Luís Severo lança “O Sol Voltou”. O pretexto certo para dois dedos de conversa

Pôs de parte as expectativas que o álbum homónimo de 2017 criou à volta da sua música. Luís Severo regressa agora com um disco que a todos apanhou de surpresa.

O concerto de apresentação em Lisboa esgotou logo, sinal do entusiasmo que o novo trabalho trouxe. “O Sol Voltou” é o título do disco, um reflexo de alguém que entrou numa fase diferente da vida, que escreve agora com menos rodeios. Mas é o mesmo Severo que conhecemos.

A chegada deste disco apanhou-nos de surpresa. Sem qualquer single lançado antes, o propósito foi mesmo surpreender?
O propósito principal foi lançar um disco por inteiro, sem ter havido um contacto parcial prévio. A parte da surpresa veio depois, como uma consequência engraçada que essa ideia poderia ter.

Este novo trabalho é “mais pessoal e confessional”, como disseste. Mas o álbum anterior já parecia muito autobiográfico. O que mudou em “O Sol Voltou”?
Penso que neste disco me disfarcei menos, algo que se reflecte na própria estética. Ou seja, ser mais pessoal e confessional não é apenas uma consequência das letras.

Diz-se ainda que se quis romper com as estéticas enfeitadas e a musculatura pop. Podemos estar sossegados quanto à mestria dos jogos de palavras a que nos habituaste?
Existem menos jogos penso, as palavras são mais cruas e aparecem com menos rodeios, mas claro, há sempre espaço para aquela clássica brincadeirinha linguística.

E porquê a composição em reclusão?
Sempre compus em reclusão, o que mudou neste disco foi o processo de arranjos e produção também ter sido feito na solitária. Apenas alguns momentos da gravação fugiram à regra.

Dizer que este disco é “mais amor e menos paixão, mais família e menos multidão” parece revelar uma maturidade própria da idade. Foi isso que aconteceu, a chegada a uma fase diferente da vida?
Talvez sim, mas acho que apenas próprio de uma fase. Não dei o amor e a multidão como assuntos encerrados, e acabarei por voltar lá no futuro.

Como foi lidar com a recepção impressionante do disco de 2017 agora, a construir um novo trabalho? Onde ficam as expectativas?
As expectativas ficam bem longe, porque sou uma pessoa muito pessimista, e são raras as vezes que não conjecturo apenas o pior cenário possível.

Texto: Filipa Moreno
Foto: Mariana Cardoso

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