Norton: o aguardado regresso
Um regresso muito anunciado e esperado. Foi este o mote para a noite de 15 de Março, quando os Norton deram a conhecer no Teatro do Bairro o seu mais recente trabalho, disco número quatro na carreira de 10 anos da banda de Castelo Branco.
Acabado de estrear, o novo álbum vai buscar título à própria banda – como não pode faltar a qualquer grupo que almeje da consagração. “Norton” foi apresentado pela primeira vez ao público, num concerto muito aguardado. Era palpável o entusiasmo de conhecer ao vivo as músicas que andam a tocar há cerca de uma semana. Quando entraram em palco Pedro Afonso (voz e guitarras), Manuel Simões (guitarra e voz), Leonel Soares (baixo) e Rodolfo Matos (bateria), a noite já estava ganha.
“Layers” abriu o alinhamento, ainda que com um impasse inicial. Os problemas técnicos (que se repetiram durante a apresentação) não detiveram os Norton. (E se tiveram algum efeito no concerto foi o de aproximar ainda mais a banda ao público.) «É bom estar de volta», diz o “frontman”, Pedro Afonso.
“Japan” e “Daydreams” mantêm o alinhamento no álbum de 2011, “Layers of Love United”. Depois do aquecimento, surge “Magnets”, o primeiro (e potente) avanço do novo disco que Pedro Afonso faz questão de explicar: «é para começar o bailarico». “Magnets” tem uma bateria aguerrida e linhas de guitarra bem pensadas, traço mais cativante da música. Mas o público falha no obrigatório acompanhamento com palmas.
Redime-se logo de seguida por saber acompanhar as novas “Düe” e “Drifting Ballet”. Na verdade, este não parece um concerto de apresentação mas antes um reencontro com o público, que devolve ao palco o calor que daí é projectado. Uma banda a ressacar de ano e meio longe dos palcos.
Regressa-se ao passado com “Glowing Suite” (“Layers of Love United”), volta-se a tocar no novo disco com “European” e, depois, um dos momentos altos. “Two Points” arranca com problemas mas sem embaraços e o público gosta assim, porque adere com vontade ao refrão: “turn it up, turn it down, turn it all around”. Mas Pedro Afonso não está satisfeito e passeia entre o público a exigir um acompanhamento mais alto. O público reage. “Up… Down… All around”. Faz-nos pensar o que poderá seguir-se. A chave de ouro é, geralmente, guardada para o final… “Premiere” surge logo de seguida. É nova mas tem capacidade para atingir o “hype” de “Two Points”.
Na música dos Norton existe uma constante que não cansa. A fórmula não é complexa: inícios calmos que rebentam em refrões enérgicos, retomando depois o ritmo inicial. O segredo está em executar esta fórmula com grande competência.
Antes do encore, a banda apresenta “Brava” (2014). É perfeita para a primeira despedida da noite. Com uma troca de versos entre Pedro Afonso e Manuel Simões, a dinâmica de vozes responde ao ritmo que a música pede. Ou que a música exige. E esta música exige que se dance.
A segunda parte abre com “Directions”, um instrumental de sete minutos retirado do disco homónimo que nos leva de volta para o início do concerto. Recuperou-se a energia e a vontade dos primeiros acordes.
No recente “Norton”, os instrumentais têm garra que podia dispensar facilmente as vozes. “Directions” é prova disso mesmo ao transportar o público para dentro do universo criativo dos Norton, entretanto embrenhados num momento de verdadeira abstracção. “Coastline” não é “Two Points” mas executa com distinção a função de encerrar o alinhamento e a noite.
Está inaugurada a pequena digressão dos Norton, que levam o novo álbum ao Porto a 21 de Março; a Castelo Branco no dia seguinte; a Portalegre a 28 de Março; e a Guimarães no dia 29. Em Abril, partem para Espanha.
Texto: Filipa Moreno
Foto: Joana Viana
