ModaLisboa Vision – Dia II

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O segundo dia da ModaLisboa Vision ficou marcado por um conjunto de desfiles que, mais ou menos impressionantes, deram a conhecer propostas interessantes. Tecidos, formas e detalhes encheram o Pátio da Galé de muita harmonia e beleza.

Numa «interpretação pessoal do universo pessoal e da poesia de Sophia de Mello Breyner Anderson», Nuno Baltazar apresentou um elegante conjunto de propostas para o próximo outono/inverno. Uma década depois do desaparecimento da poetisa, a relação que a mesma manteve com o mar foi o ponto de partida para Nuno Baltazar criar e dar vida a uma coleção urbana e sofisticada.
«A silhueta é feminina, em X e H com especial destaque para o trabalho de godés e jabots que conferem tridimensionalidade aos looks, que oscilam entre propostas confortáveis e “easy wear” por oposição a imagens poéticas e fantasiosas», afirma Nuno Baltazar. Lãs, viscoses, “jacquards”, póneis e feltros exteriores coexistem com crepes de seda lisos ou estampados, “organza” e “mud silk”, com a paleta de cores a dividir-se «em múltiplos azuis, meia-noite, céu e ultramarino, tons de cinza em chumbo, fumo e nuvem. Nos contrastes surgem tons de barro e rosa “poudre” e toques metálicos em estampados “foil”», esclarece o criador.

Lidija Kolovrat apelidou de «Legend» a coleção que trouxe à ModaLisboa Vision. Silhuetas com sobreposições e formas amplificadas como os músculos de um super-herói e os diferentes padrões que transformam as personagens num misto de personalidades, desfilaram na passarela com o cinza suave do céu ao azul elétrico, preto e branco como cores base.

Saymyname, marca portuguesa de vestuário, trouxe à ModaLisboa Vision uma coleção inspirada na juventude da década de noventa, época em que o preto funcionava quase como uma segunda pele e quando os “os esqueletos” se transformaram em adereços.
Os cortes surgiram inspirados nas linhas da clavícula e da pélvis, algumas com o contraste do vinil outro tom sobre tom, as «costas numa só cor e as frentes em misturas de cor contrastam, tal como o positivo e o negativo, lado a lado».

Grande desfile do criador Luís Carvalho na ModaLisboa Vision. Para o jovem designer de moda de Vizela, que trabalhou como assistente nos ateliês de Filipe Faísca e de Ricardo Preto, a participação na ModaLisboa tem vindo a funcionar como uma «rampa de lançamento».
Apelidada de «Blurred Nature» a coleção, inserida na seção LAB, trouxe uma conjunto de propostas inspiradas numa «paisagem de inverno, desfocada pelo nevoeiro».
No comunicado o estilista refere que o «ton sur ton, transparências e várias layers criam esta ilusão de desfocado. Um contraste de formas orgânicas e rígidas que surge também em materiais entre o fluído e estruturado». O preto, o cinzento, o cru e o vermelho foram as cores escolhidas.

Criador convidado da ModaLisboa Vision, o polaco Lukasz Jemiol utiliza o design para conceber formas únicas. O estilista atribui especial atenção aos acabamentos, brincando com vários componentes de forma a criar “fashion puzzles”. Design moderno e artesanato desta vez convivem, apontando para o futuro.
Lukasz Jemiol concentra-se em tecidos de elevada qualidade produzidos em fábricas tradicionais que combinam design moderno e artesanato. Materiais tecnológicos, sedas, jacquards exclusivos são predominantes nos tecidos escolhidos.

«Ao minimalismo do corte junta-se a força das matérias, como a seda, a lã, as fazendas, o modal e a caxemira, fazendo renascer uma silhueta feminina em simbiose com o Tempo e o Universo. Em cores como o preto, o azul escuro, o verde, o menta e o branco, esta coleção junta a delicadeza ao conforto, representando uma Mulher à altura dos desafios contemporâneos, onde a gestão do triângulo é o ponto de partida», afirma Ricardo Preto. «Aqui e Agora, é onde as linhas geométricas, fazendo lembrar a Arquitetura Contemporânea e os clássicos restaurados, se fundem com a Fluidez da Natureza, onde nada se perde e tudo se transforma», descreve o estilista.

Versatilidade e conforto: palavras-chave das peças apresentados por Luís Buchinho na ModaLisboa Vision. Bastante minimalista, a coleção consegue agradar sem questionar, provando, mais uma vez, porque é Luís Buchinho um dos estilistas nacionais com maior projeção internacional.
Na sua coleção de «knitwear» (malhas)para o próximo inverno, o criador deu vida a «saias evasé de modelagem orgânica e macacos de corte reto, executados em jerseys stretch, que são coordenados com tops e blusas em crepe de viscose dupla face».
As cores passeiam-se entre os azuis fortes, os cinzentos, o branco, o chocolate, o «bordeaux» e os rosas vivos.

https://lookmag.pt/blog/modalisboa-vision/

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Joaquim Machado

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