Não chegou a Portugal…e espera por nós nas Amoreiras

Vivemos tempos complicados em que os sonhos ficam quase sempre relegados para segundo plano. Mas ainda há quem continue a sonhar e a acreditar nas potencialidades do nosso país, como João Pedro Amorim e Inês Guimarães Correia. Ligados desde sempre ao universo da hotelaria, primeiro em Portugal e depois na Suíça, tiveram a coragem de, num volte-face tremendo, apostarem numa carreira de empresários trazendo para o nosso país a marca brasileira de calçado desportivo, NÃO.

Como surgiu a ideia de trazerem para cá a marca Não?
Inês Guimarães Correia – A ideia surgiu de uma forma muito espontânea. Eu e o João Pedro estávamos a viver em Genebra, e num fim de semana mais extenso decidimos fazer uma viagem até Nice, seguida de um tour pela Côte d’Azur. Durante três dias percorremos e visitamos não só Nice, mas também Cannes e St. Tropez. Foi precisamente numa das ruas principais de Cannes que descobrimos, no meio de um sem-número de lojas a NÃO do Brasil.
Ficámos completamente extasiados com a cor e com o conceito por detrás dos ténis e só saímos da loja depois de a empregada nos dar todas as informações que pretendíamos! Na posse do nome do dono da marca, dedicámo-nos à descoberta, já em Genebra, de todos os contactos, de forma a apresentarmos o nosso projecto. Na realidade, assim que descobrimos a loja e conforme íamos sabendo mais sobre a marca, mais certos estávamos de que queríamos trazer a NÃO para Portugal. Mas não podemos negar que perante a conjuntura económica que se começou a formar por cá ainda hesitámos uma pouco, mas foi um hesitar muito curto e que rapidamente se desvaneceu. Era um facto: o desejo de trazer a marca para Portugal era irreversível.
João Pedro Amorim – Ao conhecermos a marca sentimos logo o apelo do conceito. Face ao clima, ao preço de venda e à facilidade de interacção do produto, julgámos que seria uma excelente oportunidade trazê-lo para Portugal.

Mas que conceito é esse tão especial que está por detrás da marca Não?
JPA – Os ténis NÃO são uns ténis ecléticos que alcançam todas as faixas etárias sem serem sectários. Na nossa perspectiva e do ponto de vista financeiro estão muito bem posicionados face aos produtos que já existem no mercado, são totalmente fabricados à mão, pesam em média 120 gramas e são ergonomicamente muito adaptáveis ao pé.
Na verdade os ténis NÃO são uns ténis diferentes, são um produto que não existia no mercado português e que oferece 228 modelos distintos, estando disponível do número 18 ao 47.  O que transforma os NÃO num produto ecléctico e tão especial é o facto de que será difícil que alguém que entre na nossa loja não se identifique com um dos modelos que possuímos. E, foi exactamente isto que nos levou a acreditar que há uma janela do mercado para este produto.

Abertos desde 05 de Janeiro qual tem sido a aceitação por parte do público?
JPA – Tem sido boa. Há muita curiosidade…
IGC – As pessoas entram na loja já com um sorriso no rosto  e isso é a resposta àquilo que nos também queremos transmitir: esta cor, esta alegria é como dar uma lufada de ar fresco.

Quem adere mais ao conceito NÃO? O público masculino ou o feminino?
IGC – É um pouco transversal, tanto os homens como as senhoras gostam. E também as crianças e as pessoas mais velhas, que à partida poderiam não se identificar com o conceito, mas que devido à variedade de opções acabam por encontrar um modelo que lhes agrade.
JPA – A reacção das pessoas é muito espontânea aqui na loja. Já no online, na interacção de marketing online a mulher é mais interventiva, coloca mais gostos, por exemplo, no Facebook.

Com lojas em várias partes do mundo, como Paris, Berlim, Cannes, ou La Reunion, os produtos disponíveis cá são iguais aos dos restantes spot de vendas? Ou há uma atenção em seguir o que cada mercado pede?
JPA – O conceito do produto em si é desviar o “mind set up” do público, ou seja, surpreender para mudar os conceitos pré-estabelecidos. Assim cabe-nos a nós mostrar a quem nos procura que existem uma quantidade de modelos que lhe podem agradar, mesmo que não sejam o que por norma usa. Sugerimos que se ouse, que se mude e, porque não, que se arrisque .

Como surgiu o nome da marca?
IGC – O nome baseia-se na lenda do Adilson, um menino brasileiro cuja família tinha poucas possibilidades económicas. Sempre que o menino pedia uns ténis, a resposta era invariavelmente “NÃO”. Para evitar andar descalço, a criança recolhia diferentes tecidos e materiais que encontrava na favela e fazia os seus próprios ténis… Consta que se tornou num homem de sucesso e quando lhe perguntam qual o nome dos seus ténis, a resposta é: NÃO.
Mas a marca é francesa e o primeiro franchising foi em Londres, sendo que a nossa é a sétima loja da marca.

https://www.facebook.com/NAOdoBrasilLisboa
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