Isto é Jazz? na Culturgest

Concerto de apresentação de “The Bell”, álbum editado pela ECM que será lançado no próximo dia 15.

Após uma das primeiras aparições públicas do trio Ches Smith, Craig Taborn, Mat Maneri, no New York Winter Jazz Festival de 2014, Peter Margasak escrevia no Chicago Reader: “O melhor que vi durante o fim de semana foi um trio soberbo liderado pelo baterista Ches Smith com o pianista Craig Taborn e o violista Mat Maneri.” Desde então que a crítica especializada tem falado de uma “química especial” entre os três músicos.

Até há não muitos anos, quando se queria dar o exemplo de um bom baterista de jazz capaz também de forjar um contagiante balanço de rock, surgiam logo os nomes de Jim Black e Chris Corsano. Agora, essa curta lista foi acrescentada com o nome de Ches Smith, parceiro de músicos como Tim Berne, Wadada Leo Smith e John Tchicai, que é ou foi também membro de bandas como Mr. Bungle, Secret Chiefs 3, Xiu Xiu e Ceramic Dog. Pois o líder dos jazzísticos These Arches tem um novo projeto que envolve músicos de perfil semelhante – são eles Craig Taborn e Mat Maneri, o primeiro um pianista que habitualmente utiliza instrumentos elétricos e eletrónicos vintage, como o Fender Rhodes e o Moog, e que cresceu a ouvir e a tocar jazz, música contemporânea, techno e metal, e o segundo um violinista e violetista que herdou o híbrido de jazz e serialismo do seu pai, Joe Maneri, e o tem aplicado num vasto leque de situações.

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Definir um estilo para este trio? O rock está lá, a new music – a fórmula norte-americana surgida para se opor à “música erudita contemporânea” europeia – está lá, a música clássica, o jazz. Como explica Rui Eduardo Paes, «Ches Smith, Craig Taborn e Mat Maneri são exemplos de uma nova estirpe de músicos, capazes de utilizar vários idiomas musicais com uma perspetiva “de dentro”, que não de citação, levando-os essa mesma circunstância a desconsiderar as formas. São os conteúdos o que lhes interessa (…).O que propõem é o contrário do que fez a fusão na década de 1970 (Weather Report, Return to Forever, Mahavishnu Orchestra) e depois a estética de colagem nos 90 (John Zorn, Bill Laswell, Jon Hassell). Não fundem nem colam: atravessam.»

O trio apresenta em Portugal uma música que se baseia em composições abertas do próprio Smith, concebidas para providenciarem aquilo que estes músicos fazem melhor: improvisar. Designadamente, improvisar sem fronteiras nem delimitações de estilo, confiando apenas na escuta, na interação das capacidades criativas de todos os três e naquilo que a crítica especializada já categorizou como uma «química especial». Podemos por isso aplicar as palavras de Ches Smith sobre o seu grupo These Arches a este trio, «interessa-me a função tradicional dos arcos na arquitetura das pontes, com o peso a ser suportado pela tensão horizontal criada pelos pontos de encontro dos arcos. Levo isso para as pontes da música: as pontes nas composições, as pontes entre improvisação e composição, as pontes entre as vozes individuais dos improvisadores.»

Como escreve Rui Eduardo Paes: “Estamos, pois, perante um trio que se caracteriza pelas transversalidades que vai operando na arte dos sons, um trio que atravessa músicas, não por linha programática, por propósito e intenção, mas porque os músicos que o integram pertencem a, ou passaram por, diferentes tipos de abordagem no espectro das músicas de hoje e não renegam qualquer deles. Três músicos que aceitam que a técnica da improvisação (e da escrita destinada a estruturar improvisações no caso de Ches Smith, o compositor de serviço) se converta numa estética, sem receio de que tal conduza a mais um idioma. Afinal, para eles, a melhor improvisação é a “trans-idiomática”, não a que em tempos ambicionou o não-idiomatismo.”

www.chessmith.com
www.craigtaborn.com

Ches Smith, Craig Taborn, Mat Maneri
Ciclo ‘Isto é Jazz?’
Culturgest
Pequeno Auditório
Dia 17 de janeiro Horas: 21h30
Preço: 5 euros

Por: Sandra Pinto

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