Festival EDP Paredes de Coura 2012 (dia V)

Youthless > Ladrões do Tempo > Best Youth > Capitão Fausto > Memoryhouse > God Is An Astronaut > Dead Combo > Ornatos Violeta

E hei-nos chegados ao último dia da edição 2012 do Festival. Naquele que se anunciava como um dos dias mais fortes, o sol voltou a brilhar e a aquecer a tarde dos muitos, mas mesmo muitos que ali estavam desde dia 13 e dos outros que ali chegavam com o intuito principal de assistir à reunião dos portuenses Ornatos Violeta.

Mas muita música havia para ouvir antes desse que seria o último grande concerto do festival.

Seis da tarde e já os Youthless enchiam de música o palco Vodafone.FM. Pose de puro rock and roll, a qual mantiveram durante todo o concerto (em nenhuma outra atuação vimos um dos membros de pé em cima do banco a beber cerveja, como vimos o baterista, Alex Klimovistky!), os três membros da banda debitaram decibéis nos ouvidos do público que àquela hora se começava a juntar perto do palco. Já conhecíamos o trabalho dos Youthless (http://look-mag.com/2012/03/14/youthless-apresentam-novo-single-monsta/) pelo que tínhamos muita curiosidade em vê-los ao vivo. “Olá nós somos os Youthless e não os Best Youth”, brincou o baterista, com o nome da banda portuguesa que dai a pouco atuaria no mesmo palco. Depois foi um desfiar de guitarras, baixo e poderosa bateria a fazer valer a tarde. Por entre o calor da atuação ouviram-se temas do EP Telemachy, como The Beats, e o último Monstra. No fim convidam alguns membros do público a subir ao palco. São assim os Youthless, muito simpáticos, tal como tivemos ocasião de comprovar ao final da noite quando com eles trocámos algumas palavras.

A abrir o palco EDP nesse dia estavam os Ladrões do Tempo, um projeto musical liderado por Zé Pedro, dos Xutos e Pontapés, e que inclui como Pedro Gonçalves e Tó Trips, dos Dead Combo, Paulo Franco, dos Dapunksportif, e Samuel Palitos, dos Censurados. Literalmente espalhado pela relva, o público descansava, pois a verdade é que ao fim do quinto dia as forças já eram bem menos. Mas, nada que uma bebida fresca não ajudasse a repor e a música dos Ladrões do Tempo ajudasse a recuperar. É engraçado ver em palco este coletivo de músicos pois oriundos de diferentes projetos mostram em palco uma grande cumplicidade e uma genuína alegria de tocarem juntos. Do alinhamento fizeram parte seis canções, pelo que no encore repetiram “Mora na Filosofia”, facto sobre o qual brincaram afirmando que “não temos mais músicas preparadas, culpa da crise”. Ninguém pareceu importar-se com a repetição!

Depois de uma passagem, quase sempre obrigatória, pela tenda dos produtos oficiais do festival (no intuito do para mais tarde recordar…), fomos até aa palco Vodafone.FM onde iriamos ver os Best Youth. Nossos conhecidos dos Novos Talentos FNAC deste ano (http://look-mag.com/2012/06/29/novos-talentos-fnac-2012-noite-ii/), os Best Youth apresentaram-se em Paredes de Coura com um look diferente. Na verdade, se houve neste festival banda que ganhou pontos pelo facto de ali ter tocado, foi esta. Bem-dispostos, partilharam as suas canções de uma forma descontraída o que claramente pareceu agradar ao bastante público que mostrou ser conhecer das músicas do grupo, ou seja, para além de “Hang Out”, a canção que passa regularmente nas estações de rádio. A banda contou com a participação de Nuno Oliveira, dos Memória de Peixe que subiu a palco para com eles tocar. A verdade é que o concerto correu muito bem e isso percebeu-se quando a vocalista Catarina Salinas afirmou “muito obrigada, é um prazer estar aqui e ver tantas cabeças”.

Outros com quem nos temos cruzado amiúde são os Capitão Fausto, a banda que se seguiu no palco EDP. Oriundos de Lisboa, os membros da banda revelam-se verdadeiramente contentes por estarem a tocar no palco do festival, “o ano passado estávamos desse lado!” Durante o concerto Manuel Palha (guitarra), Domingos Coimbra (baixo) Francisco Ferreira (teclas), Tomás Wallenstein (voz e guitarra) e Salvador Seabra (bateria) deram asas ao seu gosto pelo psicadelismo dos sessentas o que em nada desagradou ao público que se mostrou participativo q.b. em músicas como “Verdade” e “Teresa”. Apresentaram ainda uma canção nova.

Vindos diretamente do Canadá para o Minho, os Memoryhouse traziam na bagagem uma pop simpática e cativante. Formados na cidade de Toronto, em 2010, pelos músicos Evan Abeele e Denise Nouvion são muitas vezes comparados aos Beach House. As letras trazem a beleza da juventude ao mesmo tempo que evocam os sonho e o amor, como é o caso da canção “The Kids Were Wrong”, e outras do trabalho The Slideshow Effect, editado em Fevereiro deste ano.

No lado oposto do recinto, o palco EDP era invadido pelos The Go! Team, a única banda estrangeira a tocar no palco principal no último dia do festival. Ninja, Chi Fukami Taylor ou Kaori Tsuchida ofereceram ao muito público que por ali se juntava já para ver o mais desejado reencontro musical dos últimos anos, um conjunto de canções que misturam rock, eletrónica e rap o que animou bastante o início da noite. “Sabemos que não está aqui Portugal inteiros, mas nós não vimos cá tocar muitas vezes por isso queremos saber do que são capazes. Sabemos do que são capazes a Espanha, a França e a Alemanha, mas e vocês? O que têm para nos oferecer?” Pelos vistos muito, pois daí em diante ninguém parou.

O derradeiro concerto do alinhamento “dentro de horas” do palco Vodafone.FM estava mesmo a começar quando lá chegámos. Os irlandeses God Is An Astronaut não contaram com o habitual suporte multimédia devido a alguns problemas técnicos, mas isso não perturbou em nada a sua atuação nem a entrega com que o público assistiu ao concerto. Eramos muitos os que ali estávamos para os ver. Foi com enorme alegria que os ouvimos interpretar temas dos primeiros trabalhos, numa clara comemoração dos 10 anos de vida da banda instrumental/post-rock. Formada em 2002, a banda de Torsten Kinsella, Niels Kinsella, Lloyd Hanney e Jamie Dean conta com cinco álbuns o últimos dos quais, Age of the Fifth Sun, foi editado em 2010. No final foi um dos concertos que mais prazer nos deu ver e ouvir nesta vigésima edição do Paredes de Coura.

“Voltamos a Paredes de Coura e sabe mesmo bem estar de volta”, foi assim que os Dead Combo cumprimentaram os milhares de pessoas que se aglomeravam em frente ao palco EDP. Tendo assistido ao excelente concerto que deram há alguns meses na Aula Magna, em Lisboa estávamos curiosos para os ver num ambiente “festivaleiro” (http://look-mag.com/2012/05/04/e-a-menina-dancou-na-aula-magna-ao-som-dos-dead-combo/). Efetivamente só mudou o ambiente, pois a qualidade e o encanto que nos fizeram sentir manteve-se inalterado. Pedro Gonçalves e Tó Trips, os músicos que compõem os Dead Combo, fizeram-se acompanhar do baterista Alexandre Frazão, acrescido fator de qualidade que “apimentou” ainda mais a atuação da dupla. Se traziam como principal missão dar a conhecer o último trabalho, Lisboa Mulata, a verdade é que percorreram, e ainda bem, toda a sua discografia. Da parte do público receberam aplausos em especial quando Peixe dos Ornatos Violeta sobe a palco para com eles tocar e quando tocaram a sua já conhecida versão de Temptation” de Tom Waits. Impecável, sim, este foi mais um concerto impecável por parte dos Dead Combo.

Chegada a hora do concerto dos cabeças de cartaz do dia e, parece-nos a nós, do festival, eram muitos, mas mesmo muitos os que enchiam o recinto à beira do Taboão. No último concerto que a banda do Porto deu, faz agora 10 anos, Manel Cruz despediu-se com um “até qualquer dia”. Pois esse dia chegou a 17 de agosto ao Minho. Num cenário nada planeado, mas consensual entre os músicos portuenses, este foi provavelmente um dos mais intensos reencontros musicais a que assistimos. Apesar de nunca antes terem tocado no Festival de Paredes de Coura, os Ornatos Violeta afirmam agora, que o reencontro “não podia ter acontecido em melhor sítio!” Acarinhados pelo público que nunca os esqueceu, apesar da década de paragem, os Ornatos trouxeram ao Minho canções que marcam já a história da música portuguesa. Consumaram a promessa de dedicar o concerto, sobretudo, ao álbum O Monstro Precisa de Amigos (segundo e último da sua discografia e lançado a 22 de Novembro de 1999) pelo que o tocaram “de fio a pavio”! Claro que em “Ouvi Dizer” foram milhares as vozes que fizeram companhia à de Manel Cruz.

Pura festa onde a emoção marcou lugar de destaque o concerto da banda do Porto acabou depressa, com o “Fim da Canção” a provocar arrepios nos milhares de fãs ali presentes. O encore exigido pelo público aconteceu sem demora, durante o qual se ouviram temas do álbum Cão (1997).

Cumprida a promessa de este ser um concerto memorável, não podia ter sido outra a melhor forma de terminar um festival, também ele inesquecível e perfeito!

Até para o ano Paredes de Coura e obrigada, 20 anos não é muito tempo!

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro
Reportagem fotográfica com o apoio Canon Portugal www.canon.pt/

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