Noite memorável com os Motionless In White na Sala Tejo
Na noite de 7 de Março de 2026, a Sala Tejo da MEO Arena, em Lisboa, transformou-se numa verdadeira romaria. A banda norte-americana Motionless In White, conhecida pelo seu metalcore industrial, estética gótica e performances teatrais, estreou-se em Portugal com um concerto que foi muito mais do que música: foi uma experiência visceral, cinematográfica e eletrizante, onde som, imagem e emoção se fundiram numa simbiose perfeita.
Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro
Formada em 2005 em Scranton, Pensilvânia, por Chris Motionless, os Motionless In White rapidamente se destacaram pelo seu estilo ousado e teatral. Desde então, têm evoluído constantemente, combinando elementos de metalcore, industrial, gótico e hardcore, criando uma identidade única no panorama do metal contemporâneo. Ao longo dos anos, a banda lançou álbuns icónicos como Creatures (2010), Infamous (2012), Reincarnate (2014), Graveyard Shift (2017), Disguise (2019) e Scoring the End of the World (2022), cada um demonstrativo da sua evolução sonora marcada pela intensidade e pela experimentação. A formação actual inclui Chris Motionless nos vocais, Ryan Sitkowski e Ricky “Horror” Olson nas guitarras, Justin Morrow no baixo e Vinny Mauro na bateria. Chris Motionless é o rosto e a voz carismática da banda, com uma presença em palco única e um estilo visual icónico. Ryan e Horror não são apenas talentosos na guitarra: o seu visual gótico e marcante, com roupas cuidadosamente escolhidas, piercings e detalhes de maquilhagem, transforma cada riff num espetáculo não só sonoro, mas também visual, reforçando a atmosfera dramática do concerto. Justin e Vinny sustentam a base rítmica com precisão e energia, tornando cada tema num turbilhão sonoro envolvente. O concerto começou com OIIA (Spinning Cat), um arranque explosivo que imediatamente colocou a plateia em movimento. Entre temas poderosos como Meltdown, Sign of Life, A‑M‑E‑R‑I‑C‑A, Thoughts & Prayers, Voices, Necessary Evil, Slaughterhouse, Rats e o emotivo City Lights, a banda guiou a audiência numa viagem emocionalmente intensa.
Mas não foi apenas a música que impressionou. O espetáculo visual elevou a experiência a outro nível: bailarinas góticas com lançadores de fogo coreografaram movimentos sincronizados com riffs e breakdowns, iluminando o palco e criando momentos cinematográficos de pura intensidade. No tema A‑M‑E‑R‑I‑C‑A, papelotes foram lançados sobre o palco e a plateia, transformando dando ao ambiente um efeito vibrante e festivo. Chris Motionless destacou-se pelo ar feliz e genuíno com que se dirigiu à plateia, cumprimentando fãs, sorrindo e celebrando cada momento. A camisola que vestia, com a icónica frase “Boys Don’t Cry”, homenagem ao álbum dos The Cure, complementava de forma intensa a estética da banda, reforçando a sua personalidade multifacetada. Um detalhe que convém assinalar foi a presença de famílias na plateia, com pais e filhos a cantaram juntos, vibrando com cada tema e cada explosão de fogo, mostrando que a banda consegue atravessar gerações e criar momentos de comunhão emocional, uma prova de que o metal pode ser intenso e, ao mesmo tempo, inclusivo e familiar. Ao longo do concerto, os Motionless In White demonstraram possuir o domínio absoluto do palco, combinando potência musical, teatralidade e uma ligação rara com o público. Cada música, cada chama e cada papelote lançado contribuíram para uma atmosfera de paixão, energia e celebração coletiva. Quando os últimos acordes de Eternally Yours ecoaram e a luz iluminou a sala o que vimos à nossa volta foram sorrisos emocionados. Os Motionless In White deixaram a sua marca no público numa estreia que ficará para sempre na memória de todos.
A Sala Tejo, no MEO Arena, fervilhava de energia quando os Dayseeker subiram ao palco. Para os muitos fãs que ali se encontravam este não era apenas um concerto: era uma viagem, uma experiência todos ansiavam por viver. A abrir, “Pale Moonlight” invadiu a sala. Desde o primeiro acorde, percebemos que o publico pulava vibrantemente ao som de cada nota, como se a banda tivesse o poder de traduzir as emoções que cada pessoa estava a sentir em sons. Rory Rodriguez estava ali, vulnerável e feroz ao mesmo tempo. O concerto foi uma montanha-russa de sentimentos. “Shapeshift” e “Burial Plot” levantaram a adrenalina, enquanto “Without Me” e “Crying While You’re Dancing” criaram momentos de pura intimidade, como se a banda sussurrasse diretamente ao coração de cada pessoa que enchia a sala de espetáculos lisboeta. Cada música tinha o seu propósito: provocar, abraçar, fazer sentir. A meio do set, “Creature in the Black Night” e “Sleeptalk” dominaram a sala. O grande final, com “Neon Grave”, foi uma explosão de luz e emoção com a qual deixaram boas memórias nos muitos que ali estavam para os ver
A banda australiana Make Them Suffer é uma força imparável no metal moderno, capaz de combinar brutalidade, emoção e técnica de forma única. Formada em 2008 em Perth, Austrália Ocidental, a banda rapidamente se destacou por criar um som que mistura metalcore, deathcore e camadas sinfónicas, resultando em músicas que são ao mesmo tempo poderosas, melancólicas e arrebatadoras. O seu quinto álbum, auto‑intitulado, lançado a 8 de novembro de 2024, trouxe uma nova dimensão à banda com a entrada do talentoso Alex Reade nos teclados e vocais limpos, acrescentando uma atmosfera etérea e emocional que contrasta com a agressividade das guitarras e baterias. No palco e no estúdio, os Make Them Suffer vivem através de músicos que são verdadeiros pilares da sua identidade. Sean Harmanis, com a sua voz visceral e intensa, transmite tanto fúria quanto vulnerabilidade; Nick McLernon, guitarrista e vocal de apoio, constrói riffs técnicos e melodias que emocionam; Jaya Jeffery, no baixo, oferece a fundação firme que sustenta cada canção; Jordan Mather, na bateria, dita o ritmo com precisão e paixão; e Alex Reade, com os seus teclados e harmonias limpas, adiciona textura e profundidade, tornando cada música uma experiência completa e emocionante. Lisboa teve a sorte de sentir esta intensidade ao vivo. Na Sala Tejo do MEO Arena, a banda subiu ao palco como parte de uma turnê europeia que também trouxe Motionless In White e Dayseeker. A energia na sala era palpável com os fãs a entregaram-se completamente, em mosh pits e cantando cada verso com devoção. Apesar de algumas filas intermináveis à entrada, a emoção de ouvir canções como “Ghost of Me”, “Epitaph” e “Erase Me” ao vivo fez com que cada minuto de espera valesse a pena. Em Lisboa, como em tantos outros lugares do mundo, os australianos provaram que o seu som não apenas sobrevive, mas conquista corações.
Motionless In White
Dayseeker
Make Them Suffer