Mark Lanegan em Lisboa

Noite chuvosa a última de março em que Mark Lanegan veio a Lisboa apresentar-se num concerto marcado para a sala TMN ao vivo. Facto que nem calhou mal tendo em conta o ar soturno que conhecemos ao cantor e compositor norte-americano, reconhecido pela voz grave e profunda. Pouco depois de termos chegado, as luzes apagaram-se e entraram em palco primeiro os músicos, depois Mark Lanegan.

A meio do palco, “escondido” pelo microfone, posição que não abandonaria durante todo o concerto, Lanegan surgia como uma imagem meio desfocada emoldurado por um cenário de luzes que lhe acentuavam a aura algo misteriosa que todos lhe reconhecemos.

Começou com “When Your Number Isn’t Up”, do anterior trabalho Bubblegum (2004). De seguida, e reconhecida pelo público logo aos primeiros acordes, foi a vez de “The Gravedigger’s Song”, do novo Blues Funeral (2012). Primeiro momento alto do concerto que provou a inegável popularidade deste último trabalho do homem que fez parte dos Screaming Trees, banda que recordou ao cantar “Wedding Dress” e “Crawlspace”.

Recordemos que na mesma época dos Screaming Trees, Lanegan passou também pelo mega projecto grunge Mad Season, onde estavam membros dos Alice in Chains, Pearl Jam e The Walkabouts, sendo que nos anos posteriores acabaria por participar em diversos álbuns de bandas como Queens of the Stone Age. Bastante activo e com uma carreira diversificada, Lanegan participou também em diversos trabalhos de outros cantores, como PJ Harvey e Melissa Auf Maur. Um dos seus projectos mais aclamados pela critica especializada foi o álbum Ballad of the Broken Seas, lançado em 2006 e no qual contou com a parceria da ex-vocalista dos Belle & Sebastian, Isobel Campbell.

O concerto continuou com um público já absolutamente rendido à voz e à presença de Lanegan, que prosseguiu com “Gray goes Black”, “Quiver Syndrome” e “Riot on My House”, de Blues Funeral, altura em que corpos, cabeças e demais partes se abanaram e movimentaram para lembrar que dançar ao som do senhor dos blues também é possível. Lanegan teve ainda tempo para recordar os Leaving Trains, ao interpretar a canção “Creeping Coastline of Lights”.

Seguiram-se “Ode To Sad Disco”, “St. Louis Elegy” após as quais Mark Lanegan se retirou de palco… para voltar logo de seguida e dar aos fãs mais três músicas, “Pendulum”, do álbum Whiskey For The Holy Ghost (1994), “Harborview Hospital”, de Blues Funeral (2012), e “Methamphetamine Blues”, do trabalho Bubblegum (2004) música que fechou o concerto em modo festa!

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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