Cronos, a voz que ajudou a dar nome ao Black Metal, morreu aos 63 anos
Conrad “Cronos” Lant, vocalista, baixista e figura central dos Venom, morreu aos 63 anos. A notícia foi confirmada esta quinta-feira, 1 de outubro, pela própria banda através das redes sociais. A causa da morte não foi divulgada.
Nascido em Newcastle upon Tyne, em Inglaterra, a 15 de janeiro de 1963, Cronos esteve no centro da formação dos Venom desde os primeiros anos da banda, ao lado de Jeff “Mantas” Dunn e Anthony “Abaddon” Bray. Ao longo de mais de quatro décadas, a sua voz, o baixo e uma visão artística deliberadamente agressiva ajudaram a transformar os Venom numa das bandas fundamentais da história do metal extremo.
O primeiro grande marco surgiu em 1981 com Welcome to Hell. Um ano depois, Black Metal levaria ainda mais longe a combinação de velocidade, distorção, atitude e iconografia obscura que caracterizava o grupo. O próprio título do álbum acabaria por dar nome a um género que, nas décadas seguintes, se tornaria uma das vertentes mais importantes do metal extremo.
A influência de Cronos e dos Venom não ficou confinada ao underground britânico. A abordagem rudimentar e agressiva do grupo ajudou a abrir caminho para diferentes gerações de músicos de thrash, death e black metal. Metallica e Slayer estiveram entre as bandas que passaram pela órbita dos Venom nos primeiros anos da expansão do metal extremo.
Cronos permaneceu ligado aos Venom durante grande parte da sua história, atravessando mudanças de formação e diferentes fases musicais. Em 2026, a banda tinha acabado de editar Into Oblivion, o seu 16.º álbum de estúdio, lançado em maio pela Noise/BMG. O disco apresentava Cronos na voz e no baixo, acompanhado por Rage na guitarra e Dante na bateria.
Poucas semanas antes da sua morte, Cronos tinha ainda falado publicamente sobre a sua vida, a música e os Venom numa entrevista publicada pela Classic Rock/Metal Hammer. O músico continuava a olhar para o percurso da banda como uma forma de quebrar regras e abrir espaço para que outros artistas fizessem o mesmo.
No comunicado publicado após a sua morte, os Venom lembraram que, durante mais de 40 anos, “a voz, o baixo e a visão” de Cronos estiveram no coração da banda. O grupo recordou ainda Welcome to Hell, Black Metal, At War With Satan e Possessed, antes de deixar uma mensagem dirigida às chamadas “Legions”, nome pelo qual são conhecidos os fãs dos Venom.
Nathan, filho de Cronos, deixou também uma mensagem aos fãs. Agradeceu às “Legions” todo o apoio dado ao pai ao longo dos anos e escreveu que sabia que o músico lhes estava grato. “Ele deixou a sua alma e a sua música viverá”, afirmou, terminando com uma frase que resume a dimensão simbólica que Cronos conquistou dentro do metal: “A lenda de Cronos nunca morrerá.”
Cronos desaparece aos 63 anos, mas o som que ajudou a criar continua a atravessar gerações. Antes de o black metal ter um nome, os Venom já tinham ajudado a imaginar o que poderia ser. E no centro dessa tempestade estava Conrad “Cronos” Lant.
A música fica. A voz fica. A lenda fica.