Metallica: “Black Album” celebra 35 anos de uma revolução que mudou o metal para sempre
Lançado a 12 de agosto de 1991, o quinto álbum dos Metallica transformou uma das maiores bandas de thrash metal do mundo num fenómeno global. Três décadas e meia depois, Metallica, conhecido universalmente como Black Album, continua a ser um dos discos mais influentes da história do heavy metal.
Há álbuns que marcam uma época. E há outros que conseguem mudar a própria história da música. Metallica, quinto álbum de estúdio dos Metallica, pertence claramente à segunda categoria. A 12 de agosto de 2026, o disco celebra 35 anos, três décadas e meia depois de ter levado a banda de São Francisco a uma dimensão de popularidade que poucos poderiam antecipar.
Conhecido simplesmente como Black Album, devido à sua icónica capa negra, o disco representou uma mudança profunda relativamente ao thrash metal complexo e agressivo dos primeiros anos da banda. Em vez de procurar provar constantemente a sua capacidade técnica, os Metallica concentraram-se em criar canções mais directas, pesadas, melódicas e capazes de funcionar perante enormes multidões.
A própria banda estava consciente dessa necessidade. James Hetfield explicou, na altura, que aquilo que realmente procuravam era “uma sensação de apresentação ao vivo”.
Quando os Metallica decidiram mudar as regras
As sessões de gravação do álbum decorreram no One on One Recording Studio, com Bob Rock na produção. O processo esteve longe de ser simples. Durante cerca de oito meses, a banda e o produtor trabalharam intensamente num disco que obrigou os Metallica a questionarem vários dos princípios que tinham definido a sua carreira.
A produção de Rock trouxe uma abordagem mais musculada e cristalina, mas também obrigou os músicos a repensar a construção das canções.
O resultado foi um álbum onde os riffs continuavam a ser fundamentais, mas conviviam com estruturas mais simples, refrões memoráveis, vozes mais trabalhadas e uma dimensão melódica muito mais evidente.
O exemplo mais imediato foi “Enter Sandman”, cuja introdução se tornou um dos riffs mais reconhecíveis da história do rock. Mas o disco estava longe de depender de um único tema.
“Sad But True”, “Wherever I May Roam”, “The Unforgiven”, “Nothing Else Matters”, “My Friend of Misery” e “Of Wolf and Man” ajudaram a construir um álbum que conseguia alternar entre peso, melancolia, agressividade e emoção.
“Nothing Else Matters” abriu uma nova porta
Poucas músicas simbolizam melhor a transformação dos Metallica do que “Nothing Else Matters”.
Uma balada construída em torno de guitarra acústica, voz e uma abordagem profundamente emocional, o tema afastava-se das convenções do thrash metal e permitia à banda chegar a um público que até então poderia nunca ter ouvido Metallica.
O resultado foi extraordinário.
O Black Album vendeu 598 mil cópias apenas na primeira semana e chegou ao primeiro lugar em dez países, permanecendo quatro semanas no topo da Billboard 200.
O sucesso não se limitou aos Estados Unidos. O disco acabaria por vender mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo, tornando-se um dos álbuns mais vendidos da história da música pesada.
Nos EUA, ultrapassou os 20 milhões de unidades vendidas e recebeu certificação de diamante duplo.
De fenómeno do metal a fenómeno mundial
O impacto do Black Album ultrapassou definitivamente as fronteiras do metal.
Em 1991, os Metallica já eram uma referência incontornável do género, mas o novo álbum colocou a banda perante uma audiência muito mais abrangente. O grupo passou de salas e arenas para alguns dos maiores palcos do planeta.
Um dos momentos mais simbólicos aconteceu em Moscovo, onde os Metallica actuaram perante uma multidão estimada em até 1,6 milhões de pessoas, num concerto que se tornou histórico.
A dimensão alcançada pelo álbum também se reflectiu na longevidade. Metallica permaneceu durante mais de 550 semanas na tabela Billboard 200, um feito que ajudou a colocá-lo lado a lado com clássicos como The Dark Side of the Moon, dos Pink Floyd.
O preço do sucesso
A história do Black Album também teve momentos negros.
Durante a digressão, James Hetfield sofreu queimaduras graves em Montreal, em 1992, depois de entrar numa zona de chamas durante a execução de “Fade to Black”.
O acidente obrigou a banda a interromper temporariamente a digressão, mas não travou o impacto do álbum.
Ao mesmo tempo, os Metallica continuavam a lutar pelo controlo da sua carreira e da sua música, numa altura em que o crescimento comercial colocava novas pressões sobre a banda.
35 anos depois, continua a soar actual
Três décadas e meia depois, o Black Album permanece como um daqueles discos que não precisam de nostalgia para justificar a sua importância.
O álbum mostrou que uma banda podia abandonar parte da complexidade que a tornara famosa sem perder peso, identidade ou credibilidade. Mais do que uma mudança de som, foi uma demonstração de confiança: os Metallica perceberam que não precisavam de repetir o passado para continuar a ser Metallica.
Foi essa capacidade de transformação que ajudou o disco a atravessar gerações.
35 anos depois, “Enter Sandman” continua a ser reconhecível nos primeiros segundos, “Nothing Else Matters” permanece uma das baladas mais emblemáticas do rock e o Black Album continua a ser a porta de entrada de milhões de pessoas para o universo dos Metallica.
Não é apenas um álbum que fez história.
É um dos discos que ajudaram a redefinir o que o metal podia ser.