Dois dedos de conversa com… Elga Flanger

Elga Bottini acorda da matrix freelancer e decide fazer música pop independente. Com o pseudónimo Elga Flanger, a produtora musical brasileira de Santa Catarina revela as suas colagens sonoras produzidas entre os anos 2017 e 2019 motivo para dois dedos de conversa via e-mail.

Quem é Elga Flanger?
Elga Flanger é meu pseudónimo para este projecto especificamente. É uma mistura do meu primeiro nome com um sobrenome inspirado no universo do projecto. Por enquanto não tenho uma banda e toda elaboração das músicas, desde a composição até a mixagem é feita por mim.

Como surgiu o projecto?
O projecto surgiu da minha necessidade de explorar a música além jobs. Eu estava me limitando a produzir músicas apenas para fins publicitários desde 2013. Em 2015 eu até cheguei a gravar algum material, mas acabei me perdendo no processo e demorei tanto pra terminar as faixas que as músicas pararam de fazer sentido para mim. A vontade de fazer um som que me representasse ficou reverberando na cabeça durante um tempo até eu fazer uma ruptura real na minha carreira, apostando em novos caminhos.

De que forma se desenvolve o teu processo criativo?
Não sei se tenho exactamente uma fórmula, muitos caminhos me levam a compor. Mas acontece geralmente de eu compor já produzindo na sessão do Live ou Pro Tools. A parte inicial é sempre muito espontânea. Gosto de brincar com meus instrumentos e plugins. Quando me dou conta já estou murmurando um inglês que não existe sobre algum background sonoro. Se depois desses experimentos sinto que encontrei algo que valha a pena dividir com as pessoas, sigo em frente. E aí então vou compilando canções para discos futuros.

Em que te inspiraste para escrever W.T.K.U.B.L. e que mensagem procuras transmitir com esta música?
Confesso que tenho uma certa tendência a escrever sobre amores não correspondidos. Em W.T.K.U.B.L. eu quis focar numa nuance específica disso que é a prática do ghosting. Quando alguém simplesmente corta a comunicação com você sem deixar qualquer explicação, você fica se achando maluca e inconveniente, os sentimentos de culpa e rejeição são imensos. Então fiz a canção para expor os sentimentos de quem é ignorado por alguém querido. Esteticamente a música vai para um lado mais upbeat e brincalhão, com vários recortes sonoros. Também acho que transitei por alguns projectos que me inspiram muito e estava ouvindo bastante na época como Toro Y Moi, Unknown Mortal Orchestra e Homeshake. Eu acho muito legal que a roupagem da música não seja tão óbvia. Porque é aquela coisa que um teórico russo falou; todas as histórias essenciais já foram contadas, o mais importante é como você conta aquela mesma história de forma inovadora. Acho que é bem por aí com W.T.K.UB.L.

Como surgiu o vídeo?
No final do ano passado conheci o trabalho da minha conterrânea Lívia Aprá, que é uma filmmaker extremamente criativa. Conversamos muito sobre fazer algum projecto audiovisual para 2020. Até que em Fevereiro filmamos um videoclipe. O comprometimento com a peça foi tão grande que enquanto não finalizamos o vídeo, engatamos um lyric vídeo para já irmos aquecendo as coisas com W.T.K.U.B.L. Bolamos algo simples e rápido pois eu precisava lançar a música o quanto antes. E como a capa do single que Nena confeccionou tinha ficado super linda e somos apaixonadas pelo trabalho dela, resolvemos desenvolver uma animação em cima do desenho dela.

De que forma a pandemia te afectou enquanto artista e pessoa?
Tive que mudar completamente meus planos para 2020. No momento estou retornando para minha cidade natal, de onde tinha acabado de sair para seguir com alguns projectos. Eu estava morando no coração de São Paulo, um dos piores lugares para se estar numa pandemia/crise aqui no Brasil. Mas hoje entendo quando dizem “por motivo de força maior”. Estou aproveitando esse momento para resolver coisas que estão dentro de mim, já que o que está fora está para além do meu controle.

Acham que temos de retirar algum ensinamento de tudo o que está a acontecer?
Sem dúvida nenhuma. Esse vírus é uma enorme lição, se estivermos bem atentos. É surpreendente como um mesmo vírus afecta de forma tão particular cada um de nós. Eu por exemplo, estava com tudo calculado para os próximos anos, mas de repente veio essa ruptura, e com ela um sentimento de culpa. Fritei o cérebro por um certo tempo tentando passar por cima do vírus, achando que daria para seguir como antes. Mas é isso, temos que nos adaptar a um novo normal que ainda é muito difícil de enxergar. Acho que somente agora, depois de muitos meses nessa situação, que eu finalmente começo a vislumbrar algum tipo de estilo de vida, por assim dizer, nesse novo cenário.

Para quando mais músicas de Elga Flanger?
Para breve. Estou finalizando o videoclipe de “Blow-Up”, segundo single do EP “Akashics”. Stay tuned!

Pensas vir actuar em Portugal em 2021?
Penso que sim e já estou estudando formas de viabilizar alguns shows em Portugal assim que tudo estiver mais tranquilo.

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