Embarcámos no navio pirata dos Visions Of Atlantis e viajámos até ao tempo do Barba Negra (sem sair do RCA)

É precisamente esta a magia da música: a de nos transportar para outra dimensão, tempo ou espaço sem sairmos do mesmo lugar. Se em casa a ouvir um disco essa é uma sensação vivida em recato, num concerto a música ao vivo e a companhia de outras pessoas que ali estão pelo mesmo motivo torna tudo ainda mais intenso. Foi assim no concerto dos Visions Of Atlantis, durante o qual, sem abandonarmos a sala de concertos lisboeta, viajámos até ao século XVII e à época áurea da pirataria.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

Quando chegámos ao RCA percebemos que havia alguma ansiedade. Rapidamente obtivemos a resposta, «somos mesmo fãs e desta vez vamos puder ver a banda num concerto único e exclusivo, e com um novo disco», foi-nos revelado. De facto, se isto não é motivo para provocar ansiedade nos fãs, nãos sei mais o que será! Já dentro da sala de concertos, entre uma ou duas cervejas trocavam-se opiniões e a expetativa ia, claramente, num crescendo.

Mas antes dos reis da noite era altura de ver e ouvir os Autumn Bride. Oriundos de Viena, são praticantes de um metal gótico melodioso. Formados em 2015, chegaram ao RCA com o objetivo de preparar o tereno para os desejados da noite. O que numa primeira abordagem podia não ser fácil, foi, de facto, bem conseguido. Com um álbum debaixo do braço lançado em 2021, percebia-se que estavam com verdadeiras “ganas” de evangelizar o público. Assentando grande parte do alinhamento em Undying, o destaque foi direitinho para Suzy Q (talvez uma homenagem a Creedence Clearwater Revival, fica a dúvida), a vocalista que mostrou o seu poderio vocal. Na verdade, é este um dos grandes trunfos da banda que alia aos ótimos vocais ao peso e à melodia trazidos pelos riffs. O bom trabalho rítmico e os arranjos sinfônicos sentiram-se sobretudo em “H.eart.h”, o single lançado no passado dia 27 de março e que poderá indicar que um novo trabalho vem a caminho.

Cidade de Oberaich, Áustria, ano de 2000 nasciam os Visions Of Atlantis. Inspirados pelo som de metal sinfônico dos Nightwish e fascinados pelo Atlantis, juntaram os dois dando vida a uma banda que hoje movimenta muitos, mas mesmo muitos e fervorosos fãs. A entrada em palco foi o primeiro dos muitos momentos altos da noite, durante a qual se percebeu, e bem, o carinho com que foram recebidos em Lisboa.

Pirates, o registo discográfico lançado em 2022 deu o mote a todo o concerto que, além da música, teve o seu toque de teatral, o que na nossa opinião sacou, e bem, com a música. Visivelmente bem dispostos, conseguiram trazer ao concerto boa disposição e muita empatia. Clémentine Delauney, a soprano francesa atualmente responsável pelos vocais, mostrou ter um enorme à-vontade, surgindo como uma verdadeira timoneira desta embarcação musical. Nada que afetasse os elementos masculinos que a ela se juntaram com o intuito de levar esta viagem a bom porto. Especialmente Michele Guaitoli que com ela fez parelha a nível vocal, equilibrando a “conversa” musical.

Voltemos por momentos a Pirates. Concebido com uma dose extra de cuidado, este registo discográfico teve o condão de elevar a banda a um novo patamar. Com arranjos mais orquestrais e corais, a banda não só encantou o cada vez maior número de fãs, como também recebeu um excelente feedback por parte da imprensa especializada uma ótima resposta da imprensa.

Se em disco Pirates encanta, em palco, tocado ao vivo e com a ajuda de um cenário irrepreensível deixa qualquer um encantado, como foi o nosso caso e dos muitos que encheram o RCA. Excelente concerto e bom ambiente, em resumo uma noite bem passada!

Autumn Bride

Visions Of Atlantis

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