D’Bandada musical na Invicta cidade do Porto

Black Bombaim > Ianina Khmelik & convidados > Blac Koyote > Sensible Soccers > The Poppers > Memória de Peixe > Pontos Negros > Souls of Fire > Balla > Samuel Úria > Nice Weather For Ducks > We Trust

Porto, sábado, 15 de setembro.
Um dia igual aos outros? Não, este seria um dia diferente pois era a data marcada para acontecer mais uma Optimus D’Bandada, evento que iria levar muita música e animação à cidade nortenha, com mais de 40 concertos de outras tantas bandas.
Com início agendado para as 15h00, o evento marcou presença numa das zonas mais trendy da cidade, conhecida como Galerias de Paris, ou Piolho, para os mais antigos e fervorosos adeptos da tradição. Por entre os espaços onde os concertos tiveram lugar de assinalar a Barbearia Veneza, cujo proprietário aceitou receber Nuno Prata e Samuel Úria em concertos a solo visíveis através da montra da barbearia à moda antiga, e a loja Vida Portuguesa, onde tivemos ocasião de assistir, por entre objetos que marcam a história nacional, aos concertos de Ianuna Khmelik, Balla e We Trust.

Mas a verdadeira festa aconteceu nas ruas, as quais receberam ao início da noite milhares de pessoas, muitas delas vindas da manifestação contra a austeridade que horas antes enchia por completo a Avenida dos Aliados. Foi bonito pá, apetece dizer!
A verdade é que para (Optimus) D’Bandar como deve ser, quase precisamos de um kit de sobrevivência (de preferência liquido para aguentar o calor de verão que naquele dia se fazia sentir no Porto) e de boas pernas, pois, não estando os espaços geograficamente longe uns dos outros, com o desejo de ver e ouvir o máximo possível tudo fica mais complicado… Mas, encarado o desafio, o principal é elaborar um plano de ataque assinalando os concertos que se querem mesmo ver e ir olhando para o relógio, pois os horários são muitas vezes coincidentes.

Dito isto, o resto é fácil e resume-se a aproveitar da muita e boa música, como aquela que os Black Bombaim nos deram no Café au Lait. Oriundos de Barcelos traziam atrás de si uma considerável legião de fãs que não podendo entrar no espaço físico do concerto se concentraram à porta ouvindo o alinhamento baseado, sobretudo, em Titans, o mais recente trabalho da banda.

No mesmo espaço tivemos ainda oportunidade de ouvir os Blac Koyote, os Sensible Soccers e os Memória de Peixe. Os primeiros conseguiram juntar um público bastante heterogéneo pois podíamos ver pais e filhos adolescentes com o mesmo empenho a apreciar devidamente a música eletrónica que o projeto a solo de José Alberto Gomes (Ninai) trouxe à Optimus D’Bandada.

Com os Sensible Soccers a qualidade manteve-se e o público também, pois a banda apresentou o seu EP homónimo lançado em outubro do ano passado e que tem sido extremamente bem recebido, tanto cá no burgo como aqui ao lado, em Espanha. Mas a verdadeira enchente no Café au Lait (dos concertos que por lá vimos) aconteceu com os Memória de Peixe, o que não é de estranhar pois o projeto do guitarrista Miguel Nicolau e do baterista Nuno Oliveira tem vindo a cimentar uma carreira consistente, com concertos bastante concorridos e um crescente número de fãs. À Optimus D’Bandada trouxeram um Indie-Pop instrumental, base da sua música e do primeiro e homónimo trabalho de originais lançado em maio último.

Um dos espaços mais interessantes onde foram acontecendo concertos foi a loja Vida Portuguesa, onde, por entre objetos que fazem parte da memória coletiva do nosso povo, tivemos ocasião de assistir a três interessantes prestações. A primeira, por parte da violonista russa Ianina Khmelik, foi para nós uma surpresa pois era-nos quase desconhecida. O público foi naquele concerto verdadeiramente sui generis, uma vez que na primeira fila, sentados no chão, estavam crianças, algumas de tenra idade, o que deu um colorido diferente àquela meia hora durante a qual se ouviram músicas do seu mais recente trabalho, Golden Blue, as quais nos trouxeram à memória excertos do filme “O Fabuloso Destino de Amélie ” de Jean-Pierre Jeunet (2001) e onde se notaram as influências de autores como Rodrigo Leão, Gotan Project ou mesmo Piazzolla…

Mas a Vida Portuguesa recebeu também o excelente concerto de Balla…para nós uma das melhores prestações a que tivemos ocasião de assistir naquela noite. Com o nome inspirado no pintor italiano futurista Giacomo Balla, o projeto musical português ganhou forma em 2000 pela mão de Armando Teixeira. Na Optimus D’Bandada tivemos oportunidade de ouvir músicas de trabalhos anteriores, mas também algumas do novo registo de originais, Canções, recentemente lançado pela Optimus Discos e altamente aconselhável. Pelo público algumas caras conhecidas como Rui Reininho, dos GNR, que nos afirmou “vim ver um dos meus”!

A nossa última passagem pela Vida Portuguesa coincidiu com o concerto dos We Trust, projeto com o qual já nos tínhamos cruzados aquando da apresentação dos Novos talentos FNAC 2012 (http://look-mag.com/2012/06/29/novos-talentos-fnac-2012-noite-ii/) e que tem como mentor André Tentugal. Um concerto bastante intimista, que trouxe até aos ouvidos de um público atento as canções de These New Countries.

Fora de portas, ou seja, ao ar livre tivemos ocasião de assistir a concertos no Coreto da Cordoaria, espaço onde se podia pensar ver uma banda filarmónica, mas nunca os The Poppers. Mas a verdade é que eles estiveram por lá e bem! Mais uma vez Luís Raimundo e seus companheiros fizeram desfilar uma mão cheia de canções de alma rock, dedicando desta vez a sua prestação “a um senhor da rádio chamado Henrique Amaro! Uma salva de palmas para ele!”. “Se não fosse ele, não estávamos aqui hoje”, confessou o vocalista. Pela nossa parte agradecemos ao Henrique, pois o panorama musical nacional não seria certamente o mesmo sem The Poppers, uma verdadeira lufada de rock na música nacional.

No mesmo Coreto, atuaram Os Pontos Negros, com muito público do qual convém destacar o clube de fãs, sempre animados e a pedir para aparecer nas fotografias. Nascidos em 2005, na suburbana Queluz, a banda é composta pelos irmãos Pires, Jónatas e David, aos quais se juntaram os amigos Filipe e Silas. Praticam uma pop juvenil e limpinha que deixou todos a cantar e a dançar rem redor do coreto. Músicas como “Salomé” ou “Magnifico Material Inútil” fizeram furor. A banda apresentou também canções de Soba Lobi, o mais recente trabalho de originais lançado este ano pela Optimus Discos.

Em trânsito para o Armazém do Chá, onde tínhamos como o objetivo assistir aos concertos de Samuel Úria e Nive Weather for Ducks, parámos por momentos em frente ao palco instalado na Praça do Leão, onde os Souls of Fire aqueciam os corações e os corpos do muito público que por lá estava e que não se fez rogado a dançar ao som reggae da banda já com uma década de vida.

Não foi fácil subir as escadas que levam à sala de concertos do Armazém do Chá, mas quem conseguiu deu o esforço por válido, pois o que lá em cima se passou compensou a árdua tarefa. Primeiro Samuel Úria que a solo deixou o público contente (nós incluídos) com um concerto que apesar de intimista revelou o excelente músico que ele é, facto que já tínhamos tido ocasião de constatar aquando do Rock in Rio 2012 (http://look-mag.com/2012/06/08/rock-in-rio-para-alem-das-geracoes-v/).

E que falar dos Nice Weather For Ducks? Que são bons? Já toda a gente sabe! Que dão excelentes concertos? Não é novidade! Enfim, foi um concerto que nos deixou com água na boca, ou melhor, desejo no ouvido, pois deu-nos uma vontade imensa de voltar a pegar em Quak e ouvi-lo de uma ponta à outra. Oriundos da zona de Leiria, ao ouvi-los ninguém diria que são tão jovens (cerca de 20 anos) e que têm como desejo “quando forem grandes escrever mais canções e tocá-las por todo o lado”. Pois bem, vão no bom caminho!

Antes de nos perdemos na celebração de fim de festa na Garagem Gareporto, com DJ Nery, os Beatbombers e DJ Ride, uma referência ao DJ Set de Mirror People, com Rui Maia a dar música ao povo a partir da janela do Studio Andrew Howard!
Resumindo, não há Optimus D’Bandada como esta na Invicta! E a verdade é que até podia acontecer noutra qualquer cidade do país, mas não seria, certamente, a mesma coisa!

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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Artigo disponível (sem necessidade de Adobe Flash Player) em: http://look-mag.com/2012/09/20/dbandada-musical-na-invicta-cidade-do-porto/

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