Kverna invadem Portugal com “Chiflodocus”, um ataque jurássico de sludge e stoner
Vindos de Logroño, na região de La Rioja, no norte de Espanha, os Kverna emergem das profundezas do underground com uma proposta sonora difícil de catalogar e ainda mais difícil de ignorar. Formada na fase mais obscura do período pandémico, a banda reúne músicos com percurso em projetos como Nitrako, Depinfango, Tripaluim, Armario Empotrado, Puerta Caída ou Beat Blues División, consolidando uma identidade própria que cruza sludge, stoner e D-Beat numa descarga crua e visceral.
As primeiras composições surgem em 2020, mas é em 2022 que o quarteto dá o salto para estúdio com o EP “Craternario”, ao mesmo tempo que se estreia ao vivo no aniversário do Squat Villatruño, em Logroño. A partir daí, a banda afirma-se na cena underground do norte de Espanha, com uma agenda de concertos que percorre regiões como La Rioja, Euskadi, Burgos, Cantábria e Aragão.
Entre 2024 e 2025, os Kverna entram novamente em estúdio para gravar oito novos temas que viriam a dar forma ao seu álbum de estreia, “Chiflodocus”. Um disco que traduz, de forma clara, a essência da banda: riffs pesados e arrastados, vozes guturais intensas pela vocalista Meri, e uma dinâmica rítmica que alterna entre mid-tempo e explosões D-Beat. O resultado é um registo denso, agressivo e carregado de identidade.
O conceito visual e narrativo da banda reforça essa estética primitiva e apocalíptica. O nome Kverna — uma variação de “caverna” — evoca uma humanidade regressada ao estado mais primário, como se um evento cataclísmico tivesse reiniciado a história. Nesse cenário, os dinossauros assumem o protagonismo, simbolizando uma natureza em revolta que recupera o controlo do planeta. A capa de “Chiflodocus” traduz essa ideia de forma explícita: um humano capturado pela cauda de uma criatura pré-histórica, numa inversão brutal da hierarquia natural.
Em 2025, a banda cruza fronteiras pela primeira vez, com atuações em Braga e Lisboa, marcando o início de uma ligação ao público português. O percurso continua em 2026 com mais concertos e uma crescente afirmação dentro do circuito underground europeu.
Editado com o selo da Selvajaria, “Chiflodocus” apresenta-se como um álbum de estreia sólido e sem concessões — oito faixas que funcionam como verdadeiros blocos de pedra sonora, talhados com peso, fúria e uma estética que remete para um imaginário jurássico onde o ruído é resistência.