Há uma nova agência de comunicação de música. Chama-se Ride The Snake

Por detrás da Ride The Snake está Eliana Berto, apaixonada por música que decidiu em época de pandemia dar corpo a um desejo antigo. Falámos com Eliana para desvendar tudo sobre este projeto que não sendo novo, ganha agora uma nova cara.

Como surgiu a ideia de fazer a Ride the Snake?
Desde que era adolescente que ambicionava ser manager de bandas. Na altura até queria ser a Marta Ferreira, manager dos Xutos, porque achava que um manager tinha um trabalho muito importante numa banda. Como não sabia tocar nada, era forma de estar ligada à música. O sonho foi posto de lado à medida que fui crescendo e a minha carreira profissional seguiu num lado oposto. No entanto, como o amor à música foi sendo cada vez maior fiz um blogue em 2014, que se chamava Music is your only friend (os The Doors são a minha maior inspiração) e daí conheci uma rapariga da qual fiquei amiga e me guiou para a Música em DX onde comecei a lidar mais de perto com bandas e a conhecer muitos artistas. Foi daqui que uma banda me convidou a ser manager, algures em meados de 2015 e confesso que tive algum medo na altura. Aceitei e comecei a estudar melhor como poderia fazer o melhor trabalho possível sem conhecimentos quase nenhuns! Fiz e continuo a fazer workshops e cursos da Aporfest e da Why Portugal de management, produção e matérias afins e isto foi ficando mais sério.
Há um dia em que surge em conversa com uma amiga e mais tarde com um amigo a possibilidade de fazermos uma agência e poder fazer isto em full time, após algumas reuniões, nome definido, estratégia e afins, percebemos que não era o momento e seguimos todos outros caminhos sendo que eu mantive o meu trabalho e fui tendo mais bandas, mas sempre sem um nome de “Marca”, sempre em nome próprio. Em 2017 entrei para o Sabotage (em paralelo com o meu trabalho que paga a renda) e comecei a fazer promoção, comunicação, programação e produção. Foi neste momento que cresci muito nesta área e desde logo pensei que tinha de ter algo mais profissional, não que eu não seja, mas se recebes promoção de uma agência é diferente de receberes de um nome particular. Portanto esta ideia já tem alguns anos, só estava na gaveta por falta de tempo para me dedicar a ela como devia.

Porquê este nome?
Este nome vem do meu gosto pelos The Doors. Pela poesia do Jim Morrison… escrevo muitos textos com inspiração nos poemas dele e o poema da música “The End” tem uma parte em que ele diz: “Ride the snake/To the lake/The ancient lake baby/The snake is long/Seven miles/Ride the snake (…)” e eu sempre gostei muito desta parte final do poema. Depois comecei a usar a expressão Ride The Snake para me referir à minha mota, porque tem aquele lado bom e mau: o bom da sensação pura de liberdade e o mau do perigo, tal como as cobras que também têm esta dualidade, para além de associar muito a minha mota ao deserto Californiano. Por fim, porque como as minhas bandas têm um som mais alternativo, não mainstream, pareceu-me que seria um bom nome para as representar. Enjoy The Sound como complemento porque vejo sempre o ride the snake como uma viagem e se pudermos fazer a viagem com uma boa música, ainda melhor!

Porque decidiste lançar agora a agência?
O único motivo de ser agora é esta pandemia! Apesar de desejar com todas as minhas forças que isto nunca tivesse acontecido, a melhor forma de não enlouquecer e tentar manter a minha sanidade mental, pelo menos minimamente, foi tentar fazer coisas que estavam na gaveta por falta de tempo para as fazer. A agência foi uma delas! Tomei a decisão de a manter como hobby mas poder dar-lhe uma forma e uma cara para que pudesse chegar a mais pessoas. Então fiz uma lista de nomes sendo que o Ride The Snake estava em primeiro e não foi assim tão difícil decidir, na verdade. Depois falei com um amigo meu designer para ver se me podia ajudar a criar um logotipo e coitado! Teve uma santa paciência.. porque inicialmente nada me estava a chamar muito, até que numa viagem da Covilhã para Lisboa, de mota, eu tive um rasgo de luz. Lembrei-me de uma tatuagem que tenho de uma grafonola e rapidamente idealizei a cobra ligada a ela em vez do cone e pronto.. depois de várias tentativas, conseguimos chegar a esta imagem. Depois andei a estudar o mailchimp, criei o email e aqui estou eu!

Quais os objetivos e propósito da Ride the Snake?
Os objetivos mantém-se iguais. A única coisa que muda aqui é a forma de comunicação e a imagem.
Claro que tenho como objetivo poder captar mais atenções tanto de imprensa como de salas de espetáculo! Mas, mais que tudo, foi mesmo a formalização de um sonho que, apesar de já o estar a executar, não estava completo.
Quando tive tudo pronto enviei logo um email às bandas a informá-las desta mudança e deixei claro que tudo o que existia se mantinha, a nível de acordos e modo de trabalhar.
No fundo é uma partilha de ajuda que existe entre mim e as bandas. Eu ajudo-os nas partes chatas e em algumas decisões e eles ajudam-me a sentir-me concretizada.

Que serviços vai a agência disponibilizar?
Como eu sou um pouco workaholic, a agência, ou seja eu, faz de tudo… os serviços base são management, PR e booking. Para além disso, ajudo na escolha de singles, na produção de videoclips, faço os contactos que houver para fazer, design, arranjo designers, fotógrafos, editores de vídeo, tudo o que seja preciso e que não se vê. Escrevo as bios e os press releases, às vezes faço comunicação nas redes sociais, sou road manager e sou chata, muito! A verdade é que, apesar de às vezes ser difícil lidar com os artistas (tenho uma relação de amor/ódio), adoro fazer isto tudo! Faço-o com o maior prazer e dedicação.

Que bandas possuem neste momento no vosso portefólio?
A Last Day On Earth
Big Summer
Blaze & The Stars
Democrash
Montalvor
My Master The Sun
The Dust
E já são mais do que devia! Mas como nunca estão todas a trabalhar ou a produzir ao mesmo tempo, tenho conseguido gerir.

Vão dar preferência a algum género musical?
A preferência aqui é a minha, porque eu não consigo vender algo de que não goste.. E como sou uma mulher do rock, a preferência será sempre o rock. Claro que o rock tem inúmeras variantes, se virem bem as minhas bandas, vêm de espectros diferentes do rock, mas não deixam de ter esse denominador comum e é por aí. Claro que um punk não está fora de questão porque também adoro, mas o punk está de mão dada com o rock, por isso…

De que forma podem as bandas entrar em contato convosco?
Tenho ainda algumas dúvidas na criação de redes sociais para a Ride The Snake, porque como não é algo que faça a full time, não quero dar aquele peso das agências profissionais. Por isso isto vai funcionar como funcionou até agora, creio, pela palavra! Quem quiser pode sempre contactar-me pelo email [email protected] ou pelo meu Facebook pessoal (Eliana Berto).

You May Also Like

Curiosidade: Apesar da fama Elvis nunca escreveu uma canção

Lovers & Lollypops anuncia ciclo de concertos

Curiosidade: Sabia que o batimento do seu coração se ajusta à música que está a ouvir?

À conversa com Miguel Ribeiro dos The Happy Mess

error: Conteúdo protegido. Partilhe e divulgue o link com o crédito @lookmag.pt