nada desiludiram, bem pelo contrário, aqui confessamos que os Ermo levaram a maior percentagem da nossa curiosidade pois revelaram uma tremenda criatividade na apresentação que trouxeram ao São Jorge, e os Quelle Dead Gazelle reafirmaram a qualidade que já lhes reconhecíamos.

Subidas as escadas, o café concerto estava tomado pelos Colibri. Tempo para uma pausa e troca de impressões sobre o que tínhamos tido ocasião de ver e ouvir.
Lançada em 2007 a iniciativa Novos Talentos FNAC tem na direção artística Henrique Amaro, acérrimo defensor da música nacional, responsável pela divulgação de muitos dos nomes que hoje fazem já parte da história mais recente da música portuguesa.
De acordo com Henrique Amoro, numa declaração que podemos ler no verso de capa do CD da edição deste ano, “queremos apenas que na história individual destes músicos, a participação neste disco tenha sido um motivo para continuar a escrever bons refrões, a projetar o mais subtil experimentalismo ou, simplesmente, a dedilhar uma guitarra ao final do dia”. Ao público cabe agora apreciar, pois de outra forma mais dificilmente tomaria contacto com bandas como First Breath After Coma, que, vindos de Leiria, foram buscar o nome a uma música dos Explosions in The Sky proporcionando um dos melhores momentos da noite.

Tape Junk > First Breath After Coma

Chamam-se Tape Junk e levaram muito público até à sala 1. O motivo? Muito simples: são bons, muito bons a fazer música. Este que é o mais recente projeto do músico João Correia, vocalista dos Julie & The Carjackers e baterista de projetos como Frankie Chavez, Márcia e Walter Benjamin, trouxe até ao São Jorge um conjunto de canções de forte inspiração country e folk que puseram todos a mexer o pézinho (convém esclarecer quem não sabe, que naquela sala assistir aos concertos só mesmo sentado).

Pelo palco do café concerto passaram ainda Coelho Radioactivo e Little Friend. Este último um projeto de John Almeida, músico e escritor nascido em Londres, filho de pais portugueses, que no álbum de estreia, «We Will Destroy Each Other», nos apresenta uma série de canções melodiosas e extremamente bem concebidas onde se denotam variadas influências, como o folk ou a pop.

Na sala 2 tempo ainda para espreitar os nossos já bem conhecidos Nice Weather For Ducks, coletivo oriundo de Leiria (cidade a dar cada vez mais boas cartas no mundo da nova música nacional) que trouxe a Lisboa um conjunto de canções pop, bem feitas e bem dispostas.

Mazgani > Nice Weather For Ducks

Apagam-se as luzes na sala 1. Na cadeira solitária colocada em cima do palco senta-se Mazgani. A partir dai viajamos. Pois, somos fãs deste músico e escritor de canções considerado em 2005 pela revista francesa «Les Inrockuptibles» como um dos melhores novos artistas europeus. De lá para cá, Mazgani tem vindo a cimentar uma carreira cada vez mais sólida, facto visível com o lançamento do seu mais recente registo de originais, «Common Ground», integralmente gravado e misturado em Bristol, na Inglaterra, o qual não só contou com a produção de John Parish, como também teve a colaboração do ex-Bad Seeds, Mick Harvey. Foi bonito, muito bonito voltar a vê-lo dedilhar a guitarra enquanto nos canta ao ouvido melodias que nos fazem sonhar.

Noite longa, mas compensadora. Parabéns à FNAC, às bandas e, acima de tudo, a Henrique Amaro. Ah e o duplo CD da edição deste ano dos Novos Talentos FNAC não pára de tocar por aqui!

Little Friend > Samuel Úria

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro
Reportagem fotográfica com o apoio Canon Portugal www.canon.pt/

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