Nova Música: Os heróis da nossa geração

Num fim-de-semana em que a cidade de Lisboa se encheu de música, também o público universitário teve direito a programação. O festival Nova Música, da Universidade Nova de Lisboa, voltou e trouxe heróis para todos os gostos.

Desde que os conhecemos a abrir para Os Mutantes, em 2015, os Ganso ganharam estatuto de heróis. São eles que abrem a nossa noite e, para surpresa, motivo de algumas presenças entre este público mais jovem. É que o grupo da Cuca Monga já leva na bagagem umas quantas canções orelhudas. E é quando alguns destes universitários cantam com entusiasmo as letras de “Brad Pintas”, “Quando a Maldita” ou “Pistoleira” que sabemos que os Ganso são heróis para estes caloiros da música feita em português. A fórmula é simples, na verdade, não requer curso superior, só a passagem do tempo. É a mesma fórmula que, há uns anos, fez de Capitão Fausto heróis da sua (da minha) geração. E Ganso são não apenas da família mas uns discípulos de Capitão Fausto. Rimo-nos quando alguém acha que “vai haver moche”.

Segue-se B Fachada e não podíamos adivinhar o que a seguir acontece. B Fachada é herói antigo mas alguns imberbes espectadores desta noite conhecem, são fãs. Ao piano, sozinho, B Fachada não demora muito a revelar-se o mesmo de sempre, ignorando o passar do tempo e da idade.

A celebrar os dez anos de “Viola Braguesa”, Fachada faz-nos perguntar onde é que estes jovens terão descoberto as canções que estão a pedir. É que “Tó-Zé” (do disco B Fachada é para meninos) saiu quando este público teria uns dez anos. E não tinham mais de 12 quando se estreou Criôlo, com “Quem quer fumar com B Fachada…”. Fachada estende-se para lá do horário, ao ser incentivado por este público, onde os man bun são mais fortes do que muitas barbas.

Samuel Úria fecha a noite e lá para a frente há quem considere este o melhor concerto da sua vida. Vidas ainda tão curtas produzem estes comentários, mas é verdade que Samuel Úria consegue arrebatar todos os públicos. Aqui, as vozes acompanham sobretudo as músicas tiradas dos discos mais recentes. Mas o fervor com que se fazem ouvir é mesmo próprio da idade. Com sangue na guelra, grita-se por cada um dos músicos e vibra-se com os rasgos mais rock da banda. O superpoder de Samuel Úria é a mestria com que manobra a língua portuguesa (mas também podia ser a sua ginga de anca).

É deste material que se fazem as memórias e as curtas vidas universitárias deste público acabam de registar mais uma. Fica bom saber que cada geração escolhe os heróis que mais lhe convém e ainda há quem não se limite a seguir modas. (Qualquer coisa sobre não papar grupos…)

Texto: Filipa Moreno
Fotos: André Clemente Aguiar

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