Dean Wareham no Sabotage
Ao fim de 25 anos de carreira, Dean Wareham estreou-se em nome próprio depois de uma série de álbuns com os seus anteriores projetos, Galaxie 500 e Luna, os quais marcaram história da música das últimas décadas.
Editado no passado dia 10 de março, o álbum homónimo, que conta com a participação de Britta Phillips no baixo (mulher de Wareham), Anthony LaMarca na bateria, e Jim James, figura de proa dos My Morning Jacket, nas guitarras, coros, vozes e produção, foi apresentado num concerto no Sabotage Rock Club em Lisboa.
Apesar de ter não sido muito o público que se deslocou à sala do Cais do Sodré, a verdade é que os que lá estavam eram fãs acérrimos da carreira de Dean, pelo que não só foram muito os que acompanharam cantando, como se foram ouvindo pedidos desta ou daquela música.
Num entrevista recente o neozelandês radicado nos Estados Unidos desde 1977, afirmava «sou um tipo antigo mas ainda sou do rock», facto que todos pudemos constatar no decurso do excelente concerto do Sabotage. Com um alinhamento do qual faziam parte músicas do seu mais recente registo a solo, a verdade é que foram os grandes hinos dos Galaxie 500 que deixaram todos extasiados. Nascidos em solo norte-americano no final da década de oitenta, os Galaxie 500 foram um dos nomes mais marcantes do indie concebido por terras do Uncle Sam nos primeiros anos da década seguinte. Ao longo da sua existência a banda foi cimentando uma fama qb junto de uma franja de público fiel que nela revê os seus sonhos de adolescente onde a depressão tem lugar de evidente destaque. Nada que agora, já bem na idade adulta, nos deixe demasiado perturbados. “Temperature’s Rising” abre as hostilidades abrindo o apetite musical de todos para o repasto que a seguir seria servido.
Das iguarias servidas destacamos “Emancipated Hearts” («How can we face the storms without emancipated hearts?», pergunta Dean nesta música integrada no seu primeiro registo discográfico a solo) , “The Dancer Disappears” e “Don’t Let Our Youth Go To Waste”, esta última a sua versão para um original de Jonathan Richman que marcou claramente a noite como um dos pontos mais altos do concerto, que o dia o fã já na casa dos 50 que à nossa frente não parou de dançar enquanto fazia os gesto de tocar guitarra, algo tão tipicamente anos 80. Ao lado nosso lado quase apostamos que pelas faces de uma fã incondicional uma lágrima rolava sinal da pura emoção que naquela noite se sentiu na sala do melhor clube de rock da capital.
“Heartless People”, do mais recente álbum, “Tugboat”, single de 1988, e “Fourth Of July”, música dos Galaxie 500 lançada em 1990, foram as senhoras canções que se seguiram rumo a um final que não vamos esquecer ao som de “Ceremony” dos Joy Division.
Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

