dEUS no Coliseu de Lisboa e a festa fez-se entre amigos

The Ideal Crash, assim se chama o álbum de dEUS a que viemos cantar os parabéns no Coliseu de Lisboa.

Curiosamente, a festa fez-se na véspera de um dia também ele comemorativo e de demais importância para Portugal, a celebração do 25 de Abril. Duas efemérides distintas, mas que se tocam no factor liberdade, seja ela de expressão, de associação ou simplesmente de ser como somos.

Muitos dos que enchíamos o Coliseu já éramos nascidos a 25 de Abril de 1974, logo quando The Ideal Crash foi lançado já éramos crescidos o suficiente para lhe dar o devido valor. O valor de um excelente trabalho de uma banda também ela fora de série. Nos rostos de 90% do público as rugas que atestam o passar dos anos. Não que elas nos incomodem, pois estar por cá passadas duas décadas é bom, aliás é muito bom. Apenas o referimos para que se perceba que quem ali foi na noite de 24 de Abril sabia bem ao que ia e não ia ficar satisfeito se a festa não fizesse justiça ao passar dos anos.

Mas rapidamente se percebeu que justiça seria feita, e que as canções que compunham The Ideal Crash têm ainda muita estrada para andar e emoções para preencher os corações de quem as conhece de trás para frente e de quem as ouve agora pela primeira vez. É verdade, as boas canções têm essa capacidade, a de serem eternas.

São já 28 os anos de existência dos dEUS. Nada que transpareça pois a jovialidade de cada elemento da banda ficou ali bem patente, com o devido enfoque em Tom Barman, cuja voz permanece tremendamente sedutora. Se em 1999 éramos todos mais jovens, hoje somos, certamente, todos mais sábios, pelo que a atenção com que emprestamos os nossos ouvidos à música é outra. Primeiro porque não é qualquer música que ganha a nossa atenção, depois porque mesmo aquelas canções que julgamos conhecer conseguem agora surpreender-nos… Aliás, aqui para nós, não são as canções que nos surpreendem, se analisarmos bem a situação somos nós que nos surpreendemos a nós próprios. Como, pergunta desse lado? Simples, primeiro porque já não temos pressa e dedicamos-lhes mais tempo, e depois porque temos mais experiência o que nos dá a devida capacidade para ler nas entrelinhas.

E foi isso que fizemos todos naquela noite, juntamente com dEUS, que é como quem diz, Tom Barman (voz, guitarra), Klaas Janzoons (violino, teclados, voz), Alan Gevaert (baixo, voz), Stéphane Misseghers (bateria, voz) e Bruno De Groote (guitarra, voz).

O alinhamento não trouxe surpresas percorrendo com calma cada canção de um álbum que teve como único pecado, disse Barman, «o facto de ter sido gravado em Espanha». Pois, dada a proximidade que o vocalista tem com Portugal, a verdade é que podia bem ter sido gravado por cá. Não que isso lhe trouxesse maior reconhecimento do que já tem, mas que daria certamente outro glamour quando tocado por terras lusas, isso certamente.

Hora e meia depois de termos entrado no Coliseu de Lisboa os dEUS davam por terminada a celebração. A fechar a pista “Nothing Really Ends”, aquela que é “só” a nossa canção preferida da banda desde sempre. Verdadeira emoção a fechar com chave de ouro uma noite de festa em que se reviram velhos amigos e se brindou ao nascimento de novas amizades. A ligar tudo a música dos dEUS porque como canta Barman em “Nothing Really Ends”,«And do I have a chance / Of doing that old dance again / Is it too late for some of that romance again / Let’s go away, we’ll never have the chance again / I take it all from you / I take it all from you».

Uma referência a Trixie Whitley, que responsável pela primeira parte da noite, brindou os presentes com melodias cheias de ritmo.

Pouco conhecida do público português, a multi-instrumentista belga-americana, filha do cantor e compositor Chris Whitley, esforçou-se por chamar a atenção dos que, calmamente, iam ocupando o seu lugar no Coliseu. Tarefa nada fácil, mas que nos pareceu bem concretizada pelos número de aplausos, merecidos diga-se de passagem, que foi conseguindo arrancar do público cada canção.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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