NOS Alive 2014 Dia II

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Ao segundo dia da última edição Optimus, o agora NOS Alive começa com um funeral, ao qual, por motivos profissionais, não tivemos ocasião de comparecer. O feedback que nos chegou contou-nos que foi um momento memorável, assim como memorável foi a vida dos Vicious Five, banda que transporta uma energia imensa para cada um dos seus concertos.

Russian Red > The Last Internationale

O périplo da noite teria início no palco Heineken com a espanhola Lourdes Hernández aka Russian Red. Muito calor fez com que fossemos inúmeros a buscar abrigo na sombra do que é para muitos o palco secundário do festival, mas que edição após edição vem demonstrando que de secundário não tem nada, tal a qualidade das bandas e dos músicos que por lá vão passando. Assim foi com Russin Red, a madrilena de 29 anos que neste início de tarde deixou muita gente feliz e outros bastante surpresos com a qualidade da sua música. Do alinhamento que trouxe ao NOS Alive destacou-se o seu mais recente registo discográfico, “Agent Cooper”, sendo que assinalamos com dois pontos altos as canções «John Michael» e «Casper». Momento curioso foi quando a cantora reconheceu por entre a plateia um amigo do facebook!

O que já tínhamos ouvido deles clamava por mais atenção, a qual obtiveram na totalidade quando por volta das 19h00 subiram ao palco. Falamos dos Last Internationale que tendo subido ao Palco NOS logo depois dos Vicious Five traziam com eles uma certa onda de revolta, a qual se veio a revelar, e de que maneira, no decurso do concerto. O trio nova-iorquino que conta na bateria com o lendário Brad Wilk (Rage Against the Machine e Audioslave) e a quem se juntam Delila Paz e Edgey Pires, é conhecido pelas suas actuações explosivas e imprevisíveis. Ao NOS Alive vieram apresentar um alinhamento composto de canções mais antigas e outras que vão integrar o próximo álbum, com data de edição prevista ainda para este ano e produzido por Brendan O’Brien, conhecido por trabalhar com artistas como Bruce Springsteen, Pearl Jam e Neil Young. Dona de uma com uma sonoridade que oscila entre os ritmos do blues, do rock’n’roll e até mesmo do punk, a banda não deixou ninguém indiferente, sobretudo em temas como «Crawling Queen Snake» e «Life, Liberty, and the Pursuit of Indian Blood». «Olá nos somos os Last Internationale e viemos de Nova Iorque», grita Delila Paz cuja presença em palco e tom de voz nos fez lembrar Allison Mosshart, dos Kills, ou mesmo Meg White, dos The White Stripes. «Já cá tínhamos estado, mas hoje é diferente pois temos dois membros em palco (no baixo e na guitarra) que são os portugueses», ouve-se. O culminar da revolta latente sentiu-se quando foram proferidas palavras menos simpáticas relativamente ao Primeiro-Ministro português e quando Delila Paz cantou «Grândola Vila Morena» acompanhada pela plateia.

D’Alva > Parquet Courts

Miúdo de sorriso fácil e de olhar luminoso, Alex D’Alva Teixeira é hoje um dos mais fortes valores da nova música nacional. Ali, no Palco Clubbing do NOS Alive estava a realizar um sonho e levou-nos a todos com ele. Música é aquilo e amar a música foi o que se passou naquele palco, em que, acompanhado por Ben Monteiro, Alex afirmou que ser feliz é possível. Se no NOS em Palco foi ele o vencedor da maratona de música que tanta alegria levou ao Cais do Sodré, no NOS Alive foi o vencedor do dia, e quem sabe mesmo do festival, ao trazer até ao Passeio Marítimo de Algés uma pop bem feita, ritmada e com classe. Acompanhado do coro Gospel Collective fez assentar o alinhamento do concerto no recentemente lançado “#batequebate” cujos temas transmitem uma frescura como poucas vezes se vê por cá. Ninguém parou, houve muita dança, muitas palmas e qb de emoção. Naquele momento viveu-se o nascimento de uma estrela! «Frescobol» o single do disco teve honras de cicerone, abrindo a pista de dança para os muitos que se iam por ali juntando. Depois foi uma festa da qual, orgulhosamente, fizemos parte. Fiquem atentos pois os D’Alva vieram para ficar!

O anuncio da sua vinda ao festival foi para nós uma das melhores notícias, pois há muito que desejávamos pôr-lhes a vista em cima. Oriundos de Nova Iorque, os Parquet Courts foram tudo o que sabíamos que iam ser: uma banda de alma punk rock que, a rasgar as guitarras na companhia de uma bateria forte, faz pulsar o coração de quem, como nós, gosta de Sonic Youth (sim, foi impossível não detetar certas semelhanças). «Instant Dessasembly» fez com que quem nos acompanhava dissesse «tinhas razão, os gajos são bons», ao que nós respondemos, são muito bons. Tendo lançado o seu primeiro registo discográfico em 2011, “American Specialties”, os Parquet Courts foram ganhando maior destaque junto de uma imprensa underground, angariando cada vez mais fãs. “Light Up Gold” chega no ano seguinte tendo sido bastante elogiado tanto pela crítica como pelo público. Já em 2013 chega “What’s Your Rupture?” servindo de base para muitos dos mais recentes alinhamentos dos seus concertos. Riffs a abrir e canções a ferver fizeram com que não nos afastássemos dali…que voltem, estaremos por cá à espera.

Keep Razors Sharp > MGMT

Algures a meio da tarde era hora de passarmos no Coreto. O motivo? Muito simples, apenas três palavras: Keep Razors Sharp. O projeto nacional composto por Afonso Rodrigues dos Sean Riley and the Slowriders, Luís Raimundo dos Poppers, Carlos António dos Riding Pânico e Bráulio dos Capitão Fantasma é para nós uma das melhores revelações dos últimos tempos no que à música que se faz por cá diz respeito. Se já os tinhamos visto em palco quando preencheram de boa música a primeira parte dos britânicos TOY, agora, ali sozinhos e à luz do fim de dia tivemos a certeza: caramba que bons que eles são! Verdadeira super banda do universo musical português, os Keep Razors Sharp surgem como um colectivo homogéneo onde tudo faz sentido. Juntos caminham até ao destino final: música que nos eleva acima do chão, que nos faz fechar os olhos e viajar…e como nós gostamos de viajar com eles!

Não sendo a nossa praia, os MGMT fizeram muita gente dançar. Canções leves e bem dispostas proporcionaram bons momentos festivaleiros, daqueles que muitos vão guardar nas selfies que ao longo do concerto iam tirando.
«Congratulations» dá o pontapé de saída, sendo que os pontos onde a plateia mais se movimentou foram, claro está, «Kids» e «Time To Pretend» ambas recebidas de uma forma muito calorosa. Antes de «Introspection», cover de Faine, Jade Andrew VanWyngarden dedica-a à lua. «Flash Delirium» deu vida ao auge da festa e «Electric Feel» cativou todos. Festa pura, o concerto dos norte-americanos.

Sam Smith > The Black Keys

Sam Smith foi o senhor que se seguiu no Palco Heineken. Muita gente à sua espera. Gente nova que percebemos depois sabia as suas músicas de cor e salteado. Nome já consagrado no Reino Unido, país do qual é oriundo, Sam Smith chegou recentemente ao topo da tabela de vendas em terras de Sua Majestade. É ele a voz de «Latch», dos Disclosure, de «La la la», de Naughty Boy e de «Money on My Mind», mas foi com «Not The Only One» e «Stay With me» que deixou o público deveras encantado, ou mesmo eufórico.

Hora e meia de concerto não fizeram deste o melhor concerto na noite. Certo é que queríamos tirar teimas relativamente ao concerto que deram no MEO Arena, mas a realidade é que ainda não foi desta que os Black Keys nos arrebataram ao vivo. Espaços demasiados longos entre as músicas faziam esfriar a emoção que à partida podia fazer parte integrante de cada uma delas. O som do palco NOS também não ajudou, assim como o vento que se fazia sentir. Bem recebidas foram «Gold On The Ceiling», «Money Maker», de “El Camino”, e «Howlin’ For You», de “Brothers”. A terminar o concerto, como que a tentar salvar a alma do convento, uma tripla composta por «Tighten Up», «Fever», do novo disco “Turn Blue”, e «Lonely Boy», apelando à dança numa despedida que aqui confessamos se pretendia mais feliz. Com Dan Auerbach e Patrick Carney sozinhos em palco era altura do encore, o qual aconteceu com «Little Black Submarines» e «I Got Mine».

Buraka Som Sistema > Au Revoir Simone

Não falham. Em cima do palco e com o público certo, os Buraka Som Sistema são uma máquina bem oleada onde tudo está cronometrado para dar certo. Quase que a casa vinha abaixo com o «kuduro progressivo» que tanta fama e sucesso lhe têm trazido. Com o novo registo discográfico, “Buraka” voam até novas paragens explicadas por Kalaf, «estamos a falar de sítios que não tenham visibilidade». Cá em baixo na plateia era grande a festa, com muita alegria e dança à mistura. «Hangover (Bababa)», «Yah» até «Vuvuzela» ou «Parede» não deixaram ninguém parar. No Palco NOS a sensualidade e o talento de Blaya faziam o resto, o que não era pouco! «Kandongueiro» e «Komba» ajudaram à festa, «Sound Of Kuduro» e «Kalemba» foram memoráveis. «Voodoo Love» fechou com chave de ouro este regresso a casa dos Buraka Som Sistema.

Doces vozes, as das três nova-iorquinas que compõem as Au Revoir Simone que fizeram com que a nossa noite terminasse de uma forma tranquila e calma. Donas de uma beleza suave, fizeram desfilar pelo Palco Heineken um alinhamento coerente do qual destacamos «Knights Of Wands», «More Than» e «Somebody Who», do registo discográfico “Move in Spectrums”, lançado em Setembro de 2013. Magia a terminar a nossa segunda noite no NOS Alive 2014.

A equipa Look Mag ficou alojada no íbis Alfragide. Localizada a poucos quilómetros do recinto do festival, a unidade hoteleira recebeu os festivaleiros com toda a comodidade. Pequeno-almoço até ao meio dia e wi fi grátis em todos os espaços da unidade fizeram a diferença. Equipado com estacionamento privado destinado aos hóspdes, o ibis Alfragide surge como a escolha certa para quem quer aproveitar ao máximo os dias de música e animação do festival que a partir de agora dá pelo nome de NOS Alive. Mais sobre as condições da ibis para os festivais de verão em https://lookmag.pt/blog/ibis-e-os-festivais-de-verao/. Para reservas: http://www.accorhotels.com/pt/hotel-5270-ibis-lisboa-alfragide/index.shtml

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro e Arlindo Camacho NOS Alive (The Black Keys)

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