Os Beautify Junkyards lançam agora um novo registo discográfico, “The Invisible World of...”, pretexto para uma conversa com João Branco Kyron.

À conversa com Beautify Junkyards a propósito do novo disco

Os Beautify Junkyards são João Branco Kyron nos sintetizadores e voz, Rita Vian na voz, João Pedro Moreira na viola e sintetizadores, Helena Espvall no violoncelo e viola, Sergue no baixo e António Watts na bateria e percussões. Os Beautify Junkyards lançam agora um novo registo discográfico, pretexto para uma conversa com João Branco Kyron.

Para quem não vos conhece vamos andar um pouco para trás no tempo para saber quem são e quando nasceram os Beautify Junkyards?
Os Beautify Junkyards iniciaram actividade em 2013. Tudo começou de uma forma um pouco acidental quando começámos a gravar versões de músicas folk de autores que gostamos e ao fim de uns meses já tínhamos material suficiente para um álbum. Assim surgiu o nosso primeiro disco, totalmente composto por versões. Talvez seja uma forma pouco ortodoxa de iniciar uma banda, mas para nós fez todo o sentido.

Com esse álbum de estreia receberam críticas calorosas. O que mudou de lá para cá na vossa música?
As nossas influências são bastante vastas. Temos vindo a explorar diferentes latitudes, sendo o nosso primeiro álbum mais pastoral e idílico. De lá para cá temos vindo a adicionar mais elementos da música electrónica, da tropicália, da música cósmica germânica e temos vindo a explorar o universo de bandas eartistas portuguesas, como os Quarteto 1111, a Banda do Casaco e o Zeca Afonso.

“The Invisible World of…”; é o vosso terceiro registo discográfico. De quem é o mundo invisivel de que fala o titulo do álbum?
É um percorrer de caminhos repletos de magnetismo. É atracção pelo encantamento que o oculto nos desperta, histórias num universo cinemático misterioso (Morgiana, Picnic em Hanging Rock), é ter coragem de abandonar o “conforto” das luzes da cidade, percorrendo as zonas mais sombrias dos arredores, mas que são a passagem para jardins arcadianos.

Pelo que se percebe pelo primeiro single, o disco é dono de um ambiente mais atmosférico. Como o enquadram no vosso percurso?
“Aquarius” é uma música que vive bastante da polirritmia e do ambiente mais tropical. Quisemos explorar neste álbum abordagens rítmicas mais ricas.

Apelidam o vosso som de cosmic folk. O que é que caracteriza esta sonoridade e quais as vossas principais influências?
Percebo que haja a necessidade de catalogar a música das bandas e que esse termo traduz uma das nossas muitas faces. Somos a junção da folk com a música electrónica de cariz mas ambiental, mas também somos bastante “contaminados” por diversas bandas portuguesas (como citei anteriormente), pela música brasileira do período da tropicália e pela electrónica mais contemporânea. A verdade é que também nos atraem bastante certas bandas sonoras e “library music”. Como algumas referências podemos citar, Lula Cortês, Flaviola e o bando do Sol, Quarteto 1111, Banda do Casaco, BBC Radiophonic Workshop, White Noise, Boards of Canada, Incredible String Band, Vashti Bunyan, Cosmic Jokers, Tangerine Dream, entre muitos outros.

O que significa para vocês enquanto músicos o facto de editarem pela Ghost Box?
É uma editora de culto, uma referência máxima de uma determinada estética musical denominada de “hauntologia”. Ao longo dos anos tem vindo a apresentar um leque da bandas e artistas muito reduzido, quase hermético, logo, para nós, foi um privilégio termos sido convidados para entrar para a família. É um reconhecimento muito importante do nosso valor criativo.

É um marco importante na carreira da banda?
Sem dúvida! A Ghost Box tem alcance global e isso vai permitir que a nossa música chegue cada vez mais longe e a mais pessoas que estejam canalizadas no universo que Ghost Box projecta. Obviamente que não estamos a falar de um editora mainstream, mas fico impressionado com a quantidade de pessoas que nos procuram e enviam mensagens desde que anunciámos a ligação à Ghost Box.

Julian House é o responsável pelo artwork. Como surgiu esta “parceria”?
O Julian House (Focus Group) é um dos responsáveis pela Ghost Box em parceria com o Jim Jupp (Belbury Poly). O Julian é o responsável por todo universo visual das edições da Ghost Box. Foi óptimo trabalhar com ele, trocámos muitas ideias e inspirações antes de se avançar para o projecto final da capa. Para nós é um privilégio ter uma capa idealizada por alguém que já produziu capas para artistas como os Primal Scream, Broadcast, Can (Lost Tapes).

O que querem transmitir com a capa de “The Invisible World of…”?
É uma alusão ao título do álbum, a ligação à natureza, a personagens invisíveis e um convite a entrar no bosque.

O novo álbum marca a estreia de Helena Espvall na formação da banda. Como é que aconteceu e que mais-valias vai o violoncelo trazer ao vosso som?
A Helena escolheu Lisboa como a “sua” cidade, conhecemo-nos através de uma amiga comum, a cantora folk americana Erica Buettner, quando começámos a trabalhar no novo álbum e sabendo da ligação da Helena à folk, resolvemos convidá-la para entrar para a banda. Foi uma escolha feliz, é uma multi-instrumentista muito talentosa.

Tendo editado pela Ghost Box aspiram agora a lançar uma carreira internacional?
Desde o primeiro álbum que temos tido boa receptividade por parte da rádio. Temos ouvido as nossas músicas em rádios como a BB2, a BBC6 e a KeXP. Na imprensa estrangeira temos recebido boas críticas por parte de revistas como a Shindig, a Wire ou a Goldmine. Agora com o novo álbum a ser editado pela Ghost Box, penso que vamos chegar a mais pessoas. Aliás, podemos já adiantar que estamos a tentar programar alguns concertos de promoção no Reino Unido.

O disco sai a 09 de Março. Já há datas para a sua apresentação ao vivo?
Só vamos começar a tocar a partir de Abril. Estamos a marcar alguns concertos de apresentação em várias cidades portuguesas.

Saibam mais sobre o novo álbum aqui.

Por: Sandra Pinto

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