Kreator regressam ao thrash mais brutal dos anos 80 num concerto memorável que pode ver aqui
Os Kreator protagonizaram um dos momentos mais intensos do Maryland Deathfest 2026 ao apresentarem um concerto inteiramente dedicado à fase mais crua e violenta da sua carreira. Num alinhamento pouco habitual, a banda alemã mergulhou fundo nos anos 80, recuperando o som que ajudou a definir o thrash metal europeu.
Liderados por Mille Petrozza, os Kreator deixaram de lado grande parte do material mais recente — incluindo álbuns como “Phantom Antichrist” ou “Gods of Violence” — para dar protagonismo a clássicos de discos fundamentais como “Endless Pain”, “Pleasure to Kill” e “Extreme Aggression”.
Conhecidos por equilibrar o repertório entre diferentes fases da carreira, os Kreator raramente apresentam concertos focados exclusivamente no seu período inicial. Por isso, este espetáculo assumiu contornos especiais, sobretudo para os fãs mais antigos, que há muito ansiavam por um mergulho mais profundo na fase mais agressiva da banda.
O resultado foi um concerto com forte energia underground, onde a velocidade, a crueza e a intensidade dominaram do início ao fim — evocando o espírito dos primórdios do thrash metal alemão, ao lado de nomes como Sodom, Destruction e Tankard.
O alinhamento apresentado destacou-se pela inclusão de temas pouco frequentes nas digressões atuais, criando uma experiência quase exclusiva dentro do percurso recente da banda. Entre os momentos mais marcantes estiveram “Ripping Corpse”, “Terrible Certainty”, “Betrayer” e “Endless Pain”, temas que ajudaram a cimentar o estatuto dos Kreator como uma das forças mais influentes do género.
A ausência quase total de material contemporâneo reforçou a identidade do concerto, transformando-o numa verdadeira celebração da fase mais caótica e visceral da banda.
Num festival conhecido por privilegiar sonoridades extremas, os Kreator responderam com um espetáculo à altura — direto, agressivo e sem concessões. Mais do que um exercício de nostalgia, o concerto funcionou como uma reafirmação da relevância do thrash clássico num contexto atual.
Quase quatro décadas depois, a banda prova que a violência sonora dos anos 80 continua não só viva, mas absolutamente essencial.
Setlist
- “Ripping Corpse”
- “Awakening Of The Gods” (primeira metade)
- “Love Us Or Hate Us”
- “Extreme Aggression”
- “Riot Of Violence”
- “Total Death” (primeira metade)
- “People Of The Lie”
- “Betrayer”
- “When The Sun Burns Red”
- “The Pestilence”
- “Terrible Certainty”
- “Endless Pain”
- “Tormentor”