Evil Live Open Air 2025 dia II: quando o teatro com bolinha vermelha de Till Lindemann encontrou a força brutal dos Korn
O segundo dia do Evil Live Open Air 2025 consolidou o festival como um dos principais eventos de música pesada em Portugal, reunindo uma diversidade de estilos e proporcionando momentos inesquecíveis para os fãs. Com uma organização impecável e um público entusiástico, o festival demonstrou que o metal em Portugal está mais vivo e vibrante do que nunca.
Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro
Os Eagles of Death Metal trouxeram um rock enérgico e dançante, com influências marcantes de garage rock e blues que reverberaram do palco para a plateia. Mesmo sem Josh Homme, a banda manteve a sua identidade sonora forte, contagiando o público com riffs vibrantes e uma postura irreverente, proporcionando um momento de descontração e diversão que uniu todos em uma celebração coletiva da música ao vivo. O vocal carismático de Jesse Hughes, figura central da banda, foi fundamental para manter a energia lá em cima, alternando entre momentos de intensidade e grooves mais descontraídos que convidavam o público a cantar e dançar junto. A interação constante com a plateia criou uma atmosfera íntima, mesmo em um espaço maior, mostrando a capacidade da banda de conectar-se diretamente com os fãs. Além dos clássicos que fizeram a fama da banda, como “Wannabe in L.A.” e “I Want You So Hard”, o setlist contou com surpresas que agradaram os fãs de longa data, demonstrando a versatilidade e o bom humor que caracterizam os Eagles of Death Metal. A performance ao vivo evidenciou a química única entre os músicos, enquanto a bateria pulsante e os solos de guitarra mantiveram o ritmo acelerado durante todo o espetáculo. O concerto reafirmou a posição da banda como uma referência no rock contemporâneo.
Os suecos Opeth encheram o Estádio do Restelo com uma performance técnica e atmosférica que prendeu a atenção do público do início ao fim. Com uma setlist cuidada, a banda encantou os presentes com a sua impressionante complexidade musical e mudanças de dinâmica precisas, criando uma atmosfera hipnótica e introspetiva. Liderada por Mikael Åkerfeldt, cuja voz transita com naturalidade entre guturais profundos e vocais limpos e melódicos, a banda demonstrou maturidade e coesão, alternando momentos de peso esmagador com passagens acústicas delicadas e envolventes. A execução meticulosa dos arranjos, com destaque para os intricados solos de guitarra, a bateria precisa de Waltteri Väyrynen (recente adição à formação) e os teclados atmosféricos de Joakim Svalberg, trouxeram à tona a sofisticação que caracteriza o som de Opeth.
Till Lindemann levou o Evil Live Festival, no Estádio do Restelo, a uma viagem ao submundo com a digressão “Meine Welt”. O vocalista dos Rammstein apresentou um espetáculo visualmente esmagador, marcado por um universo onde o metal industrial se cruza com teatro grotesco, erotismo extremo e crítica social. Entre projeções perturbadoras, roupas de couro vermelho e momentos desconcertantes, Lindemann explorou o choque como forma de arte. Faixas como “Zunge”, “Blut” e “Allesfresser” incendiaram o público, numa performance que dividiu opiniões mas não deixou ninguém indiferente. O concerto serviu de aquecimento para o regresso em nome próprio. Se este foi o aperitivo, o prato principal promete ser ainda mais intenso.
O encerramento da noite ficou a cargo dos Korn que foram recebidos por uma multidão em plena catarse coletiva. Pioneiros do nu-metal, a banda norte-americana provou porque continua a ser uma referência incontornável do género, com um concerto que equilibrou peso emocional, intensidade sonora e entrega absoluta.
O set foi uma viagem entre passado e presente fazendo vibrar os fãs mais antigos, enquanto que faixas do álbum mais recente, Requiem (2022), mostraram que os Korn continuam a evoluir sem perder a identidade. A resposta do público foi imediata: coros, saltos, mosh pits. Uma comunhão energética que atravessou todo o Restelo.
Jonathan Davis, com a sua presença magnética, conduziu o espetáculo com intensidade e emoção, alternando entre momentos viscerais e outros mais contidos, quase hipnóticos. A sua voz, marcada por dor, raiva e vulnerabilidade, continua a ser a alma da banda. A entrega de Munky, Head e Fieldy nas guitarras e baixo, juntamente com a precisão rítmica de Ray Luzier na bateria, formaram a base de um som denso, sujo e poderoso.
Foi um encerramento à altura da noite, visceral, nostálgico e brutal, que provou que, passadas três décadas, os Korn continuam a ser mestres em transformar dor em espetáculo e em arrastar multidões para o seu universo sombrio e libertador.
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