À conversa com Signs of the Silhouette

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Criatividade, inovação e mestria musical podia bem ser a tríade que preside ao nome Signs of the Silhouette. Lançaram recentemente o registo de originais “Spring Groove”, pretexto mais do que suficiente para voltarmos a conversar com eles.

– Falámos com vocês em 2013, mantêm a mesma formação?
Sim. Somos três: guitarra, bateria e vídeo. Tocamos também com artistas convidados como uma forma de interação e contacto das nossas abordagens com o exterior.

– Ao nível dos instrumentos continuam a dar preferência à guitarra elétrica e à bateria ou existe, digamos, um terceiro elemento?
Neste projeto existem até agora três instrumentos: guitarra elétrica, bateria e um terceiro: o vídeo. Talvez não seja algo audível num disco mas esta lá sempre presente como inspiração para o som que se ouve.
Quanto à preferência, não vemos assim as coisas. O que nos interessa é a perspetiva e a forma de abordagem do som e da imagem que procuramos que vá para lá do que se esta habituado a sentir. Além disso temos sempre artistas convidados como Hernani Faustino, Helena Espvall, Tiago Sousa com a sua visão e instrumentos. Elementos exteriores essenciais como fontes de reação e interação.

– Em 2013 a nossa conversa foi o lançamento da trilogia Monochrone. Projeto arrojado qual o balanço passado este tempo?
A trilogia ficará para nós sempre como os álbuns que foram pilares de base para a construção do nosso pensamento imagético e sonoro. As nossas apresentações foram muito bem aceites pelo público, quer em termos de construção sonora, quer como visual. A nossa abordagem não é algo tradicional e isso não é somente reconhecido mas também como um registo diferente que desperta interesse e curiosidade.

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– Chega agora um novo registo discográfico ao qual deram o nome de “Spring Groove”, o qual é, a nosso ver, marcado por uma maior intensidade musical. Concordas?
“Spring Grove” é uma outra abordagem do som. Envolve cor, temperatura, etc. Vai para lá dos conceitos de sombra, traço, território, marca, que sentimos nos outros registos.
É algo contínuo, fluente. Um mantra psicadélico de vários instrumentos… Uma outra abordagem, mas se é mais intensa, já é subjetivo.

– LSD versus cor versus caos…poderá ser uma trilogia de influências deste vosso trabalho?
Achamos que não, mais uma sequência de sugestões e noutra ordem talvez: cor, LSD, trip, transe. Se nos permitirem a metáfora, nós estamos num rio com rápidos, manobramos o barco, desviamo-nos dos obstáculos, não sabemos o destino ou o fim, mas fluímos.

– LSD nos anos 50… como chegaram até aqui?
Desde o início sabíamos que queríamos abordar a cor neste álbum, mas de uma forma diferente. O nosso campo de estudo é a perceção nas suas várias formas. Pensamos na perceção alterada. Acidentalmente tropeçámos em leituras onde encontrámos descrições verbais de trips alucinogénias com varias substâncias.
Uma das coisas em comum descrita eram as diferentes tonalidades e vivacidades que a cor pode atingir nesses estados de perceção alterada. Achamos a ideia fenomenal!
Pesquisámos depois sobre a descoberta do LSD e achámos interessante a história de Spring Grove – um dos primeiros estudos científicos da substância alucinogénia (na altura legal) antes de ela cair no domínio popular, o que abortou todo o processo.
O documentário (que pode ser visto na internet) e as descrições dos pacientes foi o ponto de partida para as nossas explorações sonoras e visuais.

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– “Spring Groove” é o nome deste quarto registo discográfico. Mas é também o nome do hospital onde se realizavam essas experiências…como classificas este disco?
É algo tão exploratório quanto os outros mas noutro nível de concentração. Enquanto na trilogia nos preocupamos com determinado tipo de perceções, dependendo do álbum (narrativa, a dicotomia visual preto e branco, território, contaminação etc…), neste último trabalho estamos focados em elementos como, vibração, temperaturas, intensidade, mas tudo dentro de uma coluna fluente onde harmonias díspares se aproveitam umas às outras como perceções que se vão criando e recriando a partir de si próprias e de outras. A estrutura musical segue o conceito de uma alucinação visual. Fluências de sons sugerem outros, transformam-se noutros. Perdem-se, reencontram-se mas seguindo um percurso não delineado.

– Que emoções pretendem provocar em quem vos escuta?
Difícil responder a essa pergunta. Nós não pretendemos provocar nada a ninguém intencionalmente… simplesmente vemos, sentimos e transmitimos. A pesquisa é algo tanto para nós como para quem vê e ouve porque também pode descobrir. Talvez a melhor resposta seja a de “que queremos provocar-nos”!

– Som e tempo, como é possível harmonizar ambos os conceitos?
Intuição e sentimento… Não existe lógica nestas coisas ou pelo menos no nosso trabalho não a usamos. É uma matemática do espirito que quando a sentimos sabemos simplesmente que o resultado esta correto. É a nossa fenomenologia.

Por: Sandra Pinto

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