À Conversa com Agir

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Filho de pais ligados à música e ao teatro, Agir tem por cenário Lisboa. É na capital que um dia decide pegar no computador e dar início a uma odisseia exploratória no mundo da produção. Com um cada vez maior portefólio de músicas, escritas para si mesmo ou para serem interpretadas por outros, Agir lança agora um novo disco, pretexto para dois dedos de conversa.

©Arlindo Camacho

Como surgiu o teu interesse pela música?
O meu interesse pela música surgiu muito cedo. Lembro-me que nas idas para o Algarve e não só, o meu Pai fazia-me ouvir os discos dos artistas que gostava… Até que aos 12/13 anos eu comecei a ter vontade de ouvir a minha própria música e não a dos outros… Então decidi pegar num computador, numa guitarra e num teclado midi e “fiz-me à vida”…

Que influência tiveram os teus pais nesse teu amor pela música e pelas artes?
Mais o meu Pai do que a minha Mãe! Ele teve uma influência muito directa, não diria tanto musicalmente, mas mais na forma de estar e de respeitar esta profissão.

E porquê o hip hop?
Apesar de não fazer só hip hop, tenho uma ligação muito forte ao estilo mas não me considero de todo um “rapper” e tenho muito respeito por quem o é à séria. Já fiz muitos estilos, mas, sem dúvida, que o R&B é onde me sinto em casa.

©Arlindo Camacho

Dirias que este é um género com alma e sentimento de mudança, de guerrilha até?
Dependendo do artista em questão, poderá ser, sim…

Numa altura como aquela em que vivemos é preciso dar voz aos que pouca voz têm. Concordas?
Sim, claro! Todos nós somos mais sensíveis a umas causas do que a outras e se pudermos usar a nossa exposição e a nossa arte para ajudar, porque não? Embora não ache que tenhamos a obrigação de o fazer, pois, como tudo, deverá partir da alma.

Achas que a música poderá ser uma “arma” de cariz interventivo e social?
Acho que pode, lá está, mas não tem que ser…Em Portugal há muito a mania de que algo para ser bom e considerado arte ou cultura tem de ser interventivo ou dramático. Eu acho que a música, assim como o cinema ou outra forma de arte qualquer pode ser puramente entretenimento e não ser menos boa por isso.

Como surgiu o nome Agir?
É uma alcunha de miúdo. Antes agia muito por impulso e sem pensar…Coisa que já não acontece com tanta frequência.

O que pretendes transmitir com ele?
É apenas o meu nome artístico, a minha identidade…

©Arlindo Camacho

Como é o teu processo de criação?
É solitário e noctívago mas bastante feliz.

Em que te inspiras para escrever?
Eu costumo dizer que para nos inspirarmos basta estarmos vivos. Tudo o que me rodeia inspira-me.

Gravaste o teu primeiro trabalho, “Agir” em 2010, seguido do EP “Alma Gémea”. O que serviu de base a estes dois registos?
O primeiro álbum foi quase um “best of” de músicas que já existiam na net há uns anos e que a malta, que já me seguia há algum tempo, conhecia. O “Alma Gémea” partiu da necessidade de mostrar a quem me conhecia mal que até canto “qualquer coisa”. Sempre usei muitos efeitos na voz por gosto pessoal e antes desse trabalho muita gente dizia: “Esse gajo não canta nada é tudo estúdio e maquinaria”. Aproveito para agradecer a quem não acreditava em mim pois fez com que gravasse com músicos amigos um dos meus melhores projectos. (risos)

Como surgiu a mixtape #agiriscoming?
Depois do “Alma Gémea”, como já tinha mostrado o que valia o meu trabalho, voltei ao “Agir” de sempre, puro e duro. Músicas de R&B mais electrónicas com a devida evolução dos tempos.

Voltas a editar no próximo ano. O que vamos poder encontrar no teu novo disco?
Vão encontrar um “Agir” puro e duro à mesma mas com um maior cuidado ao nível da produção dos instrumentais, das letras das músicas, no fundo uma mixtape “#agiriscoming”. (risos)

Como surgiu a colaboração de Regula no single “Deixa-te de merdas”?
O “Deixa-te de merdas” era um som que já existia na mixtape sem a participação do Regula e houve um dia em que ele ligou-me a dizer que curtia pôr um verso dele no som, porque tinha curtido muito a música. Ao mesmo tempo, pelo feedback do youtube e das redes sociais, apercebi-me que era a música favorita da mixtape! Juntei o útil ao agradável e surgiu o videoclip.

©Arlindo Camacho

Achas que hoje se perde muito tempo com coisas sem valor, não se dando importância àquilo que realmente tem?
Não, acho que existem é mais coisas sem valor para perdermos tempo com elas porque sempre foi assim.

Enquanto artista qual a tua maior ambição?
Conquistar o mundo com a minha música! (risos)

E enquanto ser humano qual o teu maior desejo?
Não consigo separar a música da parte humana, é um casamento umbilical para mim.

O que é que podemos esperar do concerto agendado para o Armazem F?
Vai ser um encerrar dos concertos que andei a fazer na Tour deste ano e o começo da próxima. Vou ter coisas novas do próximo álbum, vou ter um momento com três músicas antigas (antigas mesmo) e vou estar rodeado de amigos em cima e fora do palco. Espero poder contar com toda a “TEAM GOT IT” (risos) GOT IT!!!

Agir em concerto
Armazém F, Lisboa
Dia 18 de dezembro
Às 21h00

Por: Sandra Pinto

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