“É a identidade do Thrash dos meados dos anos 80 que pretendemos homenagear”, Sadistik Warfare

Em 2023 nasceu Sadistik Warfare, um projeto que une Portugal e Suíça através da paixão pelo Thrash Metal. A banda surge da amizade de longa data entre os músicos e da vontade de explorar sonoridades que remetem ao Thrash alemão dos anos 80. Com uma demo lançada em cassete limitada a 99 cópias e o álbum de estreia Raised in Violence, os Sadistik Warfare combinam riffs serrilhados, bateria explosiva e vocais abrasivos, trazendo para hoje a energia e a nostalgia de uma época dourada do metal.

Por Sandra Pinto

Nesta entrevista, a banda fala sobre o processo criativo, as influências, os desafios de trabalhar à distância e a homenagem a bandas e filmes que marcaram a sua juventude.

Como surgiu a ideia de formar os Sadistik Warfare em 2023 e de unir Portugal e Suíça neste projeto?
A ideia partiu do Nuno Santos que queria fazer algo dentro do Thrash comigo e com o Hugo Conim, pois somos amigos de longa data e eu (Roberto) ainda cheguei a ensaiar na pré formação dos Amputate na primeira formação de Amputate muito pouco tempo antes do Nuno ir para a Suíça.

O nome “Sadistik Warfare” tem algum significado especial ou história por trás dele?
O nome da banda surgiu da ideia lírica que a banda queria seguir, a temática da guerra e da política em geral.

Quais são as principais dificuldades e vantagens de trabalhar entre dois países diferentes na criação e ensaios da banda?
Hoje em dia com a internet torna-se muito fácil trabalhar à distância. Em termos de ensaios não compromete em nada, uma vez que devido à logística muito dificilmente algum dia iremos atuar ao vivo, pois devido à distância e vida profissional, é praticamente impossível conjugar tempo necessário para ensaiar e tocar.

A demo de 2024 foi lançada apenas em cassete, com edição limitada a 99 cópias. Qual foi a motivação para este formato tão nostálgico?
No início a ideia era mesmo só editar a demo, era apenas um projeto que queríamos ter juntos e como tal, exatamente manter aquela nostalgia dos anos 80 e início dos anos 90.

Quais foram as reações mais marcantes que receberam à demo? Houve alguma que vos surpreendeu?
Praticamente todas as reações nos surpreenderam, uma vez que era algo que fizemos para nós, para termos algo em comum.

Como descrevem a evolução do som da demo para o álbum Raised in Violence?
O disco segue a mesma linha sonora e lírica da demo, a grande evolução foi desta vez termos entregue o trabalho de produção, mistura e masterização a um profissional, ao grande Paulo Vieira aka Paulão, que fez um trabalho brutal e ajudou a que o nosso som ficasse ainda mais coeso e com o peso e sonoridade que pretendíamos.

O vosso álbum de estreia contém nove faixas novas. Qual foi o processo de composição e gravação mais desafiante?
O processo de composição é todo do Nuno Santos, foi ele que compôs e escreveu as músicas originais. Todos gravamos nos nossos estúdios em casa. Talvez o mais desafiante tenha sido para mim (Roberto) na gravação dos vocais, uma vez que gravei tudo completamente sozinho fechado no meu estúdio e fazer algo completamente fora do registo a que estava habituado nos Sortilege.

Há uma forte influência do thrash alemão dos anos 80. Qual o vosso objetivo ao homenagear bandas como Destruction, Protector ou Iron Angel?
Sim, a influência do Teutonic Thrash Metal está muito presente no nosso som, tanto a nível instrumental como vocal. A homenagem deve-se à nossa paixão pelo Thrash alemão dos anos 80 e também porque hoje em dia as novas bandas de Thrash que aparecem, são muito influenciadas pelo Thrash norte americano e aquele ambiente do Thrash alemão tem-se perdido.

A faixa-título, Raised in Violence, foi inspirada no livro sobre Harley Flanagan dos Cro-Mags. O que vos fascinou na história dele e como isso influenciou a letra?
A letra foi escrita pelo Nuno Santos, pois quando ele compôs as guitarras, foi exatamente a pensar na história de vida do Harley que teve um infância e juventude bastante violenta, tanto a nível familiar como nas ruas da periferia de Nova Iorque onde passava grande parte do seu tempo. Se não conhecem a historia do Harley Flanagan, leiam a sua biografia.

As covers são uma parte central da vossa identidade: Rebel Faction – Burnin’ For You, FEAR – Hey e Cro-Mags – Show You No Mercy. Como escolheram estas músicas?
As covers representam o nosso passado enquanto amantes de música no tempo antes de sermos músicos. A faixa de Rebel Faction é uma continuação da nossa homenagem e tributo a um filme que nos marcou a todo, o filme Thrashin’ (em Portugal “Os Loucos do Skate”). A cover de Cro-Mags é um tributo a uma banda que nos marcou e que foi das primeiras bandas a fazer um som Crossover, misturando Punk/Hardcore com riffs Thrash

Qual foi o maior desafio ao reinterpretar estas clássicas sem perder a vossa própria identidade sonora?
O maior desafio foi dar-lhe a nossa sonoridade mas sem perder a identidade original dos temas. Em termos vocais, foram os temas mais desafiantes.

A vossa música combina riffs serrilhados, bateria em estado de guerra e vocais abrasivos. Como definiriam o vosso estilo a quem ainda não ouviu a banda?
A nossa sonoridade pode ser catalogada como OLd School Thrash Metal, uma vez que é a identidade do Thrash dos meados dos anos 80 que pretendemos homenagear.

Há alguma faixa no álbum que considerem particularmente representativa da filosofia e energia da banda?
A eleger uma faixa que representa a sonoridade que pretendemos ter, diria que o tema Beneath The Ashes nos representa bem.

Depois do lançamento do álbum, quais são os próximos passos para a banda? Há planos de digressão ou novos projetos já em mente?
Digressão ou concertos é algo que está fora dos nossos horizontes devido a toda a logística que seria necessária para tal, devido aos elementos viverem em países diferentes e distantes. Mas em termos de um novos trabalhos é algo que temos em mente.

Que conselhos dariam a bandas emergentes que querem seguir um caminho semelhante ao vosso no thrash e hardcore extremo?
Sejam verdadeiro, façam-no porque realmente gostam e não apenas por ser uma sonoridade que ressurgiu nos últimos anos.

A vossa inspiração também vem do filme Thrashin’ de 1986. Como a cultura e nostalgia dos anos 80 influencia o vosso processo criativo hoje em dia?
Os meados e finais dos anos 80 representam a nossa passagem pela juventude, foram nesses anos que vivemos o pico da nossa juventude, foram os anos em que se fez da melhor musica, em todos os estilos da Pop ao Heavy Metal.

Qual foi o momento mais memorável desde a formação da banda até ao lançamento de Raised in Violence?
O momento mais memorável foi ver a aceitação que a banda teve lo no início, quando vimos a nossa demo esgotar em menos de três semanas, e foi isso que fez com que deixasse de ser apenas um projeto de um único registo apenas.

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