GROZA no LAV – Lisboa Ao Vivo: ritual, emoção e intensidade no coração do black metal

Os GROZA chegaram da Alemanha e, num instante, transformaram o palco do LAV – Lisboa Ao Vivo num santuário de tensão e desespero. Não era apenas música; era um ataque visceral aos sentidos que prendeu o público num ritual sonoro de fúria e melancolia.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

No dia 6 de Novembro, o LAV – Lisboa Ao Vivo transformou-se num verdadeiro altar de tensão e emoção com a passagem dos bávaros GROZA. Assim que subiram a palco, ficou claro que este não se tratava de um concerto comum: estávamos perante um ritual, uma experiência visceral que agarrou cada pessoa presente, mergulhando-a nas sombras densas da sua música. A presença de palco da banda é magnética. Mascarados e vestidos de negro, os músicos projetavam tragédia e desespero, personificando cada acorde, cada blast beat e cada passagem melódica com uma intensidade quase física. A música de GROZA combina agressividade e melancolia de forma rara; momentos de silêncio e tensão explodem em fúria contida, envolvendo o público numa tempestade emocional irresistível. O último álbum, Nadir (2024), revelou-se no palco como uma força monumental. Este terceiro trabalho é o “make it or break it” da banda, e ao vivo cada faixa prova a sua dimensão épica. Riffs cortantes, blast beats esmagadores e vocais crus coexistem com passagens melancólicas e atmosferas densamente trabalhadas, criando uma narrativa sonora que é simultaneamente elegante e brutal. A produção do disco, equilibrada entre clareza e aspereza, ganha vida no palco: o som respira, golpeia e envolve num fluxo contínuo de energia e emoção. Embora a influência de bandas como Mgła e Uada seja perceptível, GROZA afirma a sua identidade com unhas e dentes, transformando cada momento do concerto numa experiência própria. A alternância entre violência pura e atmosferas meditativas cria uma viagem que toca corpo e mente, fazendo o LAV parecer pequeno diante da magnitude da performance. Cada detalhe, desde os riffs aos silêncios carregados de tensão, foi pensado para que o público não apenas ouvisse, mas sentisse a música na pele. Ver GROZA ao vivo é testemunhar o black metal atmosférico na sua forma mais ritualística e humana. Não é apenas música; é um estado de espírito partilhado e uma descarga de emoções cruas.

Assistir aos The Spirit ao vivo foi uma experiência visceral e esmagadora, daquelas que permanecem na pele muito depois do último acorde. A banda alemã não veio apenas tocar: veio dominar o palco, mergulhando o público num turbilhão sonoro onde agressividade, técnica e emoção caminham lado a lado. As guitarras cortavam o ar com riffs afiados e pesados, alternando entre explosões de violência pura e passagens melódicas que davam à música uma profundidade quase hipnótica. A secção rítmica, implacável, disparava batidas furiosas e blast beats que mantinham a tensão no limite, como se cada compasso fosse uma pedrada certeira no peito do público. Os vocais, crus e carregados de intensidade, reforçavam o lado mais sombrio e nihilista da banda, tornando a presença em palco tão convincente quanto intimidante. A setlist navegou pela discografia dos The Spirit com maestria, equilibrando clássicos e faixas mais recentes que, ao vivo, ganharam uma força brutal. A alternância entre caos controlado e momentos atmosféricos funcionou como uma montanha-russa emocional, prendendo a atenção do público do primeiro ao último segundo. Visualmente, o concerto manteve-se fiel à aura da banda: iluminação sóbria, sombras densas e uma estética minimalista que colocou a música no centro de tudo, sem distrações. No final, ficou a sensação clara de que se tinha assistido a algo sólido, maduro e memorável. Os The Spirit provaram no LAV não só a sua técnica impecável, mas também uma maturidade artística que os distingue no cenário do black metal contemporâneo. Uma atuação intensa, sem excessos desnecessários, que confirmou a banda como uma força a ser respeitada no metal extremo moderno.

Quando chegámos, os Nornír, banda formada em Freiberg, na Saxónia, em 2014, estavam a subir ao palco, como sacerdotes de um culto sombrio prestes a abrir os portões de um mundo mítico. Desde o primeiro acorde, ficou claro que não estávamos a assistir a um simples concerto; estávamos a ser arrastados para um ritual de black metal, onde cada riff cortava como lâminas afiadas e cada batida de bateria soava como o tambor de uma guerra ancestral. A secção rítmica foi uma força imparável: blast beats implacáveis fazendo a bateria a rasgar o ar, mantendo a tensão no máximo do início ao fim. Os riffs agressivos chegavam carregados de misticismo, criando uma atmosfera opressiva que envolvia a plateia como nevoeiro pesado. E os vocais rasgados? Eram como gritos de ancestrais perdidos, ecoando pela sala e transformando cada canção num épico ritualístico com as letras a explorar mitologia nórdica, a natureza, a existência, o espiritualismo, a guerra e a blasfémia. Visualmente, o concerto foi igualmente hipnotizante. Luzes sóbrias, sombras densas e movimentos precisos da banda construíram um cenário que mais parecia uma cerimónia ancestral do que um espetáculo moderno. Cada detalhe reforçava a sensação de que estávamos a ser transportados para outro mundo: um universo de sombras, lendas e fúria musical. No final, a plateia estava completamente absorvida, rendida a uma experiência que se fez sentir no corpo e na mente.

GROZA

The Spirit

Nornír

 

 

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