Gin Hendrick’s ao som de JP Simões

Há marcas que surpreendem não só pela qualidade do produtos mas também pelas ações através das quais os promovem. Dentro desta categoria de inovadores, vamos descobrir marcas que vão mais além, aquelas que não tendo medo ou receio de arriscar dão ao público momentos verdadeiramente únicos.

Vejamos o caso do Gin Hendrick’s que a cada ação tem a real capacidade de sacar “ah’s” e “oh’s” da boca dos mais incautos! Isso mesmo aconteceu no passado dia 13, o primeiro da ação Clinica de Cortejo Refinado Hendrick’s que teve lugar em Lisboa.

Além de aulas de etiqueta “à moda antiga”, naquele fim de tarde tivemos a agradável oportunidade de assistir a uma pequena aula ministrada pelos Storytailors sobre a moda do século XIX, com enfoque no espartilho, seguida de um pequeno concerto intimista de JP Simões.

Reconhecido como um dos autores talvez mais românticos da nossa praça, JP Simões confessou-nos que “não conhecia de todo a Clinica de Cortejo Hendrick’s, foi-me tudo apresentado hoje. Aliás, a proposta foi-me feita há muito pouco tempo e, como deixei de beber gin há muitos anos nem a marca eu conhecia”, referiu o cantor à Look Mag.

“Mas a verdade é que este gin é mesmo muito bom, o que demonstra que aqui estão a vender um produto ao mais alto nível, pelo que, por um lado, não me senti nada defraudado, e por outro, a ideia que existe associada à marca, toda a imagem vitoriana ligada à ideia do cortejo à moda antiga e dos códigos dos leques e tudo mais, é também ela muito interessante e engraçada”, afirmou JP Simões. Das palavras do cantor depreendemos que não teve quaisquer dúvidas em aceitar o convite “pois, além de tudo achei também que era uma oportunidade de passar uma tarde agradável”, disse.

A proposta feita a JP Simões era a de ele apresentar um conjunto de canções e poemas que de alguma forma significassem o amor, “escolhi algumas músicas, não que sejam forçosamente todas de galanteio, mas peguei em algum do meu reportório e escolhi músicas que serviriam de boas ilustrações a alguns dos poemas que escolhi para hoje e que não sendo diretamente manuais de cortejo, por assim dizer, são poemas e canções que falam sobre o amor, os seus altos e baixos, do amor entre duas pessoas e não do amor pela pátria ou outro género de amor”, esclareceu o músico. Mas além das suas músicas JP Simões fez questão de trazer ao evento uma música de Chico Buarque e outra de Serge Gainsbourg.

Em tempos idos, as serenatas serviam de demostração de amor à pessoa amada, costume que, como tantos outros, foi caindo em desuso com o passar dos anos. Serenatas fê-las JP Simões “quando era novo. Nos alvores da minha vida de trovador costumava tocar da varanda de um amigo para umas moças que moravam do outro lado da estrada”, o que não espanta vindo o cantor de Coimbra.
Mas a verdade é que as “serenatas empoadas do fado de Coimbra nunca me disseram muito, pelo que podemos quase afirmar que fazia uma reinterpretação da serenata. Mas aquilo era muito mau”, reitera, “fazia muito barulho e dizíamos umas enormidades palermas, mas o facto é que elas iam aparecendo”. Mas será JP Simões uma pessoa romântica? A resposta surge pronta e com humor “pois sim, que remédio.”

Desafiado a escolher aquela música que melhor personifica o amor e tudo o que o envolve, JP Simões não hesita “uma música muito frenética da banda Art Ensemble of Chicago que se chama “Theme de Yoyo” onde uma mulher faz uma descrição surrealista do amante. Aquilo é o fim da picada e uma coisa ardente, como o amor é às vezes…quando corre bem.”

Tendo lançado “Onde Mora o Mundo”, o seu último registo de originais em 2010, JP Simões está a trabalhar num novo trabalho, “o qual conto lançar já no próximo mês de maio”, revelou à Look Mag. “Já tenho algumas coisas marcadas, mas não me importava nada de ter o patrocínio da Hendrik’s, esta bebida é ótima e eles têm uma imagem engraçada, não me importava nada de ir vestido para os concertos à Jack, O Estripador, e da mesma maneira isso permitia-me pagar um bocado melhor aos músicos que eventualmente aceitassem apoiar a causa”, afirma o músico.

Sobre a situação atual de quem faz música em Portugal, JP Simões refere que “as coisas não estão fáceis, mas nunca estiveram. Na verdade, esta coisa da crise não é nada nova. Vivo em Lisboa há vinte e tal anos, e a verdade é que para me autossustentar tive vários trabalhos, não vou enumerá-los, mas as contas têm de ser pagas e isto não é uma comunidade de gente de bem, o ser humano não é generoso nem uma grande simpatia”.

Visto por muitos como um trovador, JP Simões afirma “que é uma boa forma de por a coisa, porque os trovadores essencialmente levavam poesia cantada e, coitados, andavam por ai de um lado para o outro, sozinhos, muitas vezes só com o seu alaude, sujeitos muitas vezes a tudo o que lhes aparecesse à frente. Revejo-me muitas vezes assim. A profissão de trovador andante não mudou muito”.

Para JP Simões, “o sucesso é algo muito pessoal. Fico muito satisfeito quando consigo gerir minimamente a minha vida, não tenho grandes expectativas materiais. Um bom termómetro das coisas é o bem estar moral e o prazer de poder estar com os amigos e namorar, viajar e estar em paz. Mau grado ultimamente ser muito difícil estar de consciência tranquila porque o mundo está todo a desmoronar no sentido de as expectativas que tínhamos há alguns anos atrás estarem todas a ser postas em causa”, afirma, “estamos a enfrentar problemas tão graves, de difícil resolução que é complicado alguém com o mínimo de consciência dizer que se sente bem”, conclui.

De referir que a Clínica de Cortejo Refinado Hendrick’s acontece até dia 17 de fevereiro. Mais em https://lookmag.pt/blog/clinica-de-cortejo-refinado-hendricks/

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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