Memorável Leonard Cohen no Pavilhão Atlântico

Apesar do calendário assinalar que já era outono, a verdade é que a noite de 07 de outubro foi uma noite quente ali para os lados do Parque das Nações. Se cá fora eram os termómetros que assinalavam estarmos perante uma noite com o mercúrio a subir acima da média para a época, no interior do Pavilhão Atlântico eram os corações que aqueciam pois a emoção apoderou-se de todos no decurso das quase quatro horas que numa comunhão perfeita ali passámos na companhia do grande Leonard Cohen.

Este não é um relato do que ali se passou pois isso já está mais do que escrito, falado e comentado, considerem como uma achega para memória futura de quem lá esteve e dos que não estiveram mas que adoravam ter estado. A festa que ninguém vai esquecer, começou com “Dance Me To The End of Love” depois da qual Leonard Cohen afirmou “muito obrigada por estarem aqui, espero que estejamos juntos muitas mais vezes no futuro, mas hoje prometo dar-vos tudo o que temos”, ao que o público respondeu com um coro de fortíssimas palmas.

Depois foi um desfilar de canções soberbas que trouxeram ao Pavilhão Atlântico memórias antigas, e isso percebia-se bem no semblante de quem lá estava, onde as expressões demonstravam pura emoção, com aquele brilhozinho nos olhos que nos revela o que a alma sente.

Em 2008 vimo-lo em Algés, à beira do rio numa noite fresca onde deu sinais de uma vitalidade impressionante. Quatro anos depois nada mudou, a vitalidade é a mesma apesar dos 78 anos de idade. A entrega com que canta cada uma das músicas que têm acompanhado várias gerações, é a mesma, o respeito pelo público, é igual e o carinho por quem o acompanha uma constante.

A acompanhar a voz de Cohen, além de um fabuloso conjunto de músicos, as vozes femininas das Webb Sisters e de Sharon Robinson, cantora norte-americana que desde o final da década de 70 não só colabora com Cohen, como com ele compôs músicas como “Everybody Knows” e “Alexander Leaving”, esta última por ela interpretada no concerto de Lisboa de uma forma fabulosa e poderosa.

A tournée apelidada de Old Ideas fazia antever um concerto baseado sobretudo no último trabalho do mesmo nome e 12.º registo de originais do cantor. Mas não foi assim, pois Cohen, além de interpretar canções desse magnífico registo, como “Darkness”, “Amen”, “Going Home” e “Came Healing, visitou momentos de referência da sua já longa carreira de mais de 45 anos, ao trazer até nós canções como “I’m Your Man”, “In My Secret Life”, “Take This Waltz”, “Everybody Knows”, “Suzanne”, “So Long, Marianne”, e “Famous Blue Raincoat”.

Pelo meio muitos agradecimentos por parte de Leonard Cohen, que se ajoelhou em sinal extremo de agradecimento para com o público…pela nossa parte, somos nós que temos de agradecer o facto de, com a sua música e os seus poemas, ter enriquecido e muito a nossa existência, tornando-a, sem dúvida, muito mais bela…

Numa emoção crescente, com Cohen a distribuir pelos músicos as rosas vermelhas que lhe tinham sido oferecidas, e já no encore, Leonard canta “First We Take Manhattan”, “So Long, Marianne” e o maravilho e inesquecível “Hallelujah”. Para o final estava guardada “Save The Last Dance” e o concerto não podia terminar de melhor forma.
Obrigada Leonard Cohen, até à próxima.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Pedro Almeida

You May Also Like

Roger Andersson (Suicide Records) about “In In the Loving Memory of You”: “The most important message is this: you are not alone!”

REDIVIDER: “The musical ideas and technique follow a strict framework to project dark and aggressive themes in music”

Octavian Winters: “We’re all listening and reacting to each other and as the song starts to evolve, the result is something special”

Anti-Sapien: “Most of the music just kind of flows out without alot of effort initially, then we refine it bit by bit”

error: Conteúdo protegido. Partilhe e divulgue o link com o crédito @lookmag.pt