Metallica homenageiam Accept com versão surpresa de “Fast As A Shark” em Frankfurt
Os Metallica continuam a transformar a digressão M72 World Tour num verdadeiro laboratório de surpresas ao vivo. No concerto de 24 de maio, no Deutsche Bank Park, em Frankfurt, a banda prestou homenagem ao heavy metal alemão com uma inesperada versão de “Fast As A Shark”, clássico dos Accept originalmente editado em Restless and Wild (1982).
O momento aconteceu durante os já habituais “doodles”, segmento conduzido por Kirk Hammett e Robert Trujillo, que se tem afirmado como um dos pontos mais imprevisíveis dos concertos da banda. Executada apenas com guitarra e baixo, a interpretação manteve o espírito cru e espontâneo que caracteriza estas jams, arrancando uma reação entusiástica do público alemão.
Os “doodles” nasceram de forma quase acidental durante uma digressão europeia anterior, quando Hammett e Trujillo perceberam que tocar temas menos conhecidos dos Metallica sem a presença de James Hetfield não gerava a ligação esperada com o público. A solução passou por explorar versões improvisadas de músicas icónicas — muitas vezes ligadas à cultura local de cada cidade.
Desde então, a dupla tem vindo a adaptar o conceito, interpretando temas tão diversos como canções tradicionais checas ou flamenco espanhol. Em Frankfurt, a escolha de “Fast As A Shark” surge como um aceno direto à herança do speed metal germânico, género ao qual o tema dos Accept está profundamente associado.
Iniciada em abril de 2023, em Amesterdão, a M72 World Tour já levou os Metallica a tocar para cerca de quatro milhões de fãs em todo o mundo. Para além da dimensão cénica — marcada por uma produção ambiciosa e palcos de grande escala — a digressão mantém uma forte componente solidária através da fundação All Within My Hands.
Criada em 2017, a organização canaliza parte das receitas dos concertos para projetos locais, apoiando iniciativas de educação técnica, combate à insegurança alimentar e ajuda em situações de catástrofe.
O alinhamento do concerto em Frankfurt refletiu a habitual mistura entre clássicos incontornáveis e temas menos óbvios da discografia da banda. Canções como “Enter Sandman”, “One” ou “Fade to Black” coexistiram com faixas como “The Shortest Straw” ou “Leper Messiah”, além de momentos instrumentais como “The Call of Ktulu”.
Num espetáculo onde a nostalgia convive com a reinvenção, os Metallica continuam a provar que, mesmo décadas depois, ainda encontram formas de surpreender — seja através de grandes produções ou de pequenos momentos improvisados que aproximam a banda do público.