Conferência de imprensa de Benjamin Clementine no Vodafone Paredes de Coura 2017

No último dia da edição 2017 do Vodafone Paredes de Coura, Benjamin Clementine subiu à vila minhota para, no Centro Cultural, dar uma conferência de imprensa exclusiva.

No último dia da edição 2017 do Vodafone Paredes de Coura, Benjamin Clementine subiu à vila milhota para, no Centro Cultural, dar uma conferência de imprensa exclusiva

Nascido em Londres há 28 anos, o músico viveu largos anos na capital francesa. Tendo editado “At Least for Now” em 2015 com o qual obteve um tremendo sucesso, Benjamin Clementine prepara o lançamento de um novo registo discográfico. “I Tell a Fly” deverá chegar às lojas a 15 de setembro próximo, mas nós tivemos o privilégio de escutá-lo em primeira mão, numa sessão exclusiva promovida pela editora Universal poucas horas antes do concerto de Benjamin no último dia do Vodafone Paredes de Coura 2017.

No último dia da edição 2017 do Vodafone Paredes de Coura, Benjamin Clementine subiu à vila minhota para, no Centro Cultural, dar uma conferência de imprensa exclusiva

Diferente dos anteriores, as músicas do novo registo do artista, sabemos hoje, resultam de forma magistral ao vivo, ganhando uma amplitude e uma força ainda maior como bem se viu com “Phantom of Alepoville”, “God Save the Jungle” e “Jupiter”. Após a audição, o músico juntou-se aos muitos jornalistas, nacionais e estrangeiros, para uma miniconferência de imprensa.

Sobre o novo registo, “I Tell A Fly” revelou o músico «ser um disco sobre o fim do mundo no qual vamos descobrir referências à guerra na Síria, além de metáforas que no fundo descrevem a situação pela qual a Europa e o mundo passam hoje».

Ancorando muita da melodia no cravo, Benjamin revela que o desejo de fazer este álbum nasceu depois de ter solicitado um visto de entrada nos Estados Unidos da América. «Essa situação fez com que me sentisse um “alien”, pelo que comecei a escrever como se de facto fosse», afirma, revelando que assim «podia gozar com o facto de ser chamado de “alien” pelos norte-americanos, apesar de, no fundo, todos sermos “aliens”». Para Benjamin «somos todos de toda a parte e não apenas de um determinado lugar».
«Ainda não sou um dramaturgo, mas a verdade é que comecei por escrever o disco como se de uma peça de teatro se tratasse», conta, «na minha cabeça esta era a forma de conseguir com que as pessoas percebessem de onde é que isto vinha». Mas será que o músico tem essa pretensão, de se dedicar um dia a escrever peças para teatro? «Ninguém se transforma em dramaturgo num ano», responde, «são necessários muitos anos», defende, aproveitando para revelar que é admirador de autores como Samuel Beckett.

No último dia da edição 2017 do Vodafone Paredes de Coura, Benjamin Clementine subiu à vila minhota para, no Centro Cultural, dar uma conferência de imprensa exclusiva

Ao contrário do primeiro álbum, o qual o músico afirma ser «sobre mim, sobre a minha vida e sobre Paris, em suma, sobre o passado», com o novo registo Benjamin tem algo para dizer, pois «quando falas sobre ti, sobre a tua história, depois, muito provavelmente, está na altura de falar sobre os outros e sobre aquilo que todos estamos a passar». Desta forma, o novo registo fala do presente, defendendo o músico ser este um trabalho «muito humano, pois fala de paz e de guerra o que nada tem para mim de político», reforça, «apenas escrevo algo sobre o meu tempo».

No último dia da edição 2017 do Vodafone Paredes de Coura, Benjamin Clementine subiu à vila minhota para, no Centro Cultural, dar uma conferência de imprensa exclusiva

O cravo marca presença constante ao longo do disco, «parece-me que a melhor forma de escrever músicas sobre o meu tempo é usar um instrumento como o cravo porque é um instrumento europeu», afirmou Clementine, reforçando que «não posso ficar somente pelas palavras, tenho de recorrer a instrumentos que me ajudem a levar as minhas palavras até outra dimensão», daí a escolha do cravo, «usei o cravo em temas que falam sobre aquilo que se passa na Europa, senti que era essencial que o fizesse, além de que se tocar sempre o mesmo instrumento, o piano, corro o risco de me tornar aborrecido, é preciso experimentar outras coisas», graceja o artista.

No último dia da edição 2017 do Vodafone Paredes de Coura, Benjamin Clementine subiu à vila minhota para, no Centro Cultural, dar uma conferência de imprensa exclusiva

Em “Phantom Of Aleppoville”, Benjamin Clementine faz recurso à utilização da metáfora do bullying. «Quis que as pessoas em Inglaterra e na Europa se conseguissem relacionar com a guerra na Síria através do bullying, um problema sério em Inglaterra sobre o qual, inexplicavelmente, muitos pais preferem não fazer nada o que não se percebe, pois uma criança deve sentir-se protegida e segura em casa», defende.

No último dia da edição 2017 do Vodafone Paredes de Coura, Benjamin Clementine subiu à vila milhota para, no Centro Cultural, dar uma conferência de imprensa exclusiva
“Muitas vítimas de bullying acabam por não contar nada aos pais com medo de serem repreendidas. Isso também é bullying. Não existe só bullying na escola, por vezes também acontece em casa”, acrescentou, ao mesmo tempo que admitiu ele próprio ter sido vítima de bullying em criança. «Um dos meus livros favoritos fala do problema comparando-o a uma guerra, isso fez com que achasse que o tema seria uma boa forma para abordar no álbum o problema da Síria», revela Benjamin que escreveu a música sobre Alepo comparando o que se passa na Síria com o problema do bullying do qual muitas vezes não se consegue escapar. De forma incrível Benjamin confessa que ainda hoje, «quando vejo crianças juntas tenho medo, pois penso que podem estar a rir-se de mim ou que tentem fazer-me alguma coisa, o que muitas vezes me faz, por exemplo, mudar de passeio, e já tenho 28 anos!» «Mesmo que essas crianças consigam sobreviver a Alepo, será que algum dia vão ter uma vida normal?», questiona.

No último dia da edição 2017 do Vodafone Paredes de Coura, Benjamin Clementine subiu à vila minhota para, no Centro Cultural, dar uma conferência de imprensa exclusiva

À nossa questão sobre quais as expectativas relativamente ao concerto, sendo que já tinha passado por Portugal noutras ocasiões com muito sucesso, Benjamin afirma que em sua opinião em Portugal existe a capacidade de perceber a música por ele criada «vocês têm música melancólica por isso percebem bem aquilo que faço, é quase como estivessem a conversar com quem canta», refere. «Começo a achar que encontrei em vocês, portugueses, as pessoas que procurei a minha vida toda», revela entre sorrisos, acrescentado que seria feliz se viesse viver para Portugal. «Vocês percebem-me e esse é o meu maior desejo, aquilo que eu quero que aconteça em cada lugar por onde passo» termina.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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